MOTELX celebra 20 anos com Monica Bellucci, RZA, J-Horror e 11 dias de terror em Lisboa

MOTELX celebra 20 anos com Monica Bellucci, RZA, J-Horror e 11 dias de terror em Lisboa, em Setembro.

O MOTELX – Festival Internacional de Terror de Lisboa celebra a 20.ª edição com a programação mais extensa da sua história. Entre 3 e 13 de setembro, o festival ocupa o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa durante 11 dias.

A primeira antevisão, divulgada em comunicado, confirma cinema internacional, homenagens, competições portuguesas, sessões para famílias, exposições e várias atividades paralelas.

Monica Bellucci, RZA, Jason Williamson e Quentin Tarantino surgem ligados a alguns dos primeiros filmes anunciados. A organização prepara ainda novas secções dedicadas ao terror europeu e à relação do cinema com a morte.

A programação completa será conhecida em agosto. Antes disso, o MOTELX prolonga as comemorações através de um Warm-Up que atravessa julho e agosto.

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Solveig Nordlund recebe o Prémio Noémia Delgado

Depois de distinguir a produtora norte-americana Gale Anne Hurd, o MOTELX entrega este ano o Prémio Noémia Delgado a Solveig Nordlund.

Nascida na Suécia e naturalizada portuguesa, a cineasta torna-se a segunda vencedora da distinção dedicada a Mulheres Notáveis no Terror.

A organização reconhece uma das pioneiras do cinema fantástico português e uma das figuras mais singulares da cinematografia nacional.

A obra de Solveig Nordlund cruza influências de autores como H. P. Lovecraft e J. G. Ballard, explorando universos marcados pelo fantástico, pela inquietação e pela ficção especulativa.

Monica Bellucci e RZA entre os destaques internacionais

O Serviço de Quarto, principal secção internacional do MOTELX, recebe dez longas-metragens nesta primeira vaga de anúncios.

“Fuck My Son!”, do norte-americano Todd Rohal, apresenta-se como uma comédia X-rated assumidamente provocadora e de mau gosto.

Do Reino Unido chega “Game”, realizado por John Minton. O filme conta com Jason Williamson, dos Sleaford Mods, e tem argumento e produção de Geoff Barrow, dos Portishead.

Já “AnyMart”, de Yusuke Iwasaki, chega do Japão depois de uma passagem pela Berlinale. A história mergulha no lado mais sombrio do ambiente laboral japonês.

O Festival de Cannes está representado por dois títulos. “Species”, de Marion Le Correller, é uma coprodução belga e francesa centrada no body horror.

Léa Mysius assina “The Birthday Party”, um thriller psicológico com Monica Bellucci no elenco.

Invasões alienígenas, vingança e ação sangrenta

“Mum, I’m Alien Pregnant” leva ao festival uma comédia de ficção científica oriunda da Nova Zelândia. O filme é realizado pela dupla Thunderlips, formada por Jordan Mark Windsor e Sean Wallace.

De Hong Kong chega “The Furious”, de Kenji Tanigaki, descrito como uma locomotiva de ação marcada pela violência e por um ritmo imparável.

A invasão alienígena regressa em “Our Effed Up World”, coprodução entre Austrália e Canadá realizada por Alice Maio Mackay. A narrativa acompanha um grupo de amigos perante uma ameaça vinda do espaço.

RZA, membro dos Wu-Tang Clan, apresenta “One Spoon of Chocolate”, o quarto filme da sua carreira como realizador.

O revenge thriller conta com produção executiva de Quentin Tarantino e reforça a presença de nomes ligados à música nesta edição.

A seleção fica completa com “Poultry Farm”, do iraniano Mohammadreza Ardalan. A história acompanha um órfão envolvido numa disputa macabra entre dois proprietários rurais.

MOTELX procura o terror escondido atrás da Cortina de Ferro

Uma das principais novidades de 2026 é “Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro”.

Criada em parceria com a Cinemateca Portuguesa, a secção pretende recuperar filmes esquecidos produzidos nos países do antigo bloco de Leste.

O ciclo segue uma lógica semelhante à do Quarto Perdido, mas alarga a redescoberta a outras cinematografias europeias.

A seleção começa com “The Singing, Ringing Tree”, de Francesco Stefani. Produzido na República Democrática Alemã, o filme estreou-se em 1957.

Segue-se “Werewolf”, de Leida Laius, uma produção da União Soviética lançada em 1968.

“The Rat Saviour”, realizado por Krsto Papić em 1976, representa a antiga Jugoslávia.

A Checoslováquia surge através de “Ferat Vampir”, filme de Juraj Herz datado de 1981.

Também de 1981 é “Possession”, de Andrzej Żuławski, coprodução entre França e a República Federal da Alemanha.

