Sérgio Rossi fala do impacto das acusações: “Senti-me muito julgado e muito excomungado”, afirmou o cantor.
Sérgio Rossi afirmou que houve comissões de festas que questionaram a sua contratação depois das acusações de violência doméstica feitas pela ex-companheira, Ana Rita. Embora diga que a agenda de concertos não sofreu grandes alterações, o cantor descreveu dois anos de desgaste pessoal e psicológico numa entrevista em direto ao «V+ Fama», esta terça-feira, 29 de setembro.
A conversa com Adriano Silva Martins aconteceu depois de, segundo o artista, o Ministério Público ter arquivado a queixa de Ana Rita contra si e dado seguimento à que apresentou contra a ex-companheira. O cantor revelou também uma queixa por injúrias à qual a sua defesa irá responder.
Dúvidas de contratantes e acompanhamento psicológico
Sérgio Rossi disse que as referências ao processo acompanhavam até notícias sobre o seu trabalho musical.
“De toda a forma, quando eu via notícias minhas, havia sempre alguém que vinha dar uma bicada e que vinha falar. E isto acaba por ser uma coisa muito grave, porque é gravíssimo. Alguém levantou uma acusação de violência doméstica sobre a minha pessoa, que foi agora arquivada, e isto tudo tornou-me, difamou-me.”
O cantor afirmou que o público continuou a acompanhá-lo nos espetáculos, mas admitiu consequências na relação com alguns organizadores.
“Sim, houve difamação, houve comissões de festas que puseram em dúvida se queriam realmente um artista, porque de facto a minha agenda não sofreu grandes alterações, felizmente, e o público ficou comigo nos concertos e tenho conseguido ter enchentes e tenho tido enchentes diárias.”
Sobre o impacto pessoal, acrescentou: “Mas que isto beliscou muito o meu psicológico, beliscou muito a minha vida pessoal, beliscou muito a minha integridade. Beliscou muito a minha dignidade, beliscou. E isso o meu advogado está a estudar neste momento.”
Durante a entrevista, revelou ter recorrido a acompanhamento psicológico com uma profissional especializada em violência doméstica.
A chamada do advogado sobre o arquivamento
O artista contou que recebeu a notícia através do advogado, Ricardo Serrano, no dia anterior à entrevista.
“Senti-me muito julgado e muito excomungado, e mais do que julgado, acusado. Senti-me acusado. E para mim foi ontem, quando o meu advogado me telefonou a dizer que o Ministério Público tinha arquivado a queixa da Ana Rita de violência doméstica contra mim, ou seja, o Ministério Público decidiu não me acusar e não seguir com a queixa para tribunal, mas seguir com a queixa que eu fiz contra ela.”
Rossi associou esse desenvolvimento à possibilidade de recuperar a imagem pública.
“Dado tudo isto, todo este escrutínio que foi feito à volta da minha imagem, qualquer assunto que saía de um single novo iam buscar o assunto da violência doméstica. E para mim, neste momento, o que aconteceu e que o Ministério Público decretou sobre as duas queixas acabou por ser algo que foi devolver-me a minha dignidade, verdade e devolver a minha imagem pública a quem acreditou sempre em mim desde o início.”
Acrescentou: “Lamento que as coisas tenham corrido desta forma, lamento que o final de um relacionamento tenha sido desta forma, mas não fui eu quem empurrei as coisas para este campo.”
O arquivamento relatado pelo cantor não corresponde a uma decisão que dê como provadas as acusações que faz contra Ana Rita, cuja responsabilidade terá de ser apreciada no respetivo processo.
Exames médicos em Espanha para evitar exposição
Na entrevista, Sérgio Rossi apresentou-se como vítima de violência doméstica e explicou que procurou manter discrição durante a recolha de elementos para a sua queixa.
“Ou seja, o que prova que os homens, no meu caso específico, não quero dizer que, não quero generalizar, que os homens também podem ser vítimas de violência doméstica.”
O cantor recordou a deslocação a uma clínica fora de Portugal.
“Embora eu sempre quisesse ser discreto neste processo, eu lembro-me quando fui, quando o meu advogado me pediu para ir fazer exames médicos, eu fui à Espanha, a uma clínica privada, já para não ser questionado. Aqui em Portugal e para ser sempre discreto na forma como estava a proceder em relação à minha companheira, neste caso minha ex-companheira.”
Sobre a evolução do conflito, afirmou: “Não queria que as coisas tomassem estes rumos, não queria que tomassem estas direções. Ela agiu de uma forma muito intempestiva, talvez maliciosa, em relação à minha pessoa. E eu deixei o Ricardo Serrano, o meu advogado, a seguir as diretrizes. Seguir as diretrizes dele, sim.”
Contacto cortado e uma nova relação
Questionado sobre uma eventual aproximação para resolver o conflito, o músico disse ter tentado encontrar uma solução, mas apontou dificuldades decorrentes da investigação.
“Não sei até que ponto é que não seria possível, não sei até que ponto é que não seria possível. Mesmo assim eu tentei resolvê-lo, mas pronto, sim, sendo processos públicos, estavam sob investigação do Ministério Público, não era assim tão fácil, não era assim tão fácil.”
Atualmente, afirmou não manter contacto com Ana Rita e estar noutra relação há mais de um ano e meio.
“Nós cortámos completamente o contacto, até porque já há mais de um ano e meio que eu tenho um relacionamento e eu vivo muito bem com o meu relacionamento e estamos muito felizes.”
