Marco Silva aponta falhas do Benfica, explica Miguel Figueiredo e afasta Durán do próximo jogo

Marco Silva aponta falhas do Benfica, explica Miguel Figueiredo e afasta Durán do próximo jogo, precisando de mais tempo.

Marco Silva não escondeu a insatisfação depois da derrota do Benfica por 2-1 frente ao St. Gallen. Na conferência de imprensa, o treinador voltou a destacar as dificuldades da equipa com bola e a incapacidade para controlar o ritmo do encontro.

Além da análise ao jogo, o técnico explicou a utilização de Miguel Figueiredo, abordou a situação de António Silva e admitiu que Durán dificilmente estará disponível para a segunda mão.

Sudakov ficou condicionado pelas marcações

O treinador considerou que os problemas do Benfica resultaram de uma combinação de fatores físicos e táticos. Ainda assim, afastou a ideia de uma quebra geral de concentração.

Marco Silva apontou o segundo golo suíço como uma exceção, devido à forma como os encarnados defenderam a bola parada.

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“Foi um misto, não me parece que tenha sido uma questão de concentração. De concentração podemos falar na forma como sofremos o segundo golo, a forma como sofremos um golo de bola parada, nisso podemos falar de concentração aliada ao cansaço. Não fomos suficientemente bons com bola para podermos explorar, depois de batermos a primeira pressão do adversário. Sudakov jogou sempre muito de costas. Tentámos dar muitos toques na bola, a bola é que tinha de andar mais e nós corrermos menos com bola. Foi isso que aconteceu, tínhamos de ter capacidade para ficarmos com bola, pausar o jogo e tentarmos levar a bola para o meio-campo ofensivo. Permitimos transições ao adversário, o jogo esteve sempre partido.”

A pressão individual do St. Gallen obrigou vários jogadores do Benfica a receberem de costas para a baliza. Sudakov foi um dos mais afetados, sem conseguir dar continuidade a muitas das jogadas ofensivas.

Benfica quis fazer tudo demasiado depressa

Marco Silva reconheceu também alguma falta de critério na posse de bola. O treinador considerou que a equipa tentou acelerar em momentos nos quais precisava de conservar a posse e fazer o adversário correr.

“Independentemente da qualidade que está lá e o favoristimo, teríamos de jogar muito melhor do que jogámos hoje. Com bola concordo que em alguns momentos houve alguma displicência, a querer fazer tudo a correr, poucos momentos com bola. Intensidade? Sabíamos que não íamos estar perfeitos hoje, temos quatro semanas, não há grandes milagres. Sentiu-se isso na reação à perda, não fomos uma equipa de reação rápida para ganhar no último terço. Dois aspetos: a nossa exibição, isso é claro, não jogámos ao nível que devemos independemente das condicionantes, não jogámos suficientemente bem. A outra questão é a intensidade, cometemos alguns erros, faltou-nos arrastar jogadores. Das poucas vezes que chegámos ao último terço… temos de ter mais calma a decidir, não fazer tudo a correr. O adversário tem mais dias de preparação, não serve de desculpa. Temos de melhorar muito.”

Apesar de reconhecer a diferença na preparação física entre as duas equipas, o técnico voltou a recusar esse argumento como justificação para a derrota.

Miguel Figueiredo foi utilizado como número oito

Miguel Figueiredo foi uma das principais novidades no onze inicial do Benfica. O jogador formado no Seixal atuou ao lado de Manu no meio-campo.

Marco Silva explicou que o jovem tem sido trabalhado como médio interior e não como elemento mais recuado do setor.

“Percebo a questão, pode ser um 6 ou um 8. Temos vindo a trabalhar com ele como 8, a jogar como segundo médio, não o temos trabalhado como 6 sozinho. Com impedimento do Leandro havia duas decisões a tomar: a vossa análise não era dificil devido às soluções. Ou era jogar com dois jogadores com as mesmas caraterísticas, optámos por não o fazer tendo em conta o que tinha sido a nossa preparação. Optámos por meter um jogador que pudesse usar o triângulo do lado direito. A decisão teve que ver com as suas caraterísticas.”

