‘Big Brother Verão’: Pedro é expulso, João Ventura emociona na Curva da Vida e Boris nomeia Nuno, na gala de ontem.
A gala do ‘Big Brother Verão’ deste domingo, 19 de julho, mudou o rumo da competição e terminou com Pedro fora da casa.
O concorrente recebeu apenas 11% dos votos para salvar e tornou-se o quarto expulso desta edição. Joaquim, com 44%, garantiu a permanência no programa.
Contudo, a noite conduzida por Maria Botelho Moniz ficou também marcada pela Curva da Vida de João Ventura. O ator revisitou uma infância marcada pelo bullying, a descoberta da sexualidade e as mortes da mãe e do irmão.
Entretanto, uma Caixa de Pandora colocou Boris perante uma escolha dolorosa. O concorrente entregou uma imunidade a Joana, mas teve de nomear diretamente Nuno, a quem considera um irmão.
Pedro é o quarto expulso do ‘Big Brother Verão’
Joaquim, Nuno, Pedro, Raquel e Sara começaram a gala em risco de abandonar a casa mais vigiada do país.
Ao longo da emissão, Raquel foi a primeira concorrente salva pelo público. Nuno recebeu depois a confirmação de que também continuava no jogo.
Sara garantiu o terceiro lugar na votação, com 45% dos votos para salvar.
A decisão final ficou, assim, entre Joaquim e Pedro. No encerramento das linhas telefónicas, Joaquim alcançou 44%, enquanto Pedro não foi além dos 11%.
Com o resultado, Pedro abandonou o ‘Big Brother Verão’ e tornou-se o quarto concorrente expulso pelo público.
João Ventura recorda infância numa casa com cinco irmãos
Um dos momentos centrais da gala pertenceu a João Ventura, de 42 anos. Natural de Guimarães, o concorrente é ator e professor de teatro.
Nascido a 19 de abril de 1984, João é o terceiro de cinco irmãos. Durante a infância, a família viveu num apartamento T2, onde a agitação fazia parte do quotidiano, com “uns entravam a sair”.
Como o pai “trabalhar no mar”, passava longos períodos afastado de casa. Por isso, existiam fases em que a “mãe era a figura que estava sempre connosco”.
A mudança para Guimarães, quando tinha seis anos, trouxe dificuldades de adaptação. João não encontrou imediatamente o seu lugar na nova escola e começou a sentir-se “um bocado posto de lado”.
Bullying começou ainda durante a infância
A forma de falar e os gestos de João Ventura tornaram-se motivo de perseguição entre os colegas.
“Não me conseguia adaptar, sentia-me posto de lado. Depois aí começou o bullying também. Estavam sempre a dizer que eu tinha gestos femininos e que era maric*s. Estavam a dizer que eu era gay sem eu saber o que era ser gay”, recordou.
Na altura, ainda não compreendia o significado das palavras utilizadas contra si. Além disso, sentia que não existiam adultos capazes de o proteger.
Um dos episódios mais difíceis aconteceu depois de uma colega o insultar por brincar sobretudo com raparigas.
“Lembro-me de ter uma miúda que estava a dizer que eu era maric*s porque brincava com as meninas. Uma professora ouviu isto, quis levar-me à sala da outra rapariga e mostrar o meu órgão sexual para mostrar que eu era um rapaz”, relatou.
João Ventura aprendeu a enfrentar os problemas sozinho
A experiência contribuiu para que João se fechasse e evitasse partilhar aquilo que sentia.
“Nunca senti que tivesse grandes escolhas. Tive que sempre habituar-me a lidar com as coisas sozinho”, desabafou.
O concorrente explicou ainda que “nunca teve grandes colos” e que, dentro de casa, preferia guardar silêncio.
“Em casa não queria dizer, não queria causar problemas aos meus pais, ser o peso de ser diferente”, contou.
Mais tarde, percebeu que essa tentativa de não preocupar a família lhe trouxe “outros pesos” durante a construção da identidade.
Ainda assim, as festas escolares começaram a mostrar-lhe que existia um lugar onde conseguia destacar-se.
“No momento em que era preciso apresentar uma festa da escola, os meus talentos vinham ao de cima e então era a minha maneira de dizer, eu existo e posso existir”, afirmou.
Teatro tornou-se um espaço seguro aos 15 anos
Aos 15 anos, João Ventura entrou num grupo de teatro semiprofissional. Pela primeira vez, encontrou pessoas que “não me julgava por eu ser quem era”.
A arte passou a funcionar como refúgio, sobretudo durante os períodos de maior fragilidade emocional.
No ano seguinte, uma nova mudança de escola voltou a desestabilizá-lo. Durante uma aula de Filosofia, decidiu que “nunca mais ia pôr os pés naquela escola”.
