Silas Andersen chegou ao Sporting após uma infância difícil: “Nem tudo na vida é fácil”, afirmara o jogador.
Silas Andersen é uma das caras novas do Sporting para a temporada de 2026/27. Aos 22 anos, o médio dinamarquês chega do Häcken depois de um percurso marcado por mudanças, dificuldades financeiras e decisões tomadas ainda durante a infância.
Natural do sul de Copenhaga, começou a destacar-se no Sundby antes de ser recrutado pelo FC Copenhaga. Porém, aos 12 anos, teve de escolher entre acompanhar a mãe ou permanecer na capital dinamarquesa para continuar a jogar futebol.
Ficou em Copenhaga para perseguir o sonho
Quando Catrine se mudou para Bornholm, uma ilha dinamarquesa próxima da costa sueca, Silas optou por não abandonar o caminho que iniciara no futebol.
O irmão, dois anos mais novo, acompanhou a mãe. Já o futuro jogador do Sporting permaneceu em Copenhaga, onde começaria a treinar com maior regularidade no FC Copenhaga.
“Queria continuar a jogar futebol e ia começar a treinar com o FC Copenhaga um par de vezes por semana. Não queria deixar isso para me mudar para Bornholm”, explicou ao «Sportbladet», em julho de 2025.
Sem a mãe por perto, Silas Andersen passou a viver com uma família de acolhimento ligada ao seu antigo clube.
“Mudei-me para uma família de acolhimento onde o pai, Bo, trabalhava no Sundby”, recordou.
O vínculo criado manteve-se ao longo dos anos e continua a fazer parte da vida do futebolista.
“É a minha família alargada. Eles são muito próximos de mim. Tenho duas famílias”, contou.
Silas Andersen não mantém relação com o pai
O médio falou também sobre a ausência do pai durante o seu crescimento. Embora o progenitor continue a viver na Dinamarca, não existe contacto com os filhos.
“Eu não tenho contacto com ele. Ele vive na Dinamarca, mas nem a minha mãe nem nós temos contacto com ele. Foi provavelmente em parte por causa dele que a minha mãe se mudou. Ele não fez parte do nosso crescimento”, relatou.
Silas reconheceu que gostaria de ter vivido uma realidade diferente, sobretudo durante a infância.
“Claro que eu preferia ter tido um pai como os outros tiveram, para estar lá para mim e para os meus irmãos, mas não foi o caso”, lamentou.
Gratidão à mãe pelas dificuldades enfrentadas
A relação com a mãe é marcada por um sentimento de reconhecimento. Catrine sustentou os filhos com um trabalho a tempo parcial e viveu com eles num apartamento T2.
“A minha mãe teve de lidar com as dificuldades de ter três filhos, um trabalho em part-time e um T2. Haver três irmãos… havia algumas lutas e palavrões. Ela fez um trabalho incrível connosco. (…) Não foi fácil para a minha mãe pôr comida na mesa com um ‘part-time’”, afirmou.
As limitações financeiras refletiam-se também no material necessário para jogar futebol. Comprar chuteiras ou roupa nova nem sempre era possível.
“Eu não conseguia comprar novas chuteiras sempre que precisava. Joguei com as mesmas durante vários anos e depois ficava com os sapatos e as roupas dos meus irmãos”, recordou.
Apanhava garrafas para conseguir algum dinheiro
Durante a infância, Silas Andersen e os irmãos procuravam formas simples de ajudar e conseguir algum dinheiro adicional.
“Colecionávamos garrafas de devolução nas ruas, tanto como hobby como para ter algum dinheiro extra. Esses tempos são parte do meu legado. Nem tudo na vida é fácil, mas são essas as coisas que nos tornam mais fortes”, explicou.
O médio não procura apagar essa fase. Pelo contrário, considera que as dificuldades contribuíram para a resistência que demonstrou nas etapas seguintes da carreira.
Inter de Milão surgiu aos 17 anos
A primeira grande mudança internacional aconteceu quando o Inter de Milão identificou o seu potencial.
Com apenas 17 anos, Silas Andersen deixou a Dinamarca e partiu para Itália. Antes de decidir, analisou os aspetos positivos e negativos da proposta.
“Escrevi uma lista de vantagens e desvantagens, e cheguei à conclusão de que devia ir embora. Era o que eu queria e é um grande reconhecimento. Foi o Inter que fez uma proposta concreta e não se pode dizer não a isso, é um grande clube. Era um sonho de infância e agora estou a um passo daquilo que quero alcançar”, disse então à publicação dinamarquesa «Lixen».
Apesar da expectativa, não chegou à equipa principal do clube italiano. Durante as duas épocas no país, passou também pelo Genoa por empréstimo.
Passagem pelos Países Baixos não trouxe afirmação
Depois da experiência em Itália, Silas Andersen seguiu para os Países Baixos e integrou a segunda equipa do Utrecht.
Permaneceu duas temporadas no clube, mas somou apenas dois jogos pela formação principal.
Ainda assim, voltou a procurar um novo caminho. No verão de 2025, regressou ao norte da Europa para representar o Häcken.
A mudança para o futebol sueco devolveu-lhe espaço competitivo e permitiu-lhe recuperar protagonismo.
Taça da Suécia abriu caminho para o Sporting
Ao serviço do Häcken, Silas Andersen venceu a Taça da Suécia em 2025 e afirmou-se como um dos jogadores em destaque no campeonato.
O rendimento despertou a atenção do Sporting, que avançou para a contratação do médio dinamarquês.
A transferência terá sido realizada por dez milhões de euros, o valor mais elevado recebido pelo Häcken por um jogador.
Agora, Silas Andersen procura aproveitar a pré-temporada para conquistar espaço no plantel leonino. A chegada a Alvalade representa uma nova oportunidade depois das experiências sem afirmação em Itália e nos Países Baixos.
Fotografia: Sporting Clube de Portugal
