Sporting vence Vitória SC e é bicampeão nacional, conquistando assim o 2º campeonato seguido, 70 anos depois da última vez.
Texto: Nuno Almeida / Fotografias: Diogo Nora
Sporting CP vs. Vitória SC – O Último Capítulo de uma Época de Superação
[Best_Wordpress_Gallery id=”8119″ gal_title=”Sporting-Vitoria-17Maio-2025″]O fim de uma época épica
O Campeonato Português de 2024/25 chegou ao fim. E que época foi esta…
Num calendário marcado por constantes sobressaltos, mudanças de treinadores, lesões determinantes e surpresas classificativas, esta edição da Primeira Liga ficará para a história como uma das mais imprevisíveis e emocionantes da última década. Clubes que começaram mal acabaram por subir a pulso na tabela. Projetos que prometiam ruir, renasceram. Equipas que aparentavam dominar perderam gás. E outras, silenciosas e consistentes, fizeram o seu caminho sem alarde, mas com eficácia.
No meio desse turbilhão, dois percursos destacaram-se na última jornada: o de um Vitória SC que, mesmo em ano de instabilidade técnica, assinou uma das campanhas mais sólidas da sua história recente, e o de um Sporting CP que, apesar das provações, das mudanças no banco, das dúvidas externas, se manteve sempre vivo – e chegou ao jogo final com o destino nas próprias mãos.
O jogo entre Sporting CP e Vitória de Guimarães não era apenas a última partida da época: era o ponto de exclamação de uma narrativa intensa e incerta. Um duelo entre uma equipa que procurava confirmar a glória e outra que quis, até ao fim, dignificar o seu campeonato com futebol competitivo.
Mas para entender o que se passou hoje em Alvalade, é preciso olhar para o que estas duas equipas construíram nos últimos dez meses. E é por aí que esta crónica começa.
Vitória SC: Uma campanha silenciosa, firme e meritória
O Vitória de Guimarães não foi notícia pelas capas bombásticas, nem pelas euforias passageiras. Mas foi, em silêncio, uma das equipas mais consistentes da temporada. Começou a época com Daniel Sousa ao leme, que cedo deu lugar a Rui Borges treinador que viria, mais tarde, a assumir o comando técnico do Sporting. Esta mudança obrigou a uma nova adaptação a meio do campeonato, com a chegada de Luís Freire em janeiro.
Ainda assim, o Vitória não se desuniu. Pelo contrário: garantiu presença nas competições europeias, praticou um futebol competente e, em muitos momentos, atrevido. Fez frente aos grandes com personalidade e terminou o campeonato dentro das expectativas, ou até acima delas, tendo em conta o cenário de instabilidade técnica.
Jogadores como Tomás Händel, Tiago Silva e Gustavo Silva foram figuras regulares num plantel que soube misturar juventude com maturidade competitiva. O Guimarães saiu de Alvalade com a cabeça erguida. Porque o lugar que ocupa é fruto de trabalho sério e disso esta época foi testemunha.
Sporting: A Arte de Cair e Voltar Mais Forte
Poucos campeões o são com um caminho linear. Mas o Sporting de 2024/25 trilhou uma estrada de curvas apertadas, vales profundos e montanhas emocionais. Começou com Rúben Amorim, que saiu para o Manchester United ainda em novembro. Seguiu-se João Pereira, numa tentativa de solução interna que não sobreviveu ao fim do ano civil. E então chegou Rui Borges, vindo precisamente do Vitória SC, numa aposta que despertou dúvidas e reservas.
Hoje, é claro que foi a decisão certa.
O Sporting foi crescendo com o novo treinador. Encontrou estabilidade, melhorou o seu equilíbrio defensivo, consolidou rotinas ofensivas e, sobretudo, reencontrou identidade. Mesmo perante uma lista extensa de lesões, como as de Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Daniel Bragança em fases cruciais, a equipa reagiu. Porque tinha estrutura. Porque tinha alma.
