Trump ataca Nobel da Paz atribuído a Navi Pillay: “Desacreditado para sempre”, afirmou o presidente americano.
O presidente norte-americano criticou o Comité Nobel num comício em Siracusa. A jurista sul-africana foi distinguida pelo contributo para a paz e o direito internacional.
Donald Trump reagiu à atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2026 a Navi Pillay com críticas ao comité responsável pela escolha e à Noruega. Num comício realizado na sexta-feira, 9 de outubro, em Siracusa, no estado de Nova Iorque, o presidente dos Estados Unidos voltou a manifestar descontentamento por não receber a distinção.
A decisão do Comité Nobel norueguês reconheceu o trabalho da jurista sul-africana na promoção da paz e do direito internacional, destacando o seu contributo para a responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Críticas ao comité e à Noruega
Durante a intervenção, Trump contestou a credibilidade do galardão:
“O Prémio Nobel da Paz ficou desacreditado para sempre por causa de um punhado de ideólogos radicais que são antidemocráticos e verdadeiros inimigos da civilização.”
O presidente afirmou desconhecer o percurso da vencedora e acrescentou: “Nunca tinha ouvido falar dessa pessoa em particular, mas, de qualquer forma, parabéns.”
A escolha foi ainda descrita pelo líder norte-americano como “uma mancha indelével na Noruega”.
Uma carreira ligada à justiça internacional
Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e exerceu funções no Tribunal Penal Internacional e no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.
Ao fundamentar a escolha, o Comité Nobel destacou a importância da justiça internacional para a resolução de conflitos e para a defesa das vítimas, num contexto de pressão sobre os tribunais e as instituições que aplicam o direito internacional.
Pillay brincou com a possibilidade de dividir o prémio
A jurista recebeu a notícia da distinção em Nuremberga, na Alemanha, durante um encontro em que foi aplaudida pelos presentes. Foi nesse momento, e não numa cerimónia de entrega do Nobel, que fez uma referência bem-humorada a Trump:
“Se aplaudirem um pouco mais alto, talvez eu divida o prémio com Trump.”
O momento foi registado num vídeo divulgado nas redes sociais por Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.
A entrega do Prémio Nobel da Paz está prevista para 10 de dezembro, em Oslo.
