Tânia Laranjo antecipa protesto dos camionistas e critica resposta aos combustíveis: «A conversa muda», destacou.
Tânia Laranjo reagiu esta quarta-feira, 23 de setembro, à marcha lenta de camiões marcada para sexta-feira e que deverá provocar condicionamentos em várias autoestradas. Numa publicação no Facebook, a jornalista comentou o protesto e deixou críticas à resposta política ao aumento do preço dos combustíveis.
A manifestação deverá decorrer na sexta-feira, 25 de setembro, com um percurso que envolve a A42, A41 e A1, entre a região de Paredes e Coimbra. Mais de 400 veículos pesados já estavam apontados pelos promotores, que admitem chegar aos 500 participantes.
Tânia Laranjo começou precisamente por alertar para a dimensão prevista.
«Sexta-feira há manifestação contra o preço dos combustíveis. Centenas de camionistas preparam-se para uma marcha lenta. Podem chegar aos 500 e ameaçam condicionar três autoestradas, uma delas a A1.»
«O camionista não abastece com boas intenções»
A jornalista juntou depois à análise os protestos anunciados por profissionais da PSP.
«Depois dos camionistas vêm os polícias, que também já anunciaram manifestações.»
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia tinha anunciado um ciclo de ações entre setembro e outubro, incluindo manifestações no Porto, Leiria, Lisboa e Faro, reivindicando valorização salarial e o cumprimento de matérias que considera pendentes.
Tânia Laranjo passou depois para a resposta do Governo.
«Não está a ser uma semana especialmente simpática para o Governo de Montenegro.»
E acrescentou: «Os camionistas dizem que o gasóleo está caro demais para continuar a trabalhar. O Governo diz que está a fazer o que pode.»
A jornalista deixou então uma crítica à expressão utilizada quando são discutidas as medidas adotadas pelo Executivo.
«É sempre uma frase bonita, esta do ‘estamos a fazer o que podemos’. Sobretudo quando quem a diz não está a olhar para a conta do gasóleo.»
O Governo anunciou nos últimos dias medidas que incluem a manutenção da redução temporária do ISP até ao final do ano e 38 milhões de euros em apoios extraordinários para setores mais expostos aos custos dos combustíveis, além de outras medidas dirigidas às famílias.
«Sexta-feira vão levar essa conversa para a estrada»
Foi precisamente sobre a distância entre as medidas anunciadas e as dificuldades apontadas pelos participantes no protesto que Tânia Laranjo centrou o restante comentário.
«Porque o camionista não abastece com boas intenções. Abastece com dinheiro. E, quando o dinheiro começa a não chegar, a conversa muda.»
A jornalista terminou olhando já para aquilo que poderá acontecer na sexta-feira.
«Sexta-feira vão levar essa conversa para a estrada.»
E deixou uma imagem sobre o impacto que centenas de veículos pesados poderão provocar: «Quinhentos camiões na A1 não são propriamente um pedido de audiência. São uma maneira bastante barulhenta de dizer ao Governo que há gente para quem o custo de viver e trabalhar já deixou de caber nas contas.»
O fecho foi curto: «E há uma coisa chata nestas manifestações: os camiões não cabem debaixo do tapete… Veremos.»