O ciclo encerra com “Strangler vs Strangler”, realizado por Slobodan Šijan na Jugoslávia, em 1985.

Herzog e Buttgereit abrem uma conversa sobre a morte

O MOTELX volta também a olhar para um tema que o quotidiano tende a evitar. “Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém)” nasce de uma parceria com o Goethe-Institut Portugal.

A secção propõe uma reflexão sobre a mortalidade através de painéis e de três obras centrais do cinema de género germânico.

“Nosferatu: O Vampiro da Noite”, realizado por Werner Herzog em 1979, recupera o universo do clássico de F. W. Murnau.

A programação inclui ainda “Nekromantik”, de 1988, e “The Death King”, também conhecido pelo título original “Der Todesking”.

Ambos os filmes são assinados por Jörg Buttgereit, realizador alemão associado às margens mais transgressoras do terror europeu.

José de Sá Caetano regressa ao ecrã no Quarto Perdido

O Quarto Perdido dedica a edição deste ano a José de Sá Caetano, realizador português nascido em Leiria, em 1933.

O cineasta integrou o grupo fundador da cooperativa Cinequanon, ao lado de nomes como José Fonseca e Costa, Luís Galvão Teles e António de Macedo.

A retrospetiva destaca uma trilogia iniciada com “As Ruínas no Interior”, em 1976.

“Um S Marginal”, de 1983, ocupa o centro do conjunto, que ficou concluído no ano seguinte com “Azul Azul”.

As três obras estabelecem ligações discretas entre personagens, situações e ecos narrativos.

Apesar da singularidade do seu universo surrealista, José de Sá Caetano continua a ser uma das figuras menos revisitadas do cinema português.

Sergio Martino inspira programa dedicado ao acid giallo

A Suite 13 regressa com “Sergio Martino e Acid Giallo: Atmosferas que Turvam os Sentidos”.

O programa foi concebido pelo convidado Carlos Alberto Carrilho e parte da relação entre a obra de Martino e o subgénero italiano.

O acid giallo distingue-se pela saturação cromática e sonora, num encontro entre medo, vertigem e êxtase.

Sergio Martino tem sido alvo de uma nova atenção internacional, impulsionada pelo restauro de vários filmes em 4K.

Quentin Tarantino e Guillermo del Toro também já reconheceram a influência do realizador nas respetivas carreiras.

Os títulos incluídos nesta secção serão anunciados posteriormente.

Dez curtas disputam o principal prémio português

O Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa volta a atribuir 5.000 euros ao filme vencedor.

A competição reúne dez trabalhos nacionais:

“amordemoura”, de Tiago “Ramon” Santos; “A Hora do Chico”, de João Severo e Rafael Sá Carneiro; “Final da Noite”, de Duarte Gandum e Henrique Gandum; “Tardo”, de Carlos Calika; e “Consolatio”, de Pedro M. Afonso.

A seleção integra ainda “Estou Aqui”, de Ana Rita Martins; “Spirit Caller”, de Vítor Dutta; “Bruno, o Boneco”, de Diogo dos Santos Oliveira; “consumido”, de [carrozo]; e “Royal”, de Hinata Almeida e Tomás Pascoal.

Cinema português marca presença no Méliès d’argent

A competição do Prémio Méliès d’argent – Melhor Curta Europeia inclui, nesta primeira revelação, oito produções portuguesas.

“Sweet Hearts”, de Diogo Coutinho e Gonçalo Claro da Fonseca, e “Codec: ♥ Amanda ♥”, de Rafaela Cardoso, estão entre os selecionados.

Seguem-se “Calhau”, de Paulo Abreu; “A Onda”, de Ramón de los Santos; e “Olhos, Olhos, Nariz, Boca”, de Sofia Santa-Rita.

A presença nacional completa-se com “Quietud”, de Gonçalo Almeida; “Cure My Misery”, de Kiril Savateev; e “Katabasis”, de João Silva.

Sala de Culto recupera duas raridades perdidas na tradução

A Sala de Culto apresenta este ano dois filmes ligados pela relação pouco convencional com a tradução audiovisual.

O programa “Lost in Translation” começa com “Hen Dui Hen”, produção taiwanesa de artes marciais lançada em 1974.

Em Portugal, o filme ficou conhecido como “Kung Fu à Portuguesa”. A versão exibida manteve o áudio original em mandarim, mas recebeu legendas escritas por Raúl Solnado e Pedro Bandeira-Freire.

Como os dois autores desconheciam a língua original, criaram uma tradução particularmente livre e imaginativa.

A segunda obra é “A Teia de Gelo”, realizada por Nicolau Breyner em 2012.

Situado entre o thriller de ação e o terror gótico, o filme foi rodado integralmente em português e inglês.

