SC Braga exige mudança na arbitragem e contesta liderança de Luciano Gonçalves

SC Braga exige mudança na arbitragem e contesta liderança de Luciano Gonçalves, numa missiva redigida hoje.

António Salvador dirigiu uma carta a Pedro Proença e ao presidente do Conselho de Arbitragem após a derrota com o Sporting. O clube reclama medidas imediatas e considera que Luciano Gonçalves não reúne condições para continuar a desempenhar a função.

O SC Braga elevou a contestação à arbitragem ao plano institucional. Numa carta enviada este sábado, 10 de outubro, ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, e ao presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, António Salvador questionou as condições de liderança do setor e exigiu uma intervenção imediata.

A posição foi assumida no dia seguinte à derrota por 1-3 frente ao Sporting, na oitava jornada da Liga. No centro da queixa está um lance aos 49 minutos, quando os minhotos venciam por 1-0, em que o clube considera ter ficado por assinalar uma grande penalidade por mão de Doumbia.

Mas a exposição vai além desse episódio. O presidente da SAD bracarense relaciona as decisões em campo com o ambiente vivido nas estruturas da arbitragem e critica a presença televisiva de Luciano Gonçalves após o encontro.

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“O serviço prestado ao futebol, há que admiti-lo, piorou”

Na abertura da carta, António Salvador descreve um setor marcado por conflitos internos e sustenta que esse contexto está a afetar o trabalho dos árbitros e dos videoárbitros:

“Os últimos meses da arbitragem portuguesa têm sido de agitação e instabilidade. Desta feita, mais do que o tradicional ruído vindo do exterior, é de dentro das próprias estruturas federativas que se manifestam divergências, intrigas e suspeições. É inegável o impacto destes episódios, quase todos eles laterais ao quadro de árbitros e video-árbitros, mas com efeito direto no trabalho que se manifesta nos relvados e nas salas de VAR. O serviço prestado ao futebol, há que admiti-lo, piorou.”

O dirigente apresenta a iniciativa como uma mudança face à contenção pública que o clube afirma ter mantido:

“Como sabem e por certo reconhecem, o SC Braga tem acompanhado este período com interesse e diligência, mas também com recato externo e responsabilidade institucional. Apesar de reconhecer a gravidade das suspeições e dos factos indiciados, o SC Braga tem evitado contribuir para o clamor público, reclamando por esclarecimentos definitivos sem deixar de admitir dúvidas razoáveis, que urge dissipar.”

Lance com Doumbia motiva protesto

A carta sustenta que o regresso da competição deveria ter sido acompanhado de cuidados acrescidos:

“Perante o quadro de todos conhecido, e depois de uma longa paragem competitiva também ela muito ruidosa e com o sector e as suas lideranças amplamente expostas, era de prever e acautelar as máximas condições para que o contexto não desaguasse, no regresso dos campeonatos, em falhas flagrantes com impacto na verdade desportiva. Infelizmente, tal não aconteceu.”

Sobre o encontro com o Sporting, o SC Braga distingue a atuação do árbitro em campo da intervenção que entende ter sido exigida ao VAR:

“Esta sexta-feira, ao minuto 49 do SC Braga x Sporting CP, e num momento em que o resultado era de 1-0, há uma evidente grande penalidade a favor da equipa visitada que o árbitro não consegue vislumbrar em campo, condicionado pela rapidez da jogada e pelo movimento do jogador que defende. O próprio árbitro interrompe o jogo segundos depois, aguardando esclarecimentos do VAR, cuja falha, essa sim, é inadmissível. Um erro flagrante, com impacto no resultado, adulterou o jogo de cartaz da jornada.”

Esta é a avaliação expressa pelo clube, que já tinha contestado publicamente o lance através do seu diretor de comunicação, Alexandre Carvalho.

Aparição televisiva do presidente do Conselho de Arbitragem criticada

Outro dos pontos centrais da exposição é a participação de Luciano Gonçalves num programa televisivo após a partida. Para António Salvador, essa intervenção revelou um afastamento das prioridades do cargo:

“O SC Braga assinalou de imediato este erro e reportou-o, cuidando que a liderança do sector pudesse dar a devida importância ao acompanhamento das competições e do seu quadro de árbitros e vídeo-árbitros. Para nosso absoluto espanto, encontrámos no final do jogo o Presidente do Conselho de Arbitragem num estúdio de televisão, diante de um painel de jornalistas e comentadores, exaltado perante notícias e comentários sobre a sua vida particular e a sua situação patrimonial. Um espectáculo surrealista, completamente alheado da função que Luciano Gonçalves desempenha, e esclarecedor sobre o foco da liderança que, no rescaldo de um jogo capital com erro decisivo, protagoniza um momento televisivo que perdurará no anedotário do futebol nacional.”

O clube reconhece o direito do responsável a defender a sua vida pessoal, mas considera essa defesa insuficiente para justificar a postura que lhe aponta.

Salvador reclama “medidas imediatas”

A contestação à continuidade de Luciano Gonçalves fica expressa no trecho em que o presidente bracarense questiona a sua capacidade para exercer funções:

“É inegável que o cidadão Luciano Gonçalves terá todo o direito à sua reputação, ao seu bom nome e à defesa da sua esfera familiar, mas a importância do cargo que assume não se suspende por conveniência pessoal. Por mais respeitáveis que sejam as suas motivações individuais, o que o Presidente do Conselho de Arbitragem ontem transmitiu ao seu quadro e ao futebol em geral, minutos depois de um jogo de enorme importância, é que não está a liderar o sector que dirige e não está em condições de cumprir a sua função.”

A carta termina com uma exigência dirigida à Federação:

“A presente missiva, da qual será dado conhecimento público, é o alerta derradeiro para que a Federação Portuguesa de Futebol, a sua Direção e o seu Conselho de Arbitragem reconheçam a gravidade do contexto criado e do efeito de contágio que ele tem sobre o sector, a sua estabilidade e a qualidade das decisões tomadas em jogo, bem como a respetiva análise e aprendizagem. Aqui chegados, e sob pena de escalada, reclamam-se medidas imediatas que garantam à arbitragem as condições mínimas e a salvaguarda das competições.”

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