João atravessou então uma fase “muito depressiva”. Não tinha vontade de estar em casa, sair com amigos ou realizar as tarefas habituais.
O teatro continuava a ser a única razão para se levantar. Fazia-o quando tinha “um texto de teatro para decorar ou porque tinha um ensaio”.
“Aos 18 anos percebi que não tinha mal nenhum ser gay”
Aos 18 anos, João começou finalmente a aceitar a própria sexualidade.
“Aos 18 anos percebi que não tinha mal nenhum ser gay”, contou.
O concorrente percebeu também que já tinha maturidade para deixar de esconder aquilo que sentia.
“Finalmente tiveste alguma maturidade para perceber que não podia continuar a mentir-me a mim mesmo”, recordou.
Quando contou à mãe, a reação inicial foi a possibilidade de “se calhar é só uma fase”.
Nos anos seguintes, João estreou-se no teatro profissional e apaixonou-se, pela primeira vez, por um rapaz.
Separação dos pais deixou irmãos entregues a si próprios
A vida familiar sofreu uma nova transformação quando os pais se separaram e a mãe se mudou para Lisboa.
“Foi duro porque eles chatearam-se e depois nós acabámos por ficar um bocadinho, os irmãos, um bocadinho sozinhos e com o peso dos mais velhos terem que tomar conta dos mais novos”, explicou.
João e os irmãos mais velhos assumiram responsabilidades que não correspondiam às respetivas idades.
“Eu, com os meus irmãos mais novos, que eles são meus irmãos, mas era como se fossem meus filhos também”, afirmou.
Segundo o concorrente, essa responsabilidade precoce acabou por influenciar a adolescência e os padrões de relacionamento construídos pelos irmãos.
Em 2009, os pais reataram a relação. João descreveu esse reencontro como um “momento bonito de família”.
Finalmente, sentiu que poderia “descansar, ir para a universidade, fazer a minha vida. Já me podia focar em mim”.
Lisboa representou liberdade e confiança
João Ventura regressou depois a Lisboa, cidade que associa a uma sensação “de liberdade”.
Entrou numa escola de teatro e começou a desafiar as próprias inseguranças.
“Voltei-me a pôr à prova, ganhei confiança”, recordou.
Todavia, a estabilidade familiar voltou a ser interrompida em 2012. A mãe começou a sofrer ataques de pânico e a ter dificuldades em dormir.
Os exames revelaram um diagnóstico devastador.
“Em 2012 a minha mãe começou a ter ataques de pânico e a dormir à noite e descobriram que a mãe tinha um cancro, nível quatro, já estava super avançado. Não havia grande coisa a fazer”, relatou.
A doença encontrava-se já numa fase muito avançada e restavam apenas cuidados paliativos.
Morte da mãe deixou João num estado “catatónico”
A mãe de João Ventura morreu em outubro de 2014.
Embora soubesse que o desfecho poderia acontecer, o concorrente reconheceu que não existiu preparação possível.
“Já devia estar à espera. Mas na verdade, no dia que soube que ela tinha morrido, era como se não houvesse preparação nenhuma. Porque ninguém te prepara para a morte da tua mãe”, confessou.
João entrou num estado “depressivo. Catatónico”. Não sabia onde estava nem conseguia reconhecer a pessoa em que se tinha transformado.
Ao mesmo tempo, continuava preocupado com os irmãos mais novos.
Por isso, decidiu “cancelar toda a [sua] vida em Lisboa” e regressar a Guimarães. Atualmente, descreve essa escolha como um movimento “estratégico de sobrevivência”.
Madrid ajudou concorrente a reencontrar-se
Com o apoio do pai, João Ventura mudou-se para Madrid e prosseguiu os estudos.
A cidade espanhola tornou-se essencial na recuperação após a morte da mãe.
“Tenho muito, muito carinho por aquela cidade porque me deu muita energia quando eu mais precisava. Voltei a reencontrar-me”, revelou.
João começou a desenvolver “projetos em espanhol” e sentia que estava lentamente a reconstruir a vida.
No entanto, uma nova tragédia abalou a família em julho de 2016.
Enquanto estava em Portugal para realizar uma audição, recebeu uma chamada de um dos irmãos. Francisco tinha morrido aos 27 anos.
“Ter perdido o meu irmão foi quase amputar uma parte de mim”
A morte do irmão provocou uma dor diferente daquela que João tinha sentido com a perda da mãe.
“Se eu, a minha mãe, consigo arranjar alguma lógica. Ter perdido o meu irmão foi quase – foi quase amputar uma parte de mim”, desabafou.
Francisco acompanhava reality shows e teria, segundo João, ficado feliz por vê-lo participar no ‘Big Brother Verão’.
