Tânia Laranjo defende comerciantes do Rossio. “Não me parece que devam ser os comerciantes a pagar esta fatura”

Tânia Laranjo defende comerciantes do Rossio e pergunta quem suporta as rendas, os salários e os pagamentos aos fornecedores enquanto se discute a permanência das tendas na praça. Numa publicação nas redes sociais, a jornalista da CMTV questionou o que acontecerá ao Mercado de Natal e pediu aos manifestantes que concretizem as suas propostas.

Tânia Laranjo começou por descrever o impasse em torno da intervenção da Câmara Municipal de Lisboa. “Há um despacho de Carlos Moedas para retirar as tendas do Rossio. Ou, pelo menos, a de Renata Cambra”, escreveu.

Sobre a atuação das autoridades, apresentou o seguinte enquadramento: “A PSP foi travada por uma decisão judicial e o Ministério Público considerou inconstitucional a interpretação da norma que sustentou a intervenção policial. O recurso para o Tribunal Constitucional está em cima da mesa. Os manifestantes, entretanto, não saem.”

A jornalista passou então às escolhas que se colocam a quem trabalha na praça durante a época natalícia. “E agora? Fazemos o quê? A PSP volta ao Rossio para tentar retirar as tendas e arriscar outra decisão judicial? Não há mercado de Natal? Leva-se o mercado para outro lado? Talvez os comerciantes também possam montar as suas bancas noutro sítio. Ou fechar a loja”, escreveu, observando que “há sempre alguém a quem pedir sacrifícios”.

“Há pessoas que vivem do Rossio”

Para Tânia Laranjo, a discussão tem consequências imediatas para quem conta com as vendas de Natal. “É que há pessoas que vivem do Rossio. Pagam rendas, salários, fornecedores. Não vivem de protestos nem podem suspender a vida à espera que alguém se entenda”, afirmou. “E não me parece que devam ser os comerciantes a pagar esta fatura.”

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A intervenção surge quando uma petição pela manutenção do mercado já ultrapassou as seis mil assinaturas. Na quinta-feira, 5 de novembro, a autarquia sugeriu que Renata Cambra pudesse manter simbolicamente uma tenda no Rossio durante o mercado e apontou três locais alternativos para a continuação do protesto.

Na publicação, a jornalista dirigiu também uma pergunta aos manifestantes: “Também gostava de perceber o que querem concretamente os manifestantes. Porque até agora há muita palavra de ordem, muita indignação e pouca proposta”, escreveu. Na sua leitura, “o diálogo parece ser uma hipótese que ainda não merece grande entusiasmo”.

Tânia Laranjo terminou com uma reflexão sobre a partilha do espaço público: “A manifestação é um direito. Mas ocupar uma praça não transforma os restantes cidadãos em figurantes da luta de quem lá está. O Rossio não é de Carlos Moedas, mas também não é de quem conseguiu montar primeiro uma tenda.”

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