O MOTELX exibe a rara versão inglesa, protagonizada por Diogo Morgado, Margarida Marinho e Paula Lobo Antunes.

SectionX explora instituições, violência e realidades distorcidas

A SectionX mantém o espaço dedicado ao cinema mais experimental e underground.

“Chronovisor”, dos norte-americanos Jack Auen e Kevin Walker, apresenta um academic noir centrado numa máquina capaz de filmar o passado.

A invenção é atribuída ao monge beneditino Pellegrino Ernetti.

“Variations on Violence” é assinado por Zachary Aaron Nichols, antigo colaborador de David Lynch.

A terceira proposta é “Sunshine Express”, produção iraniana construída como uma alegoria kafkiana em formato de reality show.

Os três filmes dialogam com o poder institucional e com as suas formas mais atuais e subversivas.

Lobo Mau regressa com cinema, oficinas e atividades familiares

A secção Lobo Mau volta a integrar a programação dedicada aos públicos mais novos.

Antes do festival, o projeto participa numa sessão de cinema ao ar livre, marcada para 14 de agosto, no Jardim das Amoreiras.

O programa inclui também o tradicional Peddy Paper no Cinema São Jorge, o Atelier Sensorial ALMA e novas sessões de Sustos Curtos.

As atividades serão adaptadas a diferentes faixas etárias. Está ainda prevista a estreia nacional de uma longa-metragem.

Outra iniciativa envolve o fotógrafo Bernardo Gramaxo e a Associação Passa Sabi.

Durante o workshop, oito jovens percorreram o Bairro do Rego e registaram o território através de câmaras Instax.

Sete argumentos concorrem ao Prémio de Melhor Guião

O Prémio MOTELX – Melhor Guião de Terror Português chega à quarta edição e mantém o valor monetário de 2.000 euros.

Em 2025, a distinção foi entregue a “Quem Mata no Camarido? (Seis Betos e Meia)”, de António Xavier Rodrigues.

Este ano estão em competição sete argumentos de longas-metragens ainda não produzidas.

“A Ostra”, de Pedro Garrido; “Hóspede”, de Miguel Monteiro Rico; “O Silêncio que Fica”, de Ana Lamas; e “Privação (Ou Coisas Ditas de Joelhos)”, de António Xavier Rodrigues, integram a seleção.

Juntam-se “Púcaro Negro”, de Maria Leonor Toscano e Raquel Cabaço Pereira; “Rosa dos Ventos”, de Alexandre Guedes de Sousa; e “Todas as Respostas”, de Stephane F. Oliveira.

Exposição recria dez cenas de terror passadas em hotéis

A programação paralela recebe “Hotel Pastiche”, exposição de João Telmo, da Nova Companhia.

O projeto recupera o hotel enquanto cenário recorrente do cinema de terror e reinventa dez momentos de filmes clássicos.

Entre as obras revisitadas encontram-se “The Shining” e “Psycho”.

A exposição permanecerá aberta durante os 11 dias do festival, num local que será anunciado posteriormente.

Monster Day leva criaturas ao Cinema São Jorge

O dia 5 de setembro será inteiramente dedicado aos monstros, figuras essenciais do imaginário do terror.

O Monster Day começa com um workshop dirigido às crianças, integrado na secção Lobo Mau.

Mais tarde, realiza-se um Concurso de Monstros, com um prémio monetário de 500 euros.

Um júri avaliará o trabalho de monster design apresentado pelos participantes.

O dia termina no Lounge do MOTELX, com uma festa e encontro dedicado às criaturas participantes.

Warm-Up começa em julho e passa pelo Nimas e Palácio do Grilo

As celebrações arrancam antes da abertura oficial do festival.

Na noite de 31 de julho, o Cinema Nimas recebe “Saccharine”, filme australiano de Natalie Erika James.

A sessão começa à meia-noite e integra uma nova edição do Nimas Fora de Horas.

No dia 1 de agosto, a Casa do Comum acolhe uma sessão de curtas-metragens, seguida de um DJ Set. O programa arranca às 21h00.

A 14 de agosto, o MOTELX e a Junta de Freguesia de Santo António promovem cinema ao ar livre no Jardim das Amoreiras.

A Sessão Lobo Mau começa às 18h00. Às 21h00, é exibido “The Guest”, filme de Adam Wingard lançado em 2014.

Já no dia 27 de agosto, o festival junta-se ao Black Cat Cinema para apresentar “The Others”, de Alejandro Amenábar.

O clássico de 2001 será projetado no Palácio do Grilo, a partir das 21h00.

A organização promete revelar em breve mais novidades sobre a programação, os eventos e as restantes surpresas da 20.ª edição.

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