“Por um lado fico triste ele não estar aqui, ele não poder estar a ver em casa. Por outro lado, acho que aqui há alguma justiça divina de eu agora estar aqui. E também uma parte de mim acha que também é por ele”, afirmou.
Depois da nova perda, João regressou a Portugal “sem estrutura, sem energia e sem forças”.
O concorrente reconheceu que “estas coisas todas me destruíram um bocado a minha autoestima”.
Terapia ajudou João Ventura a reconstruir-se
A terapia tornou-se decisiva para conseguir “reconstruir-me finalmente”.
Apesar das “muitas coisas escuras” que atravessou, João passou a acreditar que “tu também tens direito a viver coisas com luz e bonitas”.
Atualmente, sente que está num “momento de mudança”.
“Sinto mesmo que estou no momento de mudança da minha vida”, declarou.
Segundo João, tudo começou a transformar-se desde que “entrei pela porta daquela casa”.
A palavra escolhida para resumir a experiência no ‘Big Brother Verão’ foi “renascimento”.
Vanessa fica magoada com acusação de Nuno
Além da Curva da Vida, a gala ficou marcada por vários confrontos relacionados com estratégias e alianças.
Vanessa foi questionada sobre a proximidade a João Ventura. Na casa, surgiu a teoria de que a concorrente se juntou ao ator para deixar de estar na sombra de Tatiana.
“Já ouvi várias teorias acerca de mim e do João”, começou por dizer.
A acusação que mais a incomodou foi feita por Nuno. Vanessa mostrou dificuldade em compreender como alguém que convive consigo desde o início pode acreditar nessa possibilidade.
“Eu fico triste, como é que é possível?”, questionou.
Depois, explicou o motivo da desilusão.
“Porque eu aguento ouvir isso de outras pessoas que não lidam comigo, mas o Nuno estar nesta casa desde o início comigo, a conhecer-me diariamente, bem ou mal vive comigo, e acho incrível como é que ele consegue ter esta ideia tão rebuscada disso”, afirmou.
Vanessa diz que amizade com João não é uma estratégia
A concorrente assegurou que está concentrada nas nomeações e na conquista de imunidades, mas não escolhe amizades apenas por interesse televisivo.
“Dou-me com quem tenho de dar”, sublinhou.
Vanessa destacou ainda a relação descontraída que mantém com João Ventura.
“O João é uma pessoa que eu adoro passar tempo, fartamo-nos de rir”, explicou.
Apesar de admirar Nuno pela sua história de vida, mostrou-se desiludida com a análise feita pelo colega.
Nuno respondeu que não estava a fazer um ataque pessoal à concorrente.
“Isto aqui não tem nada a ver com a amizade que eu tenho com a Vanessa, porque não é um ataque pessoal”, esclareceu.
Segundo o concorrente, a opinião tem por base “apenas no que eu vejo aqui no jogo”.
Nuno considera aproximação entre Vanessa e João “forçada”
Mais tarde, Maria Botelho Moniz voltou a questionar Nuno sobre a ligação entre os dois concorrentes.
“Sempre achei que foi uma relação assim forçada”, admitiu.
Na sua opinião, João Ventura afastou-se de Tatiana para ganhar maior destaque no programa.
“O João deixou a Tatiana de lado para brilhar ainda mais, é notório, e juntou-se à Vanessa e até beneficiou a Vanessa porque sabe que o João vai aparecer em mais VTs e é por isso que vão aparecer em mais VTs e é um bom jogo da parte dela”, afirmou.
A leitura não foi bem recebida por Vanessa, que continuou a defender a autenticidade da amizade.
Tatiana termina aliança com Joana
A gala confirmou também o fim do compromisso assumido entre Tatiana e Joana durante a permanência na Casa da Avó.
“O comprometimento que nós assumimos na casa da avó, sim, foi quebrado”, confirmou Tatiana.
A concorrente garantiu, contudo, que a amizade pessoal não terminou.
“Mas eu conversei com ela, continuo a gostar dela na mesma, só que ela agora vai seguir sem a tal dita proteção que, tanto que o Boris, como ele mencionou, nós tínhamos uns pelos outros”, acrescentou.
Joana recebeu a decisão com tranquilidade e revelou que já tinha sido informada.
“Sim, já sabia. Tatiana comunicou-me, não gostou da minha atitude e está tudo bem com isso”, contou.
Segundo Joana, Tatiana explicou-lhe que “a nossa aliança tinha sido quebrada, já não consegue confiar em mim, a vida que segue”.
João Ventura critica aproximação de Tatiana a Sara e Joaquim
João Ventura também analisou a nova dinâmica de Tatiana dentro da casa.
