Tânia Laranjo recorda Jorge Palma e Luís Represas: «Aquelas vozes que pareciam pertencer ao mundo começam a pertencer ao passado»

Tânia Laranjo recorda Jorge Palma e Luís Represas: «Aquelas vozes que pareciam pertencer ao mundo começam a pertencer ao passado», disse.

A morte de Jorge Palma continua a provocar reações de diferentes figuras públicas. Tânia Laranjo juntou-se às homenagens esta terça-feira, 22 de setembro, mas escolheu fazê-lo através das memórias que a música foi deixando na sua própria vida.

Jorge Palma morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, segundo a informação divulgada pela família e pela agência do músico.

Na publicação que partilhou nas redes sociais, a jornalista da CMTV começa precisamente pela relação entre determinadas canções e os momentos que acabam por ficar associados a elas.

“Há músicas que se confundem com a nossa própria memória. Não sabemos quando as ouvimos pela primeira vez, nem quem as pôs a tocar. Sabemos apenas que, muitos anos depois, começam os primeiros acordes e há uma casa, uma estrada, uma pessoa ou uma idade que regressa inteira.”

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É nesse ponto que Tânia Laranjo cruza Jorge Palma com Luís Represas, que morreu em maio deste ano. Dois músicos diferentes, associados também a períodos distintos da sua vida.

“É aí que vivem Luís Represas e Jorge Palma. Tenho-os ligados a coisas diferentes da minha vida. Palma aos meus amores, Represas à minha rebeldia.”

«Primeiro foi Represas. Agora Palma»

A jornalista recordou aquilo que encontrou nas canções de ambos e recuperou dois temas que ficaram ligados à sua memória: «125 Azul», de Luís Represas, e «Encosta-te a Mim», de Jorge Palma.

“Um acompanhou noites, paixões e aquela espécie de vertigem que se tem quando ainda acreditamos que uma história pode durar para sempre. O outro vinha com a vontade de sair, de ir mais longe, de não aceitar muito bem o lugar que nos tinham destinado. E, no fundo, ambos cantavam aquilo que nos moveu tantas vezes: o amor e a liberdade.”

Para Tânia Laranjo, “O 125 Azul era uma estrada aberta. O Encosta-te a Mim era alguém a pedir que ficássemos”, duas canções que, apesar das diferenças, acabaram por guardar momentos de uma vida.

A morte de Jorge Palma trouxe-lhe também a proximidade das duas perdas.

“Primeiro foi Represas. Agora Palma. E custa perceber que aquelas vozes que pareciam pertencer ao mundo começam a pertencer ao passado.”

Ainda assim, a jornalista rejeita a ideia de recordar Jorge Palma apenas através da morte.

“O Palma dizia que não gostava da morte. Eu prefiro lembrar-me dele vivo, atravessado pelas canções, misturado com as minhas próprias histórias. Porque é isso que fica quando uma pessoa morre: aquilo que a vida dela deixou dentro da nossa.”

E é também pela música que termina a homenagem: “Uma música começa e voltamos. Sem fotografias, sem gavetas, sem esforço. Voltamos.”

Tânia Laranjo revelou, por isso, que pretende voltar a ouvir Jorge Palma, não como despedida, mas como forma de recuperar tudo aquilo que as suas canções transportam consigo.

“Talvez seja por isso que hoje vou ouvir Jorge Palma. Não para me despedir. Para o ter outra vez aqui.”

Jorge Palma deixou uma carreira de mais de cinco décadas e uma obra onde se encontram temas como «Deixa-me Rir», «Frágil», «A Gente Vai Continuar» e «Encosta-te a Mim». O seu último álbum de originais, «Vida», foi editado em 2023.

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