Tânia Laranjo olha para Buckingham com ironia: «No fim, os mesmos problemas que cabem numa família normal», afirmou.
De séculos de tradição, cerimónias e protocolos a histórias familiares capazes de alimentar livros e manchetes. Tânia Laranjo dedicou uma das suas mais recentes publicações à família real britânica e escolheu o humor para falar das sucessivas polémicas e revelações que têm rodeado Buckingham.
“Há qualquer coisa de profundamente irónico na família real inglesa. Passaram séculos a convencer-nos de que eram diferentes. Mais sérios, mais educados, mais ricos, mais compostos. Têm coroas, palácios, criados e pessoas cuja profissão é abrir-lhes a porta.”
É quando chega a Buckingham que a jornalista aproxima a realeza de uma família comum – embora numa escala bastante diferente.
“Quanto mais penso naquele palácio, mais me parece uma casa de família. Só que uma casa de família onde há 775 quartos e, mesmo assim, parece nunca haver um quarto suficientemente longe dos problemas.”
Ao longo do texto, Tânia Laranjo recupera várias histórias e alegações públicas associadas à família real, incluindo as que envolveram André e Camilla, e refere ainda um livro do irmão de Diana que, segundo escreve, volta a trazer para a discussão uma história relacionada com Charles e um mordomo.
A jornalista não procura resolver nenhuma dessas histórias. Usa-as, antes, para construir um paralelismo entre Buckingham e aquilo que acontece em tantas famílias longe dos palácios.
“Na minha casa, quando há um problema, fecha-se a porta da cozinha e fala-se baixinho. Em Buckingham, aparentemente, fecha-se uma ala inteira. Na minha família, há sempre uma tia que sabe tudo. Em Buckingham, há um mordomo. Nós temos o vizinho que viu quem entrou. Eles têm segurança. Nós temos a senhora do terceiro andar.”
E é precisamente nessa comparação que chega à ideia central da publicação: “E é isto que me fascina: tanto ouro, tanta história, tanta pompa e, no fim, os mesmos problemas que cabem numa família normal.”
O remate mantém o mesmo registo irónico: “A única diferença é que, quando a minha família faz uma asneira, alguém diz: ‘Isto não pode sair daqui.’ Em Buckingham, parece que é precisamente aí que começa o livro.”
