Morante de la Puebla: “É difícil porque são muitas as expectativas colocadas sobre mim e eu já não sou um menino

Morante de la Puebla: “É difícil porque são muitas as expectativas colocadas sobre mim e eu já não sou um menino, afirmou ao Infocul.pt by ARDglobal.

Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador

Morante de la Puebla abandonou o Campo Pequeno pela Porta Grande, em ombros, depois de assinar duas faenas que colocaram a praça de pé. Contudo, já no final da corrida, o toureiro espanhol preferiu falar da entrega sentida na arena e da resposta que recebeu do público português.

A corrida de quinta-feira, 16 de julho, marcou a abertura da temporada de 2026 no Campo Pequeno, perante uma lotação esgotada.

Questionado sobre o balanço dos dois touros que enfrentou e das respetivas faenas, Morante não escondeu a satisfação pela noite vivida em Lisboa.

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«Bem, penso que a análise é a de que fiz uma boa noite. Encontrei um público muito carinhoso, sempre muito atento aos detalhes da faena. Foi uma noite em que me senti muito entregue e penso que o público soube reconhecê-lo.»

O matador enfrentou dois exemplares de Álvaro Núñez. No primeiro, teve de trabalhar perante um touro com limitações. Já no segundo, encontrou matéria para construir a atuação que acabaria por confirmar a saída em ombros.

«São muitas as expectativas colocadas sobre mim»

Morante foi também confrontado com o peso de ser visto como uma das principais figuras mundiais da tauromaquia.

A resposta afastou-se da imagem distante que tantas vezes acompanha as grandes figuras. O toureiro reconheceu a exigência que sente e admitiu que nem sempre dispõe da mesma força para corresponder ao que dele esperam.

«É difícil. É difícil porque são muitas as expectativas colocadas sobre mim e eu já não sou um menino. Por vezes, faltam-me as forças ou o ânimo para conseguir agradar a tanta afición. Ainda assim, tento fazê-lo e, em tardes e noites como a de hoje, consigo.»

A afirmação ganhou outra dimensão depois do que sucedeu na arena lisboeta. Morante regressou ao Campo Pequeno rodeado de enorme expectativa e encontrou uma praça esgotada, disponível para acompanhar cada detalhe.

A pressão, porém, não foi escondida pelo próprio. Aos 46 anos, o matador falou com frontalidade sobre a dificuldade de sustentar o lugar que ocupa e de responder, corrida após corrida, ao entusiasmo gerado em redor do seu nome.

Em Lisboa, sentiu que o conseguiu.

Morante reduz tudo ao essencial: tourear

No final da breve conversa, foi-lhe pedido que definisse o toureio de Morante numa única palavra.

A resposta não passou pela arte, pelo génio ou pelo sentimento. O espanhol escolheu a palavra mais simples e, ao mesmo tempo, aquela que encerra tudo aquilo que procura fazer diante de um touro.

«Aquilo que tento fazer é tourear, não é? Nem mais nem menos do que tourear. É evidente que o estilo, a personalidade e o sentimento estão ligados a tudo isso, mas, acima de tudo, tourear.»

Morante não procurou explicar a noite através de conceitos grandiosos. Também não tentou acrescentar palavras ao que já tinha deixado na arena.

Depois das verónicas, das chicuelinas, das bandarilhas e das séries com a muleta, o matador resumiu o seu conceito ao verbo que dá sentido a toda a sua carreira. Tourear.

Foi isso que Morante de la Puebla sentiu ter feito no Campo Pequeno. Lisboa reconheceu-o e abriu-lhe a Porta Grande.

Leia também: Morante abriu a Porta Grande numa noite em que o Campo Pequeno voltou a acreditar no impossível

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