Tiago Grila relata internamento após consumo de cocaína: “Só me lembro de acordar na sala de reanimação”

Tiago Grila relata internamento após consumo de cocaína: “Só me lembro de acordar na sala de reanimação”, afirmou em entrevista.

No podcast «Desvaneios», o criador de conteúdos contou ter sido encontrado inanimado num hotel e descreveu as consequências da dependência na saúde, no trabalho e nas relações pessoais.

Tiago Grila revelou no podcast «Desvaneios», de Tiago Paiva, que esteve internado depois de perder os sentidos num quarto de hotel, na sequência de consumo de cocaína. O criador de conteúdos descreveu um período de descontrolo e afirmou que a intervenção das funcionárias de limpeza permitiu que fosse encontrado.

O relato foi feito cerca de oito dias depois do episódio, ocorrido no Hotel Amazónia, em Queijas. Grila disse ter sido transportado para o Hospital São Francisco Xavier e apresentou a sua versão do que aconteceu antes e durante o internamento.

Setembro marcado por recaídas e falhas no trabalho

Ao recordar as semanas anteriores, Tiago Grila explicou que a dependência passou a dominar a rotina, interferindo com as transmissões em direto e com os compromissos profissionais.

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“Em setembro deito tudo a perder. Fazia uma live, ia buscar cocaína, fazia outra live, ia buscar. Folgava, não aparecia. Gastei 3 mil euros no último mês em branca. A minha equipa já sem mão em mim. Andavam a tapar buracos”, afirmou.

O influenciador associou esse período à dificuldade em lidar com o fim de uma relação. Disse também que tentou esconder da avó a gravidade da situação, deslocando-se da Amareleja para a região de Lisboa.

Sobre a decisão de ir para o hotel, afastou uma intenção de suicídio: “Até que tive a infeliz ideia… Estou farto disto, estou farto disto. Não pensei no suicídio. Não pensei em nada disso, mas poderia ter acontecido. Entro no hotel às 18h00.”

“Os gritos não me saem da cabeça”

Grila contou que perdeu a noção do risco e começou a sentir desorientação e alucinações durante o consumo. As últimas recordações que descreveu foram de instabilidade física e de gritos no quarto.

*“Não me passou pela cabeça que isto podia dar md porque não foi um capricho. Quando perdes o medo perdes tudo. E comecei, pumba, pumba e cheirei e cheirei. A última recordação, a última memória é eu assim a cambalear, a olhar e a ver um pozinho, com os olhos esbugalhados, e comecei a gritar. Estes gritos não me saem da cabeça”**, relatou.

O criador de conteúdos disse ter danificado o quarto e perdido os sentidos, recordando apenas o momento em que voltou a acordar no hospital.

“Deixei aquilo num alvoroço e só me lembro de acordar na sala de reanimação”, afirmou.

Encontrado pelas funcionárias de limpeza

Segundo Tiago Grila, foram as funcionárias do hotel que o encontraram inanimado, por volta das 11h20 de 2 de outubro. O quarto tinha sido reservado por uma única noite, com ajuda de uma pessoa ligada à sua equipa.

O influenciador descreveu problemas renais e desnutrição durante o internamento, informações que apresentou no podcast como parte da sua experiência clínica.

“Um dos meus rins entrou em falência de filtração. Levei 12 ou 13 pacotes de soro. Estava completamente desnutrido. Fui encontrado porque o meu manager só pagou uma noite e às 11h20 vieram as mulheres da limpeza e encontram-me inanimado. Se tivesse pago duas ou três noites podia estar morto”, declarou.

Acrescentou ter sofrido ferimentos e permanecido vários dias sob cuidados hospitalares.

“Eu estava desmaiado, cheio de sangue. Parti o espelho, a parede toda marcada e os meus gritos não me saem da cabeça. Eu estive cinco dias numa sala de reanimação ligado por tubos. Tenho os dedos partidos.”

Redes sociais foram uma das primeiras preocupações

Quando recuperou a consciência, Tiago Grila procurou explicar aos seguidores o motivo da ausência e pedir desculpa pelo alarme causado.

“Foi fazer logo uma live. Fiz um vídeo para avisar as minhas pessoas e pedir perdão, para me perdoarem. (…) Tirando o sofrimento que causei aos meus, estou grato por isto me ter acontecido. Eu não dormia, chegava à live a cair. A malta reparava e era um decréscimo financeiro. As pessoas perceberam que me andavam a pagar a droga, ‘então monta-te neste’”, contou.

O desgaste, segundo explicou, já era visível no trabalho e na forma como se relacionava com os outros.

“A ressaca era o meu mau aspeto, olheiras. No dia seguinte sentia-me cansado, sem vontade de falar com pessoas, sem paciência, as graças a sair sem graça. Saltava vídeos, não fazia vídeos. Estive 64 dias limpo com a minha namorada mas era uma felicidade falsa. Ela não era especial, eu é que a fazia especial.”

Insegurança e resistência ao acompanhamento psicológico

Durante a conversa, o criador de conteúdos contrapôs a imagem que apresenta nas redes à insegurança que diz sentir.

“Eu tiro em média 500 euros por dia, é a média. Eu sou um entertainer. Há muita camuflagem, ninguém diz que eu sou inseguro. Se eu fosse tão seguro não tinha recaídas atrás de recaídas. Eu não tinha que tapar vazios porque uma rapariga me fez sofrer. Porque me apaixonei loucamente, como nunca, pela última pessoa com quem estive oito meses”, afirmou.

Grila manifestou ainda dificuldade em recorrer a acompanhamento psicológico, dizendo: “Eu não consigo neste momento estar num psicólogo.” Na conversa, referiu vídeos motivacionais como uma forma de apoio, uma posição que Tiago Paiva questionou perante o historial de consumo descrito.

Ao regressar ao tema da separação, o influenciador afirmou que procura agora outra forma de lidar com a rutura: “Agora estou mais tranquilo porque não posso destruir a minha vida por causa de um amor.”

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