Salvador Sobral afirmou sentir vontade de apelar aos portugueses para que saiam à rua, mas reconheceu reservas em fazê-lo por viver atualmente em Espanha. No podcast “Posto Emissor”, o músico refletiu sobre a relação dos portugueses com o protesto e apresentou “A Flor do Recomeço”, o seu novo disco de influência brasileira.
A entrevista foi gravada antes das recentes manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto. As declarações não constituem, por isso, uma reação a esses protestos.
“Acho que não tenho legitimidade”
Ao abordar a atitude reivindicativa em Portugal, Salvador Sobral começou por reconhecer a contradição que sente entre o impulso de pedir mobilização e a decisão de viver fora do país.
“Tenho um impulso gigante, neste momento, de dizer que as pessoas em Portugal têm de sair à rua, mas eu fui embora para Espanha, não é? Emigrado”, afirmou no “Posto Emissor”.
O cantor acrescentou: “Acho que não tenho legitimidade para dizer que os portugueses deviam ser mais reivindicativos.”
Para ilustrar a sua leitura dos chamados “brandos costumes”, recorreu a uma imagem sobre o 25 de Abril: “Mas nós somos aquele país onde, no 25 de Abril, os tanques entraram pela cidade para acabar com a ditadura e pararam num sinal vermelho.”
“A Flor do Recomeço” aproxima-o da música brasileira
A conversa passou também pelo novo trabalho discográfico, apresentado como o seu “álbum brasileiro”. “A Flor do Recomeço” reúne composições escritas para a voz de Salvador Sobral, incluindo contributos de Adriana Calcanhotto e Tim Bernardes.
O disco conta ainda com duetos com Ney Matogrosso e Dora Morelenbaum, num projeto que aprofunda a ligação do músico português ao repertório e aos artistas brasileiros.
Concertos em Lisboa, Ílhavo e Porto em março
Depois de uma digressão internacional com passagens por Espanha, Países Baixos, Noruega e Lituânia ainda em 2026, Salvador Sobral tem apresentações do novo disco anunciadas em Portugal para março de 2027.
O percurso começa a 2 de março, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Segue-se a Casa da Cultura de Ílhavo, a 5 de março, e a Casa da Música, no Porto, no dia 6.
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