Destacou-se Rui Silva, contratado em janeiro ao Betis, que foi decisivo em vários momentos e trouxe uma segurança à baliza que se sentia desde o primeiro toque. No meio-campo, Morten Hjulmand confirmou-se como patrão: recuperador incansável, líder sereno, e figura de autoridade dentro e fora do relvado. No jogo último contra o Benfica, foi um espelho disso mesmo — foi ele quem segurou, ditou o ritmo e protegeu o coração do leão.
Mais à frente, Francisco Trincão assinou a sua época mais decisiva de leão ao peito. Silenciou dúvidas, enfrentou críticas, e respondeu com jogo … jogo jogado, jogo sofrido, jogo importante. Foi dele o toque subtil, a aceleração no momento certo, a visão que desbloqueou defesas e abriu caminhos para a glória. Uma temporada de afirmação. De maturidade. De superação.
E no centro do furacão estava Viktor Gyökeres. O avançado de aço, o homem das decisões, o símbolo do instinto e da força. Chegou aos 100 jogos com a camisola do Sporting como poucos: de pé, com golos nos pés e fogo no olhar.
Terminou a época com números de lenda à escala europeia e com impacto mundial. Cada golo foi um grito. Cada corrida, um sinal. Cada máscara erguida, um gesto ritual que se tornou identidade de um clube inteiro.
Não foi apenas o melhor marcador da época. Foi o emblema da ambição. O rosto da fome. A figura que transformou suor em arte e esforço em eternidade.
Alvalade, o lugar onde o tempo parou
Quando os jogadores do Sporting subiram ao relvado, o céu pareceu descer até Alvalade.
“Sporting allez, quero o Sporting campeão!”
Ecoava em todas as direções.
Não era só um cântico — era um grito de guerra, um rugido ancestral, uma exigência feita com amor.
Era o povo sportinguista a reclamar o que sentia ser seu: o título.
Os onze leões, alinhados no relvado — Rui Silva, Morita, Debast, Pedro Gonçalves, Gyökeres, Trincão, Maxi Araújo, Geny, Gonçalo Inácio, Ousmane Diomande e Eduardo Quaresma — olharam em frente com a serenidade de quem sabe que o momento chegou.
Na linha lateral, Rui Borges observava com a tranquilidade de quem preparou cada segundo daquele jogo como se fosse o último.
Alvalade estava cheio. Não apenas de gente, mas de memórias, promessas, emoções em ponto de ebulição.
Cadeiras tremiam, cachecóis dançavam no ar, e os olhos brilhavam — alguns de nervosismo, outros já de lágrimas prestes a cair.
Era o capítulo final de uma caminhada épica.
Antes do pontapé de saída, o jogo parou… por respeito.
Homenagens emocionadas a três nomes que já são parte da história do clube.
Viktor Gyökeres e Ousmane Diomande, a serem aplaudidos de pé pelo estádio inteiro — tinham completado, no dérbi da Luz, a marca dos 100 jogos com a camisola do Sporting.
Homens que chegaram como promessas… e se fizeram ídolos.
Logo depois, o relvado saudou um pilar silencioso: Matheus Reis, o versátil guerreiro, que atingiu a marca simbólica dos 200 jogos pelo clube.
Um abraço coletivo à entrega, à constância, ao compromisso.
Do outro lado, de branco e preto, também havia onze que mereciam o respeito do jogo:
Bruno Varela (capitão), Miguel Maga, Mikel Villanueva, Nelson Oliveira, Tiago Silva, João Mendes, Beñi, Arcão, Borevković, Gustavo Silva e João Mendes (17).
Entraram com a dignidade de quem sabe que o futebol também é honra — e com a coragem de quem vinha jogar num dos palcos mais intensos da época.
E antes mesmo do primeiro toque na bola…
o momento que faz arrepiar até quem não percebe futebol.
