Benfica perde na Suíça e Marco Silva deixa aviso: “Isto não é suficiente”, afirmou o treinador encarnado.
O Benfica entrou oficialmente na temporada com uma derrota por 2-1 diante do St. Gallen, na primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa. A equipa encarnada chegou ao intervalo empatada, mas voltou a mostrar dificuldades defensivas e sofreu o segundo golo na sequência de uma bola parada.
Rafa marcou o único golo das águias, depois de uma assistência de Pavlidis. Contudo, os dois momentos de inspiração no ataque não esconderam uma exibição marcada pelas perdas de bola, decisões precipitadas e falta de controlo.
Na primeira reação após o encontro, Marco Silva não procurou desculpas na fase da pré-temporada nem nas limitações do plantel. O treinador reconheceu que o Benfica ficou muito aquém do nível necessário.
Marco Silva incomodado com a forma da derrota
Questionado pela Sport TV sobre o que falhou na Suíça, Marco Silva começou por apontar vários problemas na prestação da equipa.
O treinador mostrou-se especialmente desagradado com a incapacidade para controlar a bola e impedir as transições do St. Gallen.
“Falhou muita coisa, como é normal quando se perde. Não foi perder o jogo, foi a forma como perdemos. Não jogámos ao nível que podemos, independentemente das condicionantes e do momento da pré-temporada. Disse que isso não serviria de desculpa e não é hoje que vai servir. Não jogámos a um nível que temos de jogar para dominar jogos, com muitas perdas de bola, a querer fazer tudo a correr e sem pausas. O adversário criou-nos muitos problemas com bola e permitimos transições ao adversário a todo o momento, porque perdíamos a bola de forma muito fácil, não tomámos as decisões certas, daí que o jogo partiu. Permitimos transições ao adversário cada vez que perdíamos a bola, a reação à perda não teve o nível necessário, fisicamente não estamos ao nível de poder fazê-lo, por isso temos de cuidar e tratar melhor a bola para controlar melhor a bola. Não o fizemos. Sofremos golos inaceitáveis – a forma como perdemos a bola no primeiro e depois uma bola parada no segundo. Não tem nada a ver com a minha estreia, tem a ver com o Benfica, não foi a estreia que pretendíamos. Temos mais um jogo, temos de fazer a obrigação na Luz de dar a volta à eliminatória, é o que vamos fazer. Mas isto é um sinal de que há muita, muita coisa a melhorar.”
A mensagem foi clara: a condição física ainda está longe do ponto desejado, mas isso obrigava o Benfica a ser mais criterioso com a bola. A equipa fez precisamente o contrário e deixou o encontro partir-se demasiadas vezes.
Pressão suíça condicionou saída do Benfica
O St. Gallen apresentou-se num sistema com três defesas, que se alterava consoante os momentos do encontro. Durante a primeira parte, os suíços pressionaram alto e criaram dificuldades constantes à primeira fase de construção encarnada.
O Benfica sabia que encontraria uma equipa com referências individuais em praticamente todo o campo. Ainda assim, raramente conseguiu trocar posições ou encontrar os passes necessários para ultrapassar essa pressão.
Marco Silva reconheceu que o plano estava identificado, mas faltou qualidade na execução.
“Sim, sabíamos que o adversário fazia marcação individual praticamente em todo o campo. Nesse momento precisamos de ter capacidade de trocar de posições, de fazermos passes entre nós para abrir o jogo. Sabíamos que cada vez que quebrássemos a primeira zona de pressão, a bola chegaria ao último terço ofensivo. Fizemos poucas vezes, a qualidade individual também tem de chegar ao último terço para criar situações claras. Foram poucas para o que precisamos. Com melhores decisões deveríamos ter criado mais ocasiões.”
A circulação apressada facilitou a tarefa da equipa da casa. Sempre que recuperava a bola, o St. Gallen encontrava espaço para atacar uma estrutura encarnada pouco equilibrada.
Trubin evitou males maiores na primeira parte
Os primeiros 15 minutos deixaram o Benfica em dificuldades. A equipa de Marco Silva não conseguia instalar-se no meio-campo adversário e perdia muitas das segundas bolas.
Pavlidis procurou recuar para dar linhas de passe, mas o avançado ficou várias vezes obrigado a assumir movimentos que deveriam partir dos médios mais ofensivos.
