Paulo Caetano impactou no Redondo: três ferros curtos e uma lição de toureio, na encerrona do seu filho, João Moura Caetano.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Carlos Pedroso

Paulo Caetano parece ter encontrado, no toureio, a poção da eterna juventude. De cada vez que regressa à arena, deixa-nos a sensação de que a qualidade é ainda maior do que na última ocasião em que o vimos. Ontem, no Coliseu do Redondo, voltou a acontecer. Bastaram três ferros curtos para fazer da sua presença um dos grandes destaques da tarde.
João Moura Caetano, que enfrentava seis touros na sua encerrona, chamou o pai para partilhar a ferragem curta do quarto da ordem. O convite proporcionou um encontro de duas gerações na arena, mas foi sobretudo pelo toureio que ali se viu que esta lide mereceu lugar de destaque.

A dificuldade tornada simples
É absolutamente impressionante a forma como Paulo Caetano torna simples aquilo que, no toureio a cavalo, exige tanto. A maneira de lidar, de preparar cada entrada, de desenhar as sortes e de chegar à reunião tem uma clareza que permite apreciar todos os momentos da execução.
Os três ferros curtos foram extraordinariamente preparados. As sortes saíram limpas, estéticas, com reuniões precisas e remates de uma classe que prolongava a qualidade do que acabáramos de ver. Tudo tinha continuidade: a preparação encontrava sentido na entrada, a entrada na reunião e esta num remate executado com absoluta eloquência.

Paulo Caetano deu uma lição de cátedra sobre tourear a cavalo. Fê-lo com a souplesse e a elegância que tanta falta fazem nas arenas portuguesas, deixando que a qualidade da execução sustentasse cada momento da sua passagem pelo Redondo.
Irrepreensível.
O filho soube responder
João Moura Caetano inspirou-se no pai e respondeu com dois ferros curtos de boa qualidade, dando sequência a uma lide em que a partilha se traduziu também numa exigência artística.

Esse foi um dos méritos do encontro: o convite não se esgotou no significado de pai e filho dividirem a arena durante uma tarde tão particular no percurso de João. Teve expressão no toureio, na forma como o filho acompanhou a intervenção do pai e procurou responder-lhe.

A encerrona era de João Moura Caetano, mas o quarto touro reservou a Paulo Caetano um lugar entre os grandes destaques da tarde. Pela preparação, pelo desenho das sortes, pela limpeza das reuniões e pela elegância dos remates.
Três ferros curtos. E aquela sensação, outra vez, de que o tempo passa e Paulo Caetano toureia ainda melhor.