“O mundo sabe que… por teu amor eu sou doente…”
Foi como se o tempo tivesse parado.
Todo o estádio levantou-se como um só corpo.
Cachecóis ao alto, bem esticados, tremendo levemente ao vento.
Milhares de vozes fundiram-se numa só, profunda, vibrante, cheia de verdade.
As luzes pareciam mais quentes.
Os olhos, mais húmidos.
Até os jogadores do Vitória SC hesitaram um segundo, em respeito.
A câmara da transmissão não sabia onde focar: cada rosto contava uma história.
Pais e filhos a cantar abraçados, grupos de amigos com lágrimas nos olhos, velhos sozinhos de mãos erguidas como quem fala com os céus.
Não era só um cântico.
Era uma oração profana.
Era o passado, o presente e o futuro de um clube inteiro embalado em palavras simples.
Por teu amor, eu sou doente.
Doente de fé.
Doente de paixão.
Doente de Sporting.
E foi ali, nesse instante solene, que se percebeu:
ganhasse ou perdesse, aquele clube já era eterno.
Porque nenhum título vale tanto quanto um povo inteiro a amar sem pedir nada em troca.
O jogo começou com nervos à flor da pele, mas foi o Sporting que assumiu desde o primeiro minuto a vontade de escrever a história ao seu ritmo.
Logo aos poucos minutos, a primeira explosão nas bancadas quase se concretizou em golo.
Minuto 8.
Canto cobrado por Trincão pela direita, com precisão milimétrica.
A bola sobrevoou a área como um convite ao golo, e Gonçalo Inácio, solto, surgiu ao segundo poste.
O remate saiu de primeira, em frente à baliza… mas por cima.
Todo o estádio soltou um “ahhh!” em uníssono, a mistura perfeita entre o susto e a antecipação.
Foi o aviso. O primeiro suspiro. O primeiro sinal de que os leões não estavam ali para empatar com o destino.
Minuto 25.
E quando o jogo em Alvalade ainda aquecia, veio a explosão… mas não da bola na rede.
Veio da bancada. Dos rádios. Dos telemóveis.
“É golo! Sp. Braga marca através de Rodrigo Zalazar!”
Não foi em Lisboa. Foi em Braga.
Mas foi como se tivesse sido em Alvalade.
Durante um segundo, houve silêncio de dúvida … e depois, o estádio explodiu como se o Sporting tivesse acabado de marcar.
Saltos. Abraços. Gritos. Gente a chorar.
O Benfica estava em desvantagem.
O Sporting, mesmo empatado, estava mais perto do título.
Foi como uma corrente elétrica a atravessar todo o estádio.
O jogo mudava. O destino mudava.
E os leões perceberam que o momento era agora.
Ainda ecoava pelo estádio o grito de esperança com o golo do Braga… e a realidade caiu como um balde de água fria.
Ousmane Diomande senta-se no relvado.
Mãos nos joelhos. Olhar para o chão. Sinal claro: não dá mais.
Rui Borges olha para o banco e chama Jeremiah St. Juste.
Substituição forçada.
Sai Diomande, entra St. Juste.
Aplauso imenso para o central marfinense — não era apenas um jogador a sair: era um dos símbolos da época. Um dos homenageados da tarde.
Minuto 33.
O Sporting continuava a carregar — e Alvalade vivia entre o suspiro e o grito.
Gonçalo Inácio vê o espaço e mete a bola como um artista: longa, tensa, milimétrica.
Gyökeres arranca. Foge à marcação como se sentisse o golo antes de todos.
Já dentro da área, quase sem ângulo, o sueco desvia a bola do guarda-redes com um toque inteligente, de instinto puro.
A trajetória parecia pedir um toque final.
Mas a área estava vazia de leões.
Faltou só mais um. Um passo, uma chegada, uma presença.
O estádio prendeu a respiração. E depois… soltou mais um “ahhh!” abafado pela ansiedade.
Minuto 36.