O concorrente mostrou-se preocupado com aquilo que considera ser um permanente “modo jogo”.
“Eu gosto muito da Tatiana e estou a conhecê-la como qualquer outro jogador”, começou por dizer.
Contudo, acredita que a proximidade a Sara e Joaquim poderá não beneficiar a colega.
“E o que eu senti é que sim, que esta ligação que a Tatiana estabeleceu com o Joaquim, com a Sara, não vai ser benéfica para ela”, afirmou.
João sentiu Tatiana “muito aguerrida, muito em batalha” e concluiu que Sara e Joaquim “não estão a trazer” o seu melhor lado.
Raquel sente trio unido contra si
Maria Botelho Moniz questionou Raquel sobre a possibilidade de Tatiana estar a influenciar Sara e Joaquim contra si.
A concorrente rejeitou que a responsabilidade pertencesse apenas a Tatiana.
“Não, acho que a opinião é dos três contra mim. Não só dela, mas dos três”, respondeu.
Raquel apontou as “conversinhas” mantidas pelo grupo e criticou a forma como os colegas atuam quando percebem que está emocionalmente fragilizada.
“Pessoas que me veem emocionalmente afetada e mesmo assim estão com palavra que é para jogo e tudo mais, em vez de apaziguar a situação, estão a indagar uma situação”, afirmou.
Afonso rejeita formar alianças nas primeiras semanas
A postura de Afonso também foi analisada durante a gala.
O concorrente explicou que não pretende comprometer-se com grupos numa fase tão inicial da competição.
“Na primeira semana fazer alianças é muito cedo”, afirmou.
Afonso lembrou que as relações e perceções podem mudar rapidamente dentro da casa.
“Aqui as coisas mudam de semana para semana e eu não queria estar associado a ninguém porque eu quero ir ao longo do jogo vendo os sentimentos que crio com as pessoas e isso pode mudar de semana para semana”, explicou.
O concorrente prefere “estar sem alianças com ninguém e seguir uma operação de semana para semana”.
“Temos pena, eu sou assim”
Maria Botelho Moniz alertou Afonso para o risco de uma posição demasiado neutra poder prejudicar a sua permanência.
O concorrente não mostrou intenção de alterar o comportamento.
“Temos pena, eu sou assim”, respondeu.
Para Afonso, não é necessário anunciar uma aliança para demonstrar lealdade.
“Não é por eu dizer que sou aliado de alguém que não o vou proteger, que não vou estar com ele quando ele mais precisa”, explicou.
O concorrente considera que as relações devem ser demonstradas através dos gestos.
“É uma questão de sentir mais do que dizer. É por isso que eu prefiro não dizer”, acrescentou.
Caixa de Pandora coloca Boris perante decisão difícil
Durante a gala, Boris foi identificado como o concorrente mais mencionado pelos colegas como aliado.
Por esse motivo, teve acesso a uma Caixa de Pandora. Tudo o que encontrasse deveria ser atribuído aos aliados Nuno, Afonso e Joana.
A caixa continha uma imunidade e uma nomeação direta.
Boris decidiu entregar a imunidade a Joana, respeitando uma promessa feita ainda na Casa da Avó.
A escolha da nomeação direta revelou-se muito mais dolorosa.
“Eu fiz uma promessa que, enquanto pudesse e tivesse capacidade, ia proteger a Joana e o Afonso – isto já foi desde o tempo em que estava com eles na Casa da Avó. Como eu sou uma pessoa de palavra, claro que não vou dar ao Afonso, mas o Nuno para mim é um irmão”, explicou.
Boris nomeia Nuno e fica em lágrimas
Sem poder escolher Joana ou Afonso, Boris acabou por entregar a nomeação direta a Nuno.
“Estou todo destruído por dentro, entregar a uma pessoa que considero que é um irmão para mim. Quero muito que ele fique cá dentro. Querem acabar comigo é fazer mesmo isso”, reagiu.
Quando regressou à casa, Boris colocou a medalha da nomeação direta em Nuno.
Os dois concorrentes abraçaram-se, enquanto Boris não conseguiu conter as lágrimas.
Desta forma, Nuno ficou automaticamente em risco de expulsão na próxima gala.
Miguel e Mariana Sá trocam beijos e abraços
Antes da gala, a manhã de domingo ficou marcada por um momento romântico entre Miguel e Mariana Sá.
Os dois concorrentes estiveram juntos na mesma cama e trocaram vários beijos e abraços.
A proximidade surge depois de ambos terem assumido que estão a desenvolver sentimentos dentro da casa.
Miguel e Mariana Sá já tinham esclarecido a natureza da ligação. Agora, voltaram a mostrar que a relação continua a ganhar espaço no ‘Big Brother Verão’.
