Luís Miguel Pombeiro destaca importância do fim-de-semana da cultura tauromáquica em Idanha-a-Nova, amanhã e domingo.
O encerramento da temporada em Idanha-a-Nova terá uma corrida de touros como momento central, mas Luís Miguel Pombeiro quer que os dias 10 e 11 de outubro sejam também uma oportunidade para discutir o futuro da tauromaquia e mobilizar os aficionados. Entre demonstrações, um debate, fado e o regresso de Pedrito de Portugal às arenas, o empresário coloca a participação na consulta pública sobre património cultural imaterial entre as prioridades do encontro.
Em entrevista, Pombeiro explicou a contratação do matador, antecipou o programa e abordou o balanço do Campo Pequeno. Sobre a estrutura empresarial para 2027, não apresentou ainda uma decisão. Para já, a atenção está concentrada na Praça de Touros António Manzarra, que celebra 120 anos, e num encontro que pretende aproximar a prática tauromáquica da discussão cultural.
“Tem de ser tratado como uma figura do toureio”
A presença de Pedrito de Portugal é um dos principais motivos de interesse da corrida de domingo. Questionado sobre as negociações, Luís Miguel Pombeiro sublinhou que o ponto de partida foi o reconhecimento do estatuto do toureiro.
“O Pedrito é uma figura do toureio e tem de ser tratado como uma figura do toureio. Desde que o tratem como isso, é uma pessoa bastante acessível e compreende a realidade da tauromaquia portuguesa, a realidade de uma praça como Idanha”, afirmou.
O empresário mostrou confiança na capacidade de mobilização do matador, incluindo junto do público espanhol.
“Não é uma contratação de risco, porque com certeza vai muita gente ver o Pedrito, tanto de Espanha como de Portugal.”
Sobre as condições acertadas e a escolha dos touros, Pombeiro enquadrou as exigências no que considera habitual numa contratação desta natureza.
“Como qualquer figura. Gosta de ver os touros, gosta de ver a ganadaria, gosta de tudo. Portanto, é normal. Normalíssimo.”
O nome de Pedrito também entrou na conversa a propósito de uma eventual presença no Campo Pequeno. Pombeiro não fechou essa possibilidade: “Poderá vir a ser.” Quando a pergunta apontou para o próximo ano, respondeu apenas: “Nunca se sabe.”
Corrida dos 120 anos marcada para domingo
A corrida mista realiza-se no domingo, 11 de outubro, às 16h00, na Praça de Touros António Manzarra, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Idanha-a-Nova.
O cartel reúne os cavaleiros Andrés Romero e Joaquim Brito Paes, o matador Pedrito de Portugal e os grupos de forcados amadores de Alter do Chão e Redondo.
Estão anunciados seis touros: dois de José Luís Cochicho, dois de Mata-o-Demo, um de Santa Maria e um de António Brito Paes. A corrida integra as comemorações dos 120 anos da praça e encerra o programa do Encontro da Cultura Tauromáquica.
Os bilhetes têm preços a partir de 20 euros e estão disponíveis em www.ccsbilhetica.pt. No dia da corrida, a bilheteira da praça abre às 10h00.
Demonstrações, debate e fado preenchem o sábado
O encontro começa no sábado, 10 de outubro, às 10h00, na Praça de Touros, com treino e demonstração de pegas com vacas pelos grupos de forcados amadores de Alter do Chão e Redondo.
Às 14h00, o programa prossegue no mesmo espaço com uma demonstração de toureio a pé, através de toureio de salão, e uma demonstração de toureio com a lide de uma novilha.
O Centro Cultural Raiano recebe, às 17h00, o debate “Tauromaquia – Património Imaterial Cultural”, moderado por António Gaspar Moreira. Estão anunciadas as participações de Luís Capucha, Rogério Jóia, Luís Filipe Cochicho, Diogo Amaro, Paulo Tomé, João Soares e Vítor Proença.
À noite, pelas 21h30, o mesmo espaço acolhe uma sessão de fados, anunciada como uma noite de aulas a anunciar os fadistas e músicos. O programa de sábado tem entrada livre.
No domingo, antes da corrida, está previsto um passeio a cavalo às 10h00.
Consulta pública dá atualidade ao encontro
Pombeiro explicou que o tema patrimonial já estava escolhido quando surgiu a consulta pública, dando uma dimensão adicional à iniciativa.
“Montei há um mês o encontro, a ideia, em que o tema é tauromaquia, património cultural imaterial”, recordou. “A ideia é que ao fim de semana se vai discutir isso, vai-se fazer a demonstração de pegas, a demonstração de toureio a pé, vai haver conferências, vai haver fado, porque o fado também é património imaterial, já não só de Portugal, mas da humanidade.”
A consulta pública para a inscrição da “Corrida de Toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi anunciada em Diário da República a 2 de outubro. O Património Cultural, I. P., indica 13 de novembro como prazo para a participação dos interessados. Património Cultural, Instituto Público
É neste processo que o empresário quer ver os aficionados envolvidos. Pombeiro manifestou receio de que a participação dos opositores à tauromaquia se sobreponha à dos seus defensores, referindo possíveis “emails falsos” e “emails estrangeiros”.
Organização disponibiliza computador para participar
Questionado sobre a importância da presença dos aficionados em Idanha-a-Nova, Luís Miguel Pombeiro respondeu: “Eu penso que sim.”
O empresário disse ter conhecimento de dois hotéis esgotados e mostrou expectativa de uma boa adesão ao fim de semana. A organização pretende ainda facilitar a participação de quem tenha dificuldades no acesso digital.
“Vamos lá ter um computador para quem não souber enviar emails, ou quem não tiver emails, exatamente aceder e poder votar a favor do património cultural imaterial”, anunciou.
Apesar de Pombeiro utilizar a expressão “votar”, o procedimento consiste numa consulta pública para apresentação de observações, e não numa votação. Os contributos podem ser enviados para inpci@patrimoniocultural.gov.pt, estando também prevista a participação por correio registado. DR
Campo Pequeno: balanço artístico positivo, contas por fechar
A entrevista passou também pela temporada do Campo Pequeno. Luís Miguel Pombeiro distinguiu o balanço artístico da avaliação financeira, que ainda não quis concluir.
“Ainda não quero fazer, porque ainda não tenho as contas fechadas”, explicou.
No plano artístico, a apreciação foi favorável, embora tenha identificado uma corrida que ficou aquém das expectativas.
“É um balanço positivo em termos artísticos, excetuando a corrida de 21 de agosto, lamentavelmente. Uma ganadaria de grande categoria, às vezes acontece, não saíram como a ganadeira estava à espera ou como todos esperavam”, afirmou.
“Foi a única mancha, digamos assim. Felizmente, depois a ganadaria de Brito Pais deu outra ênfase ao final da temporada.”
Sobre a continuidade da atual estrutura empresarial no Campo Pequeno em 2027, a resposta permaneceu em aberto: “Ainda não sei, como disse, ainda não sei.”
Antes dessas decisões, Pombeiro concentra-se em Idanha-a-Nova e na participação que espera reunir em torno do encontro: “É o momento de nós dizermos sim ao património cultural imaterial.”