A escolha permitiu a Miguel Figueiredo estrear-se pela equipa principal com 17 anos, 11 meses e 22 dias. O jovem ficou, assim, entre os jogadores mais novos de sempre a representar o Benfica.

Durán deverá falhar a segunda mão

O treinador foi também questionado sobre os jogadores que poderão ganhar maior disponibilidade até ao próximo encontro.

Embora Dedic e Araújo tenham mais alguns dias de trabalho pela frente, Durán deverá continuar fora das opções na segunda mão.

“Em relação ao António acho que já respondi, não vou estar a fazer mais comentários. Enquanto não me for dito que não é jogador do Benfica, toda a preparação é como jogador do Benfica. Durante a semana ninguém me disse para ter qualquer tipo de cuidado. Se ontem vos disse uma coisa, hoje não vou estar a alterar porque a exibição foi de um nível que não deveria ter sido e o resultado foi muito mau para nós. Falou dos jogadores que vão ter mais dias connosco, estiveram aqui por serem importantes para o grupo, é óbvio que vão ter mais tempo até ao jogo. Durán? Dificilmente vai estar no próximo jogo, precisa de mais tempo para trabalhar com a equipa, para ter a condição física necessária para estar ao nível que tem de estar para nos poder ajudar.”

Marco Silva pretende integrar os jogadores de forma gradual, evitando utilizar elementos que ainda não apresentem a condição necessária.

António Silva continua a ser tratado como jogador do Benfica

A situação de António Silva voltou a ser abordada na conferência de imprensa. Contudo, Marco Silva recusou prolongar o tema.

Enquanto não receber uma indicação diferente por parte da estrutura do clube, o treinador continuará a preparar o defesa como qualquer outro elemento do plantel.

A derrota na Suíça não alterou a posição anteriormente assumida pelo técnico sobre o internacional português.

Adeptos contestaram equipa no final

Depois do apito final, os jogadores do Benfica dirigiram-se ao setor onde se encontravam os adeptos encarnados.

A equipa foi recebida com protestos, num momento acompanhado de perto por Marco Silva. O treinador considerou normal que os seguidores manifestassem desagrado perante a exibição.

“Não uso as conversas convosco para dar recados, muitas vezes falo analisando o jogo e depois a minha mensagem é quase sempre para os adeptos. Algumas coisas podem ser subentendidas de outra forma e isso eu não controlo, não preciso de dar recados com as conversas convosco. Não venho aqui para andar a dar recados. Contestação? Normal, não foi a estreia que queríamos, os adeptos esperavam mais. Esta pressão de estarmos a este nível não pode ter só o lado bom. Quando não se joga ao nivel que tem de se jogar, há a reação. Estive lá com os jogadores, há momentos em que temos de ouvir. Acho normal, faz parte da grandeza do clube.”

Para Marco Silva, representar o Benfica implica aceitar tanto o apoio como a exigência dos adeptos.

Marco Silva alerta para novas surpresas

O treinador deixou ainda um aviso para a segunda mão. Caso o Benfica repita o nível apresentado na Suíça, a qualificação poderá ficar seriamente comprometida.

“Impacto é o resultado de hoje. Tem de ter impacto. Se formos jogar ao nível que jogámos hoje sabemos que nos podem esperar surpresas desagradáveis. Temos de melhorar como equipa, na forma como vamos ser capazes de tirar jogadores da frente. O jogo em alguns momentos colocou-nos em termos individuais algumas questões em que não respondemos à altura. Temos de melhorar muito. Esta semana tem de chegar se queremos passar. Depois da exibição de hoje não esperem de mim que seja negativo e diga que uma semana não vai chegar para que na proxima quinta sejamos melhores.”

Apesar da dureza da análise, Marco Silva mostrou-se confiante numa resposta diferente no Estádio da Luz.

O Benfica terá de recuperar de uma desvantagem de um golo, apresentar maior qualidade na circulação e impedir que o encontro volte a ficar partido.

Fotografia: Sport Lisboa e Benfica

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