Anne Carson vence Nobel da Literatura com uma obra que reinventa os clássicos, segundo foi agora anunciado.
A escritora canadiana foi distinguida pela ousadia e pela criação de novas formas literárias. Entre poesia, tradução, teatro e artes visuais, construiu um percurso que aproxima a tradição grega da experiência contemporânea.
A Academia Sueca atribuiu o Prémio Nobel da Literatura de 2026 a Anne Carson, reconhecendo uma obra que atravessa géneros e estabelece novas relações com os textos da Antiguidade. A autora canadiana, de 76 anos, é poeta, ensaísta, tradutora e professora de estudos clássicos.
Na fundamentação da escolha, a Academia destacou-a “pela sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
A notícia recebida na Islândia
Carson encontrava-se na Islândia quando soube da distinção. À emissora pública RUV, reagiu com humor: “Acho que todos eles são loucos… Bem, você sabe, é uma loucura.”
Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca, descreveu o contacto telefónico com a escritora:
“Ela teve tempo de me dizer que, no momento, está na Islândia, onde está a ouvir o vento.”
A responsável acrescentou: “Ela ficou surpreendida, mas muito feliz. Percebi isso pela voz dela.”
O prémio contempla 12 milhões de coroas suecas, aproximadamente 1,2 milhões de dólares.
Uma escrita que atravessa géneros
Nascida em Toronto, em 1950, Anne Carson lecionou estudos clássicos durante mais de três décadas. A literatura grega ocupa um lugar central no seu trabalho, que se estende da poesia à narrativa, da tradução à criação para palco.
Anders Olsson, presidente do comité do Nobel da Literatura, sublinhou essa liberdade formal:
“Esse método de escrita resulta em obras lúdicas e irónicas que transitam não apenas entre a poesia clássica e a moderna, mas também entre diferentes géneros e formas de arte.”
O responsável destacou ainda que “as suas colaborações com artistas visuais e coreógrafos, bem como com diretores de ópera e teatro, demonstram a liberdade com que ela se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras”.
De «Autobiography of Red» ao teatro
Entre os títulos mais conhecidos de Carson estão «The Glass Essay», «Autobiography of Red: A Novel in Verse», «Nox», «Float» e «The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos».
Em 2019, criou «Norma Jeane Baker of Troy», cruzando as figuras de Helena de Troia e Marilyn Monroe. Dois anos depois, voltou à tragédia grega com a novela gráfica «As Troianas: Uma História em Quadrinhos». A sua versão de «Electra», de Sófocles, chegou também aos palcos de Londres, com Brie Larson no papel principal.
Canadá celebra distinção
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, classificou a atribuição do Nobel como “um momento de orgulho para o Canadá”.
Na mensagem divulgada nas redes sociais, elogiou a “sagacidade, imaginação e um estilo inteiramente próprio” da autora, considerando que Carson “trouxe histórias antigas para novos públicos e transformou a maneira como pensamos sobre literatura”.
