Trump pede novo presidente na Ucrânia após acordo de gasóleo com a Rússia, com críticas bastante fortes.
O presidente norte-americano criticou Zelensky e os ataques ucranianos às refinarias russas. Kiev respondeu que a escolha da liderança pertence ao povo ucraniano e alertou para o financiamento da guerra através das exportações de combustível.
O acordo entre Washington e Moscovo para o fornecimento de gasóleo russo abriu um novo confronto entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Este sábado, 10 de outubro, o presidente norte-americano defendeu a substituição do líder ucraniano e responsabilizou-o pela falta de um entendimento para terminar a guerra.
As declarações surgiram um dia depois do anúncio do acordo energético, numa altura em que os preços dos combustíveis pressionam a administração norte-americana antes das eleições intercalares de novembro.
“Sugiro-lhes que elejam um novo líder”
Perante os jornalistas na Casa Branca, Trump afirmou que é “hora da Ucrânia ter um novo presidente” e acrescentou: “Sugiro-lhes que elejam um novo líder capaz de chegar a um acordo.”
O presidente norte-americano criticou também os ataques da Ucrânia às refinarias russas, argumentando que agravam “o problema mundial” da escassez de gasóleo.
“É do seu interesse parar”, advertiu, dirigindo-se a Zelensky.
Trump apresentou ainda Putin como interessado numa solução negociada, na sequência da conversa telefónica que mantiveram na sexta-feira:
“A Rússia gostaria de chegar a um acordo (…) mas, por uma razão ou outra, Zelensky não quer chegar a um acordo.”
Esta é a avaliação do presidente norte-americano, contestada por Kiev, que acusa Moscovo de continuar os ataques enquanto beneficia do alívio das restrições às exportações.
Ucrânia defende legitimidade de Zelensky
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, respondeu que Zelensky “conta com o apoio do povo ucraniano” e “merece ser apoiado”, defendendo o direito dos ucranianos a decidirem a sua liderança.
Em Moscovo, Kirill Dmitriev, principal negociador económico de Putin, classificou como “históricas” as declarações de Trump.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manifestou entretanto “total solidariedade” com Zelensky numa conversa telefónica entre os dois dirigentes.
Gasóleo russo no centro da disputa
Segundo Washington e Moscovo, o entendimento prevê o fornecimento de 300 mil toneladas de gasóleo a partir de outubro, destinadas aos Estados Unidos e ao mercado mundial. As entregas deverão aumentar até um milhão de toneladas em dezembro.
O acordo surge num contexto de subida dos preços dos combustíveis após o início da guerra contra o Irão, lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, e a menos de um mês das eleições intercalares norte-americanas.
Zelensky classificou o entendimento como uma “decisão fraca” dos Estados Unidos e considerou que permitirá à Rússia reforçar receitas e financiar a continuação da guerra.
Ataques russos agravam confronto diplomático
O presidente ucraniano condenou também os ataques russos que, segundo o balanço divulgado, provocaram 21 mortos no sábado, 20 dos quais em Zaporizhzhya.
“A Rússia expressou o agradecimento pelo levantamento das sanções às exportações de gasóleo, lançando cinco bombas sobre edifícios residenciais em Zaporizhzhya”, afirmou.
Zelensky disse ainda ter discutido com Emmanuel Macron, por telefone, “as dificuldades decorrentes do alívio das sanções sobre os produtos petrolíferos” russos.
O Eliseu não reagiu de imediato ao anúncio do acordo. A Alemanha limitou-se a “tomar nota” da decisão norte-americana e reafirmou o apoio à Ucrânia.
Negociações na Flórida terminaram mais cedo
Na sexta-feira, negociadores ucranianos e norte-americanos reuniram-se na Flórida para tentar relançar os esforços diplomáticos. As conversações foram encurtadas, com a delegação ucraniana a abandonar a mesa.
Apesar desse desfecho, o enviado de Trump, Steve Witkoff, classificou as discussões como “construtivas”. Zelensky, pelo contrário, denunciou “uma cortina de fumo” após o anúncio do entendimento sobre o gasóleo.
O Kremlin afirmou que Putin acolheu “com compreensão” as propostas norte-americanas de “medidas destinadas à desescalada”, sem apresentar detalhes adicionais sobre essas iniciativas.