E o Vitória de Guimarães lembrava que não tinha vindo a Lisboa para assistir ao espetáculo — mas para participar nele.
Beñi recupera a bola a meio-campo e solta rápido para Nélson Oliveira, que não hesita:
ajeita para o pé esquerdo e dispara de longe, com tudo o que tinha.
A bola passou a centímetros do poste esquerdo da baliza de Rui Silva.
O banco do Vitória levantou-se.
O estádio silenciou-se por um segundo.
Foi um aviso.
Frio. Rápido. Cirúrgico.
Minuto 41.
Maximiliano Araújo cheirou o golo.
E Alvalade quase explodiu.
Canto marcado à maneira curta. Tudo parecia controlado, até que Morita sobe e amortece de cabeça para o centro da área. Lá estava o uruguaio, Maxi Araújo, a surgir com tempo e instinto.
Novo cabeceamento. Direto ao segundo poste. Direto ao golo…
Mas Bruno Varela, com um gesto técnico subtil, quase impercetível, desviou a bola com a ponta dos dedos e evitou o inevitável.
O estádio levantou-se a meio — entre o grito de golo e a incredulidade.
Era mais uma chance clara. Era mais uma vez o quase.
Minuto 45+5.
Grande oportunidade para Gyökeres.
E por instantes, todo o estádio prendeu a respiração.
Zeno Debast vê o movimento e coloca um passe longo, teleguiado, nas costas da defesa vimaranense.
Gyökeres arranca como uma locomotiva, deixa Borevkovic para trás em corrida e entra na área.
Puxa a bola para dentro, tenta ganhar ângulo — mas tropeça em si próprio, perde equilíbrio, perde tempo.
Ainda assim, à meia volta, em esforço, remata como pode.
Alvalade grita, primeiro de esperança… depois de frustração.
Era o fim de uma primeira parte dominada pelo Sporting, mas ainda sem o golo que toda uma multidão já gritava por dentro.
O intervalo chegou com os leões a olhar para cima — como quem procura respostas no céu.
Mas no relvado, ninguém duvidava: o golo vinha aí.
Intervalo.
O marcador mantinha-se teimosamente no 0-0, mas o domínio era claramente leonino.
O Sporting chegou ao intervalo com 62% de posse de bola, 7 remates (3 à baliza) e 4 cantos a favor.
O Vitória respondeu apenas com 1 remate, também à baliza, mas viveu quase sempre em modo de contenção.
A equipa de Rui Borges foi superior em tudo… menos no que conta.
E por isso, Alvalade rugia com impaciência e esperança.
O nulo no marcador não traduzia o filme dos primeiros 45 minutos. Faltava o golo. Faltava o momento. Faltava a explosão.
Mas o sentimento era unânime: era uma questão de tempo.
Recomeço: A voz do povo antes da bola
A segunda parte ainda nem tinha começado no relvado…
mas já estava a acontecer nas bancadas.
“Só eu sei… porque não fico em casa…”
Ecoou alto. Ecoou fundo.
Não era só um cântico, era uma declaração de amor, uma lembrança ao mundo de que o Sporting é muito mais do que futebol.
É presença. É entrega. É vida.
Era o público a levantar a equipa ao colo.
Era o 12.º jogador a entrar em campo com tudo.
Minuto 49.
Mais uma chance. Mais um suspiro. Mais uma vez… quase.
Zeno Debast bate o canto com inteligência, colocado no segundo poste.
Lá aparece Hidemasa Morita, solto, livre como um pensamento, a elevar-se no ar.
Cabeceia com intenção, com calma, com mira… mas a bola sai centímetros acima da trave.
O estádio levantou-se em bloco, foi daqueles lances em que o golo já se imaginava antes de acontecer.
Só que não aconteceu.
Minuto 55.
GOLO DO SPORTING!
É dele. É de Pote. É de Pedro Gonçalves.
O estádio explodiu. Mas antes disso… houve génio.