Além disso, o St. Gallen identificou duas fragilidades e insistiu nelas: a saída de bola desde Trubin e o jogo aéreo defensivo.
Aos 37 minutos, os suíços criaram duas oportunidades consecutivas. Witzig desperdiçou a primeira, mas Baldé aproveitou uma perda de Bah e colocou a equipa da casa em vantagem.
Pouco depois, Trubin impediu o segundo golo. A intervenção manteve o Benfica dentro do encontro e permitiu que Rafa empatasse ainda antes do intervalo, após uma assistência de Pavlidis.
O 1-1 era favorável às águias perante aquilo que tinha acontecido durante grande parte da primeira metade.
Rafa e Pavlidis disfarçaram falta de ideias
O Benfica encontrou o empate num dos poucos momentos em que conseguiu ligar o jogo com clareza no último terço.
Pavlidis voltou a mostrar disponibilidade para participar na construção e serviu Rafa, que finalizou a jogada. A ligação entre os dois representou uma das raras situações em que os encarnados conseguiram desmontar a organização suíça.
Rafa foi a principal fonte de imprevisibilidade da equipa. Contudo, os seus movimentos não chegaram para compensar uma noite em que Sudakov alternou momentos de qualidade com perdas perigosas.
Kaminski também ainda revelou dificuldades de enquadramento no modelo. Já Miguel Figueiredo apresentou-se a um nível positivo, embora tenha perdido influência com o passar dos minutos.
Segunda parte melhor não evitou novo golo
Depois do intervalo, o Benfica teve mais bola e conseguiu empurrar o St. Gallen para uma zona mais baixa do terreno.
A equipa suíça já não apresentou a mesma capacidade física para pressionar e passou a defender de forma mais compacta. Esse recuo ofereceu maior controlo territorial às águias.
As substituições também permitiram ao Benfica aumentar a presença ofensiva. Sudakov esteve perto de marcar num remate de fora da área, mas Zigi respondeu com uma intervenção decisiva.
Tiago Gouveia teve igualmente uma oportunidade, mas não conseguiu finalizar com precisão.
Quando o empate parecia estar a ser aceite pelo St. Gallen, uma bola parada voltou a expor as dificuldades defensivas do Benfica. Tom Gaal aproveitou a situação e marcou o golo que decidiu o encontro.
Lenglet deixou indicações positivas no centro da defesa, mas faltou uma voz de comando numa zona onde a ausência de Nicolás Otamendi foi sentida.
Treinador recusa usar limitações como desculpa
Marco Silva reconheceu que ainda existem jogadores por integrar, outros em período de descanso e posições que poderão receber reforços.
Porém, o treinador recusou transformar essas circunstâncias numa explicação para a exibição.
Questionado sobre aquilo que poderia garantir para os próximos encontros, voltou a assumir que o nível apresentado não chega para as exigências do clube.
“Isto não é suficiente. Temos de melhorar muito. Foi abaixo do nível. Sou experiente o suficiente para percebermos que hoje não iríamos ver ao nível que vai ter de estar, mas isso não serve de desculpa e temos de melhorar mesmo com os jogadores que foram utilizados hoje, com as poucas soluções que tínhamos ou não teríamos de fazer muito melhor.”
Mais do que a derrota, foi a falta de consistência que deixou o treinador preocupado. O Benfica mostrou dificuldades para pausar o jogo, proteger a posse e reagir quando perdia a bola.
Luz recebe jogo decisivo para o futuro europeu
A segunda mão realiza-se na quinta-feira, 30 de julho, no Estádio da Luz. O Benfica entra em campo obrigado a recuperar da desvantagem para avançar à terceira pré-eliminatória da Liga Europa.
A qualificação permitirá apagar grande parte da má imagem deixada na Suíça. Uma eliminação, pelo contrário, representaria um golpe pesado logo no início do projeto de Marco Silva.
O treinador terá mais alguns jogadores disponíveis, mas a resposta terá de surgir com as soluções existentes. O Benfica não pode esperar pela versão futura do plantel para resolver uma eliminatória que já está em curso.
Na Luz, haverá pouco espaço para experiências ou justificações. Depois do aviso deixado por Marco Silva, a obrigação passa por melhorar o jogo e dar a volta ao resultado.
Fotografia: Sport Lisboa e Benfica
