Leonor Seixas fala de amor no trabalho com a mesma frontalidade que, em 2017, lhe valeu um dia sem a mãe lhe dirigir a palavra. No «The Leite Show», Flávio Furtado conseguiu uma resposta imediata da atriz. Os pormenores, esses, ficaram com ela.
“Já fizeste amor no trabalho?”, perguntou o apresentador, na terceira emissão da nova temporada do podcast. “Claro”, respondeu Leonor Seixas, antes de confirmar com um “Já” e dar o assunto por encerrado.
Houve uma ocasião em que a mãe teria preferido que a atriz também fosse mais contida. Em 2017, uma resposta sobre depilação íntima no «5 Para a Meia-Noite» deixou-a um dia inteiro sem falar à filha. Ao recordar o episódio com Flávio Furtado, Leonor admitiu que hoje percebe o reparo.
“Já recuperou. Disse-me: ‘Não podes falar assim em televisão, não é bonito, podes dizer asneiras, mas com elegância, a maneira como falaste não é só o que se diz’. Eu até acho que ela teve um bocadinho de razão, mas já está feito.”
A opinião da mãe continua a ter um peso particular para Leonor, que fala com ela diariamente. “A minha mãe vive na casa dela, mas somos muito unidas e eu falo com ela todos os dias, é uma pessoa em quem eu confio muito, que eu respeito muito e a quem eu devo tudo.”
O que mudou depois dos 40
Quando Flávio Furtado quis saber se continua tão frontal como no início da carreira, Leonor distinguiu aquilo que sente da forma que escolhe para o dizer.
“Eu acho que sempre fui muito impulsiva, que foi uma coisa que eu sempre gostei e não gostei ao mesmo tempo. Por um lado acho que é bonito porque é genuíno e é verdadeiro e estou a dizer o que sinto. Acho é que quando era mais nova era um bocadinho espevitada e acho que se pode dizer as coisas, mas acho que se deve sempre dizer de uma maneira amorosa, que a minha maturidade me foi ensinando um bocadinho mais.”
A atriz reconhece também uma diferença na forma como se recebe uma declaração em televisão. “Acho que quando comecei não tinha tanto essa barreira, acho que era mais o que era. Agora, de facto, começas a ser tantas vezes julgado, ou tens cuidado, ou até às vezes por bem, mas a pessoa tem sempre alguma opinião para dar acerca de tudo.”
Da sua parte, a idade trouxe-lhe tranquilidade. “A partir dos 40 eu acho que isto é tudo melhor. Eu, pelo menos, sou muito mais calma, muito mais tranquila, portanto se calhar penso um bocadinho mais, mas não porque tenho medo, penso porque penso.”
A crítica de Leonor Seixas ao julgamento em Portugal
Questionada sobre as opiniões dos outros, Leonor alargou a conversa ao meio artístico português, onde se cruza frequentemente com as mesmas pessoas.
“Estou um bocadinho nas tintas. Agora, acho que também temos a parte toda das redes sociais que é intensa e, mesmo sem internet e sem Instagram, temos as opiniões uns dos outros. Isto é um meio pequeno, nós todos nos conhecemos, equipas, toda a gente, todos os canais, e há um julgamento diário porque também vivemos num país que, e lamento se estou a ofender alguém, custa-me dizer isto, mas acho que é um país que é um bocadinho infeliz. Acho que é um país que está a passar muitas dificuldades e muitos desafios.”
Na leitura da atriz, a facilidade com que se comenta a vida alheia também diz alguma coisa sobre quem o faz. “Somos um país que não tem amor próprio, somos um país que não vai para a rua para puxar o que é melhor por nós. Acho que há esse julgamento porque as pessoas gostam sempre de falar umas das outras para não olharem para elas próprias. Não interessa, se ela quis dizer aquilo deixa estar, desde que obviamente seja com amor. Eu acho que quando vens falar de uma maneira agressiva e chata, também não me apetece.”
No seu caso, foram precisos anos até se sentir confortável a dizer qual era a sua profissão. “Estou numa fase onde não me interessa o que é que dizem e o que é que pensam. Eu sei o que sou, sei que tenho muito orgulho em mim como mulher, tenho muito orgulho do que estou a construir, confio muito em mim como atriz, demorei anos a dizer que era atriz porque tinha alguma dificuldade, sabe-se lá porquê, e agora estou numa fase de muito amor próprio, de muita estabilidade emocional acima de tudo.”