Eduardo Quaresma, pressionado, olha para o lado e acredita.
Entrega em Zeno Debast, que não hesita:
um passe rasgado, vertical, milimétrico, a furar linhas como uma seta verde.
Maximiliano Araújo recebe já na área.
Com a frieza dos grandes, toca de primeira, com suavidade, como quem prepara um altar. E aí aparece ele. Pedro. Pote. O mágico. De primeira. Sem pensar. Sem tremer.
Remata colocado, com o pé direito, e a bola sobe em curva perfeita para o ângulo superior direito da baliza.
A rede abana. O estádio ruge. O céu rasga-se. Alvalade explode.
Golo do Sporting. Golo do título. Golo da alma.
Jogadores a correrem para o canto.
Braços no ar. Corações a disparar.
Pote corre com o punho cerrado.
Atrás dele, vem o passado, o presente e o futuro do Sporting.
Era o momento que todos esperavam.
Era o golo que a primeira parte prometeu.
Era a justiça do futebol, finalmente em verde e branco.
Minuto 65:
Geny Catamo. O génio irrequieto. A faísca à flor da relva.
Recebe na direita, junto à linha, e parte para dentro. Flete para o centro com a elegância dos predestinados.
Todos sabem o que vai fazer.
Mas ninguém consegue travá-lo.
De pé esquerdo, dispara em arco — com intenção, com classe, com fé.
A bola sobrevoa o relvado como um poema curvo… e estala no poste direito da baliza de Bruno Varela.
Estala Mesmo! Como se fosse o som do coração de Alvalade a partir por um segundo.
Geny trava, fica parado.
O estádio inteiro solta um rugido de incredulidade.
Era um golo de bandeira. Era o momento da noite.
Mas ficou nos ferros.
Mais uma vez, o poste dizia “não” a um Sporting que só sabia dizer “sim” ao jogo.
Minuto 77.
Substituição no Sporting.
Sai Hidemasa Morita. Entra Geovany Quenda.
Morita, incansável como sempre, sai esgotado — mas de cabeça levantada.
Fez quilómetros, recuperou bolas, construiu jogadas.
E quando se encaminhava para o banco, as palmas de Alvalade transformaram-se em homenagem.
Ao mesmo tempo, subia do topo sul o cântico que se tornou grito de identidade:“É dia de jogo… toda a gente sabe que eu vou!”
As bancadas ganhavam voz e corpo. O estádio dançava, cantava, empurrava.
Era mais do que apoio, era comunhão, era o Sportinguismo em estado puro.
Geovany Quenda entrou com a juventude nos pés e o fogo nos olhos. Mais uma peça lançada para selar o destino.
E o destino, ali, parecia mesmo estar a sorrir de verde e branco.
Minuto 82.
GOLO DO SPORTING!
É dele. É de Viktor. É de Gyökeres.
Pedro Gonçalves levanta a cabeça e inventa magia.
Um passe em balão, suave e venenoso, entra na área como um convite ao caos.
Borevkovic salta, tenta aliviar… mas acaba por desmarcar o homem errado.
Gyökeres recebe.
Olha para Bruno Varela.
E como um predador em câmara lenta… tira-o do caminho com um toque frio, calculado, letal.
A baliza está deserta.E o sueco empurra com a calma de quem sabe que ali termina tudo.
2-0.
Explosão. Loucura. Libertação.
Alvalade treme. Alvalade grita. Alvalade chora.
Gyökeres corre para a curva, levanta os braços, tira a máscara.
Não era preciso. Já sabiam quem ele era.
Era o herói. O gladiador. O avançado que veio da neve para incendiar um clube inteiro.
Esse golo não era só o segundo da noite.
Era a última palavra antes do grito final.
Era o momento em que o título deixava de ser sonho… e passava a ser realidade.
Já ninguém olha para o relógio.
A bola ainda rola, mas Alvalade já não consegue conter-se.
