Acampadas: organização denuncia sete feridos graves no Porto, PSP aponta 11 feridos nas duas cidades

O número de feridos nas intervenções policiais contra as acampadas pela habitação continua a separar a PSP dos organizadores dos protestos. Após a madrugada deste domingo, 25 de outubro, a polícia contabilizou 11 feridos em Lisboa e no Porto, enquanto o movimento portuense apontou, só naquela cidade, para 37, classificando sete como graves. Esta classificação foi avançada pela organização, sem confirmação hospitalar nas informações consultadas.

Fotografia: Diogo Nora

As operações no Rossio e na Praça D. João I resultaram também em 31 detenções por desobediência: 25 em Lisboa e seis no Porto, segundo a PSP. As autoridades avançaram depois de sucessivos avisos para a retirada das tendas, que os manifestantes decidiram manter.

PSP atualiza balanço e identifica três polícias feridos

Num balanço divulgado pelas 05h45, a PSP indicou ter conhecimento de cinco feridos em Lisboa e seis no Porto. No conjunto das duas cidades, estavam contabilizados três polícias e oito manifestantes.

Os dados atualizaram uma primeira informação policial, que apontava para sete feridos. Trata-se de um balanço provisório da PSP, distinto das contagens apresentadas pelos movimentos.

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Segundo a polícia, as Polícias Municipais removeram e apreenderam 171 estruturas de acampamento, das quais 117 em Lisboa e 54 no Porto. Na cidade do Porto, a PSP referiu ainda a apreensão de um petardo na posse de um detido, três latas de tinta, que indicou ter sido arremessada contra os agentes, e uma embalagem de gás pimenta.

Organizações denunciam violência e apresentam números superiores

A Acampada do Porto começou por comunicar 37 feridos ligeiros e cinco pessoas ainda a receber assistência, cujo estado desconhecia. Num balanço posterior, passou a indicar 37 feridos, sete dos quais classificados pela organização como graves.

Em Lisboa, o movimento denunciou uma atuação desproporcionada e afirmou que mais de 20 pessoas deram entrada no Hospital de São José, acrescentando que outras dezenas receberam assistência no local.

A organização lisboeta alegou também que manifestantes foram perseguidos pelas ruas da Baixa com recurso a cães e balas de borracha, acusando a operação de provocar pânico. Estas denúncias correspondem à versão do movimento e não constituem, por si só, confirmação independente dos meios utilizados ou do número de pessoas hospitalizadas.

As diferenças entre os balanços exigem ainda esclarecimento sobre os momentos das contagens, os critérios utilizados e a avaliação clínica dos feridos.

“Mais de duas horas de tentativa de diálogo”

Em declarações à SIC, o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, justificou a intervenção com o incumprimento das ordens transmitidas aos participantes.

“Foram mais de duas horas de tentativa de diálogo, de esforço no âmbito da sensibilização e da mediação, que não foi acatado por parte dos manifestantes, o que obrigou a uma intervenção mais coerciva, quer na Praça Dom João I, no Porto, quer na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa”, afirmou.

O responsável invocou ainda as restrições de horário e a instalação das tendas: “Há limites legais, nomeadamente a nