Tânia Laranjo apela a tratamento para crianças com pele de borboleta: “Aceitaríamos esperar?”, questionou.
O pedido de uma adolescente à ministra da Saúde levou Tânia Laranjo a questionar a espera de crianças pelo acesso a um medicamento. Numa publicação no Facebook, a jornalista destacou as histórias de Matilde, Salvador e Pilar e deixou uma pergunta: “Se fossem nossos filhos, aceitaríamos esperar?”
Segundo o relato que partilhou, as três crianças vivem com a condição conhecida como pele de borboleta e precisam de um tratamento que possa aliviar a dor.
“A Matilde tem 15 anos. O Salvador e a Pilar têm cinco. Os três têm pele de borboleta. Os três têm dor. E os três precisam deste medicamento”, escreveu.
Pedido de Matilde à ministra da Saúde motiva apelo
Tânia Laranjo explicou que a adolescente gravou uma mensagem dirigida à responsável pela pasta da Saúde.
“A Matilde gravou um vídeo para a ministra da Saúde. Não foi pedir um favor. Pediu o medicamento que pode aliviar a dor.”
A jornalista questionou depois a diferença de acesso que descreveu entre Portugal e Espanha:
“E eu não consigo deixar de pensar nisto: que mundo é este em que uma criança portuguesa tem de pedir aquilo a que uma criança espanhola pode ter acesso?”
Na publicação, não identificou o medicamento, concentrando o apelo na situação das crianças e no tempo de espera.
“Como é que dizemos ao Salvador e à Pilar, que têm cinco anos, que têm de esperar? E à Matilde, que já tem 15 e percebe perfeitamente o que está a acontecer?”
“Há crianças a viver com uma dor que não espera por ninguém”
A jornalista defendeu que o acesso ao tratamento não deveria depender da capacidade das crianças para exporem publicamente o seu sofrimento.
“Eu não quero aceitar que nascer em Portugal possa significar ter menos possibilidades de viver com menos dor. Não percebo porque é que estas crianças têm de ser corajosas para conseguir aquilo que devia ser básico: acesso ao tratamento de que precisam.”
Tânia Laranjo recordou que os três já tinham procurado fazer ouvir o seu pedido:
“A Matilde fez a parte dela. Falou. Pediu. Explicou. Mesmo com cinco anos, o Salvador e a Pilar também o fizeram.”
O texto terminou com uma crítica à demora nas decisões e um apelo dirigido a quem acompanha estas situações:
“Enquanto se decide, enquanto se espera, enquanto se discutem papéis e procedimentos, há crianças a viver com uma dor que não espera por ninguém. E eu só consigo pensar numa coisa: Se fossem nossos filhos, aceitaríamos esperar?”
Veja a publicação AQUI.