“BICAMPEÃO! BICAMPEÃO! BICAMPEÃO!”
Gritam os quatro cantos do estádio.
Sem ensaio. Sem comando. Só emoção. Só certeza.
Era a palavra que todos esperaram poder gritar.
E agora, soltava-se das gargantas com a força de décadas de espera, de dor, de sonho.
A festa já estava em curso.
Os jogadores olhavam em volta — alguns com sorrisos abertos, outros com olhos marejados.
No banco, Rui Borges já tinha deixado de dar instruções. Estava de pé, mãos na cabeça, a viver o momento como mais um leão.
Alvalade já era um vulcão.
O minuto final arrastou-se como um último fôlego.
E então… o apito.
Um som curto, agudo, que desatou lágrimas. Que curou feridas antigas. Que transformou medo em festa.
Alvalade explodiu.
E não foi só em som … foi em alma.
Explodiu em abraços entre estranhos, em lágrimas partilhadas entre gerações, em gargantas gastas de tanto acreditar.
Explodiu em telefones que não paravam de tocar, em mensagens escritas com dedos a tremer: “Somos campeões! Somos campeões!”
Explodiu em silêncios emocionados de quem já não esperava viver tudo isto em tão pouco tempo.
Porque sim — o Sporting já tinha sido campeão no ano passado.
Mas este ano… este ano foi diferente.
Foi com mais dor, mais mudança, mais dúvida.
Foi com mais sacrifício.
E talvez por isso… tenha sabido ainda melhor.
Explodiu em crianças que cresceram a ver o Sporting vencer.
Explodiu em pais que esperaram décadas para mostrar aos filhos um clube de campeão.
Explodiu na certeza de que, depois de tanto sofrer, o Sporting voltou para ficar.
Foi o segundo título seguido. Mas não foi apenas a repetição de um feito.
Foi a confirmação de uma era. De um novo Sporting.
Mais forte. Mais unido. Mais fiel a si mesmo.
Porque o futebol é só um jogo, dizem. Mas quem viveu este dia… sabe que não é.
É herança. É identidade. É amor em estado puro!
As estatísticas selavam a justiça:
2-0, 53,5% de posse, 18 remates, 7 à baliza, 7 cantos a favor.
Foi uma exibição de campeão.
Foi uma consagração com tudo: domínio, sofrimento, classe e coração.
Sporting Clube de Portugal. Campeão em 2023/24. Campeão em 2024/25.
Bicampeão. Com alma. Com raça. Com amor.
Ser Sporting não é para qualquer um.
Mas para quem é… é para sempre.
E hoje, todos voltámos a ser crianças.
Porque o Sporting voltou a ser gigante.
E desta vez, para durar.
Uma Conquista Escrita com Esforço, Dedicação e Glória
O Sporting Clube de Portugal é campeão nacional.
E não foi só mais um título. Foi um grito de alma. Foi uma resposta do coração. Foi a certeza de que, quando tudo parece incerto, há valores que nos mantêm de pé.
Esta não foi uma época perfeita. Foi uma época real e sofrida. Cheia de curvas, tropeços, ausências e provações. Mas também de superação, inteligência e fidelidade a um emblema que nunca se rendeu. O Sporting não ganhou apenas jogos — ganhou o respeito, a admiração e o direito à eternidade.
Na baliza, Rui Silva guardou mais do que redes — guardou sonhos.
Na defesa, Gonçalo Inácio, Ousmane Diomande e Eduardo Quaresma foram muralhas que não se limitavam a defender: inspiravam.
Pelas alas, Matheus Reis, Iván Fresneda, Nuno Santos e Geny Catamo correram por todos — até pelos que não puderam estar em campo.
No meio, Hjulmand não precisou de gritar para se impor — a sua liderança era feita de postura e precisão.
