Tour de France 2025: Etapas 2 e 3; Antevisão da etapa 4

Dobradinha da Alpecin garante amarela com novo dono

Texto: Luís Santos

Na 2.ª etapa da Volta à França, com 209,1 km e um perfil exigente — 2 550 m de desnível acumulado — as condições meteorológicas adversas e persistentes tornaram a jornada ainda mais seletiva. Com atrasos no início e várias quedas ao longo do percurso, antevia-se um dia duro, reservado a ciclistas “de barba rija”.

A etapa começou com um ataque de quatro corredores — Armirail, Van Moer, Fedorov e Leknessund — que formaram a fuga do dia. Esta foi neutralizada pouco depois do sprint intermédio, a cerca de 54 km da meta, com o pelotão a ser liderado pelas equipas UAE Team Emirates e Soudal Quick-Step.

Na fase final da etapa, marcada por duas subidas de 3.ª categoria e uma de 4.ª, foi a Visma-Lease a Bike, através de Wout van Aert, que começou a impor um ritmo forte, alongando o pelotão mas Jasper Philipsen, então camisola amarela, resistia no grupo da frente. No entanto, foi com o aumento de ritmo de Tiesj Benoot que o grupo começou a partir. Os sprinters ficaram para trás e Tadej Pogacar passou em primeiro no topo da última subida de 3.ª categoria, garantindo assim a camisola de líder da montanha para a 3.ª etapa.

Na subida seguinte, foi Jhonatan Narváez (UAE) quem trabalhou para Pogacar. Kevin Vauquelin ainda tentou um ataque, mas a inclinação acentuada limitou os efeitos da sua ofensiva. Na descida para a última subida do dia, Jonas Vingegaard lançou um ataque inesperado “ao estilo Pogacar”, surpreendendo o grupo, formava assim uma seleção de cerca de dez corredores na frente da corrida.

Na subida final, João Almeida assumiu o trabalho de preparação para Pogacar. Porém, com Van der Poel já bem posicionado aos 500 metros da meta, era evidente que o neerlandês estava em posição privilegiada para vencer. Numa chegada em sprint, Van der Poel impôs a sua potência característica e cruzou a meta em primeiro, com Pogacar em 2.º e Vingegaard a fechar o pódio.

Dia caótico sorri a Tim Merlier

A 3.ª etapa da Volta à França 2025, com 178,3 km entre Valenciennes e Dunkerque, prometia ser uma jornada para sprinters, mas acabou por ser marcada por quedas, drama e uma chegada imprópria para cardíacos. O perfil plano e exposto ao vento sugeria uma etapa tranquila, mas o dia revelou-se tudo menos isso.

Com o pelotão a manter um ritmo controlado durante grande parte da etapa, e sem qualquer fuga significativa, a tensão foi crescendo à medida que se aproximava o sprint intermédio. Foi aí que surgiu o primeiro grande incidente do dia: Jasper Philipsen, camisola verde e um dos favoritos aos sprints, caiu de forma aparatosa após um toque com Bryan Coquard. O belga da Alpecin-Deceuninck foi forçado a abandonar depois de uma queda “feia”, deixando o Tour mais pobre e a luta pela camisola dos pontos totalmente em aberto.

Mais à frente, na única contagem de montanha do dia — a Côte de Cassel (4.ª categoria) — Tim Wellens (UAE Team Emirates) atacou para conquistar o único ponto em disputa e, com isso, assumiu a liderança da classificação da montanha.

Nos últimos 3 km, nova queda abalou o pelotão, envolvendo nomes como Remco Evenepoel, Jordi Meeus e Geraint Thomas. Apesar dos danos, todos conseguiram terminar a etapa, embora com algumas mazelas visíveis.

A chegada foi decidida num sprint frenético, com múltiplos candidatos ainda no grupo da frente. Tim Merlier (Soudal Quick-Step) impôs-se por escassos centímetros a Jonathan Milan (Lidl-Trek), numa das decisões mais apertadas desta edição. Phil Bauhaus (Bahrain Victorious) foi terceiro.

Antevisão da Etapa 4: Será a 1ª vitória de Pogacar?

A 4.ª etapa da Volta à França 2025, com 174,2 km entre Amiens e Rouen, promete ser explosiva e imprevisível. Com um traçado que combina terreno plano, vento e subidas curtas mas íngremes, esta jornada poderá baralhar as contas da geral e abrir espaço a ciclistas versáteis.

A primeira metade do percurso será feita em estradas largas e expostas ao vento, particularmente perigosas se se formarem bordures (cortes provocados por ventos cruzados). Equipas com ambição — como UAE Emirates, Visma-Lease a Bike e Alpecin-Deceuninck — estarão certamente atentas a estas oportunidades de partir o pelotão e ganhar tempo ainda antes das dificuldades do final.

Nos últimos 50 km surgem várias contagens de montanha, que podem servir de rampa de lançamento para ataques decisivos. O ponto mais crítico será a Rampe Saint-Hilaire (800 metros a 10,6%), situada apenas a 5 km da meta. Esta subida curta mas explosiva pode eliminar os sprinters mais puros e favorecer os puncheurs.

Com Jasper Philipsen fora da corrida, o campo de sprinters fica mais aberto. Tim Merlier (vencedor da 3.ª etapa) será uma das apostas fortes, mas terá de resistir às rampas finais. Mathieu van der Poel, atual camisola amarela, é outro nome a ter em conta.

Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard também estarão atentos — qualquer hesitação pode custar segundos preciosos. O final técnico e em leve subida pode ser palco de mais um duelo entre os favoritos à geral.

A etapa 4 poderá não parecer, à primeira vista, decisiva — mas o vento e as subidas curtas têm o potencial de agitar a classificação geral. Espera-se uma chegada tensa, com ritmo elevado e decisões de última hora. Puncheurs como Van der Poel e favoritos como Pogacar e Vingegaard deverão lutar por cada segundo. Tudo em aberto numa jornada onde o posicionamento e a leitura da corrida farão a diferença.

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