À prova de bala: Calema abrem o Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa com confetis, fogo e uma celebração de amor

À prova de bala: Calema abrem o Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa com confetis, fogo e uma celebração de amor, neste sábado.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João Sousa

Coube aos Calema acender a primeira faísca do Palco Mundo no Rock in Rio Lisboa 2026. E a dupla não entrou em cena devagar. Entrou como quem sabe o peso do lugar, da hora e da responsabilidade.

Antes da chegada dos irmãos ao palco, um filme recordou a digressão e o percurso que os trouxe até ali. Depois, tudo rebentou em cor, luz e movimento. Confetis, pirotecnia, bailarinas e um céu azul sobre o Parque Tejo abriram caminho a uma entrada feita para marcar o dia.

Vestidos de azul e prateado, os Calema apareceram debaixo de um sol abrasador. À frente, tinham um público pronto a entrar no jogo. E, aos poucos, foi isso mesmo que aconteceu.

Uma entrada à altura do Palco Mundo

O concerto começou com aparato, mas não ficou preso ao efeito visual. Havia fogo, sim. Havia dança, brilho e explosões de confetis. Porém, havia sobretudo uma dupla consciente de que tinha 55 minutos para transformar uma tarde quente numa festa colectiva.

Os maiores êxitos foram surgindo sem grande demora. “A nossa vez”, “Prova de bala” e “Amar pela metade” fizeram parte de um alinhamento pensado para chamar o público para dentro do concerto.

Além disso, os irmãos insistiram várias vezes na participação da plateia. Não como gesto automático, mas como parte essencial da actuação. O Palco Mundo abriu, assim, com uma energia popular, directa e assumidamente emocional.

Amor, lusofonia e fé em 55 minutos

Entre “Amar pela metade” e o mais recente “Chuva de amor”, os Calema passaram por temas incontornáveis da sua carreira. “Leva tudo”, com Dilsinho, “A nossa dança” e “Mama É” foram recebidos por um público cada vez mais disponível para cantar, dançar e responder.

Entretanto, o concerto também se fez de convidados, bailarinas e momentos de celebração. Em “Maria Joana”, um grupo entrou para dançar o Vira, cruzando festa, tradição e espectáculo.

Nada pareceu colocado ao acaso. A dupla foi invocando amor, boas energias, lusofonia e fé, sempre com a mesma intenção: fazer do concerto uma celebração comum.

O refrão que ficou na tarde do Parque Tejo

O final trouxe o momento mais físico e contagiante da actuação. Milhares abanaram a anca, cantaram em coro o refrão de “Te amo” e gritaram “Saudade bô”.

Foi aí que o concerto ganhou a sua imagem mais forte. Não apenas pelos efeitos, nem pela dimensão do palco. Mas pela forma como os Calema conseguiram transformar a abertura do Palco Mundo numa comunhão de vozes, corpos e memória afectiva.

Com 55 minutos intensos, os irmãos deixaram a fasquia alta para o resto do dia. Abriram o Rock in Rio Lisboa 2026 com brilho, ritmo e uma certeza: no Palco Mundo, a sua música já fala uma língua que o público reconhece de imediato.

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