Ao seu lado, Morita era o compasso, Bragança trazia classe, Pedro Gonçalves assumia o jogo com a alma nos pés, João Simões surpreendia e crescia, e Maximiliano Araújo mostrava que quem chega tarde pode chegar forte.
Zeno Debast, lançado à força no meio-campo, transformou a urgência em oportunidade e mostrou que inteligência também ganha campeonatos.
Na frente, Trincão carregou a responsabilidade com constância.
Geovany Quenda, ainda a descobrir o mundo, já o encarava como veterano.
Conrad Harder foi aquele que apareceu onde era mais difícil: no silêncio decisivo dos momentos em que a equipa precisava de um toque de golo.
E Viktor Gyökeres… cem jogos. Máscara. Raça. Fome. Um nome que passou de promessa a lenda, um símbolo com lugar cativo na história do clube.
E aqueles que jogaram menos, mas sentiram tudo: Ricardo Esgaio, St. Juste, Franco Israel, Kovačević, entre outros.
Treinaram com a mesma intensidade com que os outros jogaram. Foram coesão, foram apoio, foram Sporting.
E os adeptos…
Ah, os adeptos.
Aqueles que pintaram o país de verde e branco.
Aqueles que, em casa ou nos estádios, nunca se calaram.
“O mundo sabe que…”, “Quero o Sporting Campeão …Sporting allez””, não eram só cânticos. Eram votos. Eram pactos. Eram juras de fidelidade eterna.
Foram eles que nos minutos finais empurraram a equipa como se tivessem pés.
Foram eles que fizeram do relvado um altar e da camisola uma bandeira.
Este título pertence a todos.
Aos que viram Jordão, aos que vibraram com Balakov, aos que choraram com Liedson ou Jardel. E agora, aos que vão crescer com Gyökeres como herói.
Este Sporting venceu porque foi fiel a si mesmo.
Porque deu corpo às palavras que o definem há décadas:
Esforço. Dedicação. Devoção. E Glória.
E quando os jogadores se abraçaram no relvado de Alvalade, com a máscara no ar e milhares a cantar sob o céu de Lisboa, ali não se celebrava apenas um título.
Ali cumpria-se uma promessa.
A 17 de maio de 2025, o Sporting Clube de Portugal conquistou o seu 21.º título nacional.
Um número mítico. Uma data que o tempo não apagará.
Porque o futebol passa… mas há vitórias que ficam escritas onde nada se apaga: no coração de quem sente o Sporting como vida!
Parabéns, Leões. Este é o vosso tempo. Esta é a vossa eternidade.
Onzes titulares:
Sporting CP: Rui Silva; Eduardo Quaresma, Diomande e Gonçalo Inácio (C); Geny Catamo, Morita, Debast e Maxi Araújo; Trincão, Gyokeres e Pedro Gonçalves.
Vitória SC: Bruno Varela (C); Miguel Maga, Borevkovic, Mikel Vilanueva e João M. Mendes; Beni e Tiago Silva; Telmo Arcanjo, João Mendes e Gustavo Silva; Nélson Oliveira.
Suplentes:
Sporting CP: Franco Israel, Francisco Silva, Matheus Reis, St. Juste, Harder, Fresneda, Biel, Quenda e Felicíssimo.
Vitória SC: Charles, Marco Cruz, Jesus Ramirez, Vando Félix, Hevertton, Bruno Gaspar, Nuno Santos, Diogo Sousa e Ricardo Ribeiro
[Best_Wordpress_Gallery id=”8120″ gal_title=”Sporting-Vitoria-17Maio-2025-1″]Árbitro: Fábio Veríssimo
Árbitros assistentes: Pedro Martins, Hugo Marques
4º árbitro: Pedro Ramalho
VAR: Rui Costa
AVAR: André Dias
Disciplina: Cartão amarelo a Nelson Oliveira (45+2), Geny (57), Arcanjo (71), Gyokeres (84).
Golos: Pedro Gonçalves (55), Gyokeres (82).
Resultado final: 2-0





