Rock in Rio: Maninho fez do Music Valley uma roda quente de pagode, amor e canções com pele que a todos conseguiu chegar.
Fotografias: Carlos Pedroso

A meio da tarde, no Rock in Rio Lisboa 2026, houve um concerto que não precisou de se vestir de gigante para ganhar tamanho.
Maninho apareceu no Palco Music Valley com a matéria de que se fazem os artistas populares: canções que entram depressa, refrões de corpo inteiro, balanço de rua e uma forma de cantar que não procura distância. Pelo contrário. Puxa para perto.

“Pode Tentar” abriu caminho. Depois vieram “Se Prepara”, “Soltinha” e “Furacão”. Quatro momentos para pôr o Music Valley em andamento, sem pedir licença e sem excesso de cerimónia.
Não era uma entrada para contemplar. Era uma entrada para mexer. E mexeu.

Quando o pagode tomou conta da tarde
A certa altura, o concerto virou esquina.
O medley de pagode juntou “Deixa Acontecer”, “Pé na Areia” e “Coração Partido”. E essa sequência mudou a respiração do palco e do público.

De repente, havia outra cadência. Mais solar. Mais solta. Mais próxima de uma roda onde a canção passa de boca em boca, mesmo quando nasce num festival com grandes estruturas à volta.
Depois, “Fica Comigo” e “Sem Limites” mantiveram essa vibração sem deixar o concerto perder direcção. Maninho foi conduzindo a actuação como quem sabe que uma boa festa também precisa de narrativa.

Nem tudo tem de rebentar ao mesmo tempo. Às vezes, o segredo está em deixar o corpo ir primeiro e o coração chegar logo a seguir.
Canções que não vivem apenas do refrão
O terceiro bloco trouxe outro desenho.

“Garota”, “Lembra Você”, “Mila” e “Nêga” colocaram o concerto numa zona mais íntima, embora nunca desligada do balanço. Há temas que parecem feitos para palco, mas também para nomes concretos, memórias guardadas e histórias que cada pessoa leva consigo.
Foi nessa parte que a actuação ganhou pele.
Maninho não ficou preso à festa fácil. Deixou entrar romantismo, melodia e uma certa doçura urbana. E, por isso, o Music Valley não foi apenas lugar de dança. Foi também lugar de canção.

A presença de Bluay em “Beija Flor” acrescentou outra cor ao concerto. A entrada do artista convidado abriu uma porta mais actual, mais directa, sem quebrar o fio emocional que vinha de trás.
Logo depois, “Frágil” apareceu quase como uma confissão.

O último tema não fechou: deixou ficar
“Até ao Fim” ficou guardado para encerrar a festa, sem ar de despedida fria.
Terminou como terminam certas noites boas: com a sensação de que ainda havia música no ar.
No Palco Music Valley, Maninho levou ao Rock in Rio Lisboa 2026 um concerto de pulsação quente. Não foi uma actuação desenhada apenas para impressionar. Foi feita para aproximar.

Houve pagode, houve canção, houve rua, houve romance e houve uma energia de quem conhece o valor de um refrão quando ele encontra gente à sua frente.
Maninho não precisou de provar que cabia no festival. Fez melhor. Levou o festival para dentro do seu próprio universo.


