Tânia Laranjo fala sobre saúde mental: “Já vi pessoas ao meu lado irem abaixo”, referiu nas redes sociais, este domingo.
A jornalista reconheceu que nem sempre compreendeu os problemas de saúde mental e rejeitou a ideia de que basta força de vontade para os ultrapassar. Numa reflexão no Facebook, pediu menos certezas sobre aquilo que os outros sentem.
Tânia Laranjo reconheceu que, durante anos, olhou para os problemas de saúde mental como uma realidade distante. Numa publicação no Facebook este domingo, 11 de outubro, a jornalista falou sobre a forma como essa perceção mudou ao acompanhar as dificuldades de pessoas próximas.
No dia seguinte ao Dia Mundial da Saúde Mental, começou por assumir os preconceitos que também fizeram parte do seu olhar sobre o tema:
“Durante anos achei que os problemas de saúde mental eram coisas dos outros. Dos fracos, dos malucos. Não sei. Uma pessoa acha sempre que há coisas que só acontecem na casa do vizinho. Até porque temos contas para pagar, trabalho para fazer e não estamos cá para perder tempo com essas coisas.”
“Algumas não pediram ajuda. Ou não souberam como”
Ao refletir sobre o seu próprio equilíbrio, Tânia Laranjo afastou qualquer ideia de mérito pessoal e recordou pessoas que viu passar por dificuldades, apesar de manterem uma rotina aparentemente semelhante à de todos os outros.
“Tenho a sorte de ter a cabeça minimamente arrumada. E digo sorte porque não fiz nada de especial para a merecer. Já vi pessoas ao meu lado irem abaixo. Gente que trabalhava, que se ria, que fazia a vida de toda a gente. E que, por qualquer razão, não conseguiu continuar. Algumas não pediram ajuda. Ou não souberam como. E há coisas que já não se conseguem remediar.”
A jornalista partilhou também a relação que mantém com a escrita, um exercício a que recorre para organizar os pensamentos, mesmo quando acaba por apagar o que escreveu.
“Eu escrevo. Às vezes ajuda-me a pensar. Escrevo, apago, volto a escrever. Depois irrito-me com aquilo e vou fazer outra coisa. Mais tarde volto. Cada um tem as suas manias. Há quem corra, quem fale sozinho, quem arrume gavetas. Eu apago textos.”
A crítica à ideia de que basta força de vontade
A passagem do Dia Mundial da Saúde Mental motivou uma chamada de atenção para a facilidade com que o assunto continua a ser ignorado.
“Ontem foi o Dia Mundial da Saúde Mental. Aposto que passou ao lado de muita gente. Também já me passou ao lado”, admitiu.
O que mais a incomoda, explicou, é a persistência de uma interpretação simplista do sofrimento: “O que me custa é ver como ainda há quem ache que basta ter força de vontade. Como se a cabeça fosse uma torneira que se fecha quando começa a pingar.”
Tânia Laranjo terminou sem procurar dar uma resposta definitiva, deixando antes um pedido de maior cuidado na forma como se julgam os outros:
“E pronto. Não tenho nenhuma grande conclusão. Só gostava que deixássemos de achar que sabemos o que se passa na cabeça dos outros. Às vezes nem na nossa sabemos muito bem.”
