Uma fotografia tirada durante uma ida ao concerto de Anastacia levou Zé Manel a partilhar uma reflexão sobre o desconforto que sente em público. No Facebook, o músico falou da dificuldade de lidar com a atenção dos outros e das convenções que marcam as relações sociais.
“Vim ver a @anastaciamusic e de repente sou apanhado pela minha @joanavgomes num perfeito retrato de como eu sou num contexto social”, escreveu, identificando a autora da imagem.
A fotografia serviu de ponto de partida para um desabafo: “A verdade é que hoje em dia me sinto profundamente desconfortável em qualquer contexto público que não o palco ou a música.”
Zé Manel fala sobre o desconforto entre multidões
Na publicação, o músico relacionou esse sentimento com o seu percurso pessoal e espiritual. Explicou que passou a ter menos tolerância para comportamentos que considera artificiais e para regras sociais nas quais não se reconhece.
Zé Manel trouxe também para o texto uma observação da mãe, que interpreta essa mudança de outra forma. “A minha Mãe diz que perdi a educação que me deu”, contou. Já o músico entende que descobriu quem é, aquilo que valoriza e o que considera importante.
Essa distância em relação às convenções reflete-se na forma como vive os momentos em público. “Então acabo sempre por procurar dissociar e disfarçar a evidente solidão que sinto por entre multidões”, confessou.
“Não é falta de amor próprio”
O desconforto estende-se à sensação de estar a ser observado, sobretudo quando não pretende esconder o cansaço, a tensão ou a insegurança.
Na mesma publicação, Zé Manel descreveu o constrangimento de se sentir “profundamente observado e escrutinado”. Esclareceu, porém, que não associa esse sentimento à ausência de autoestima.
“Não é falta de amor próprio, é sim achar que para estarmos no centro do foco, temos que lhe acrescentar”, explicou.
Apesar de reconhecer a fragilidade como uma forma de força, o músico defendeu a importância de encontrar estímulos para crescer. Terminou deixando uma pergunta sobre o esforço que cada pessoa coloca na própria vida: “Estamos todos a fazer o melhor que sabemos e podemos. Ou não?”