Rossi explicou o afastamento com a interpretação que fez das trocas de mensagens entre ambos.
“Na altura cortei completamente o contacto porque comecei a sentir que havia alguma malícia e havia alguma forma de tentativa de manipulação. E por isso mesmo já não era, já não era, já não seria um relacionamento depois de tudo aquilo que se passou. Já seria algo que não estava a acontecer de forma natural, certo?”
Acrescentou: “Eu comecei a sentir, enquanto eu enviava mensagens normais para a Ana Rita, ela respondia-me com mensagens de visualização única. Ou seja, ela sempre esteve de forma maliciosa, digamos assim. Não estava como eu, que estive de forma honesta, de forma tranquila.”
Queixa por injúrias será contestada
O cantor revelou que o advogado está a avaliar os próximos passos, incluindo a resposta à queixa por injúrias apresentada pela ex-companheira.
“Eu recebi uma queixa de injúrias também da Ana Rita, que é um crime particular contra mim”, afirmou, garantindo que a defesa irá responder.
Sobre a sua posição, declarou: “Vou, claro que sim, claro que sim, vou sempre defender a minha inocência até ao fim, como fiz com o crime de violência doméstica que acabou por ser arquivado.”
Rossi admitiu ainda que sentiu vergonha numa fase inicial e que espera que falar publicamente possa ajudar outros homens a denunciar situações de violência.
“Olha, eu sinto, eu a início senti-me envergonhado, honestamente senti-me envergonhado e nunca pensei que ela quisesse seguir estes caminhos. Se estou a quebrar um tabu, se calhar posso estar a quebrar um tabu também na parte dos homens terem a coragem de assumir que foram que foram alvos de violência doméstica. De assumir que aconteceu e que também acontece ao contrário e que nem sempre as mulheres são as vítimas.”
Marta Aragão Pinto destaca peso do julgamento público
Depois da entrevista, o painel do «V+ Fama» analisou as declarações. Marta Aragão Pinto centrou a sua intervenção no desgaste que considerou visível no cantor.
“Isto é muito complicado porque nós vimos aqui um Sérgio massacrado por uma condenação pública. Independentemente dos processos estarem a seguir para tribunal, eles extrapolam depois para fora e a opinião pública condena as pessoas. O Sérgio aqui abre o coração e diz que durante estes dois anos sentiu precisamente isso, (…) que a nível psicológico foram dois anos de massacre.”
A comentadora considerou que o desenvolvimento processual lhe poderá permitir recuperar parte do que sente ter perdido.
“Isto já é uma questão de honra. É uma questão de limpar o nome, é uma questão de dignificar a sua pessoa. (…) Aliviado porque no fundo quem de direito arquivou um e deixou seguir outro, portanto isso dá-lhe aqui pelo menos algum alento para ele recuperar aquilo que ele vai conseguir do seu bom nome. Agora, estes dois anos de sofrimento já ninguém lhe tira.”
Cláudia Jacques apresenta a sua leitura dos episódios
Cláudia Jacques afirmou ter lido elementos sobre o caso e atribuiu a Ana Rita vários episódios de violência. A descrição foi apresentada pela comentadora, não como uma conclusão de julgamento.
“Ana Rita, mais do que uma vez, aquilo que eu li, pelo menos quatro vezes, foi violenta com o Sérgio Rossi. E ele aguentou essas violências até ao dia em que lhe agarrou num braço e lhe disse: ‘Isto acaba aqui’. Portanto, a única violência que o Sérgio fez foi defender-se e apenas lhe apertou um braço.”
A comentadora interpretou a atuação do cantor como defesa e acusou a ex-companheira de tentar prejudicá-lo.
“Ela foi extremamente manipuladora, foi muito manhosa e quis se vingar de alguma forma do Sérgio e danificar a imagem dele, não se importando com a dela, porque a dela aqui é que sai realmente mal.”
António Leal e Silva critica consequências da exposição
António Leal e Silva abordou o risco de uma acusação produzir consequências públicas antes de existir uma decisão sobre os factos.
“Isto é duas faces da mesma moeda. Por um lado, é a violência doméstica, que é um crime hediondo e que deve ser combatido de todas as formas. O outro lado, qual é? É que em nome dessa violência doméstica se pode difamar, perseguir e prejudicar pessoas. (…) Criou-se uma lei que é muito ambígua. Qualquer pessoa pode chegar a uma esquadra e dizer que foi vítima de violência doméstica. E depois, até que prove e não prove, isso vem para a praça pública e ao fim dos tempos, mesmo quando a pessoa e os tribunais chegam à conclusão que não há provas, que é mentira e que não houve nada, o nome já lá está.”
A falta de prova e a demonstração de que uma denúncia é falsa são situações distintas, apesar de terem sido associadas pelo comentador na intervenção.
Leal e Silva insistiu no efeito duradouro do julgamento público: “Uma vez acusado, é acusado para a vida. Ponto. (…) Quando te chamam ladrão uma vez, é ladrão para a vida.”
Criticou ainda as “virgens ofendidas” que, na sua opinião, intervêm sem conhecer os casos, e elogiou Rossi: “Parabéns ao Sérgio por ter coragem, enquanto homem, de assumir que foi vítima de violência, porque a violência doméstica não é só contra as mulheres, também é contra os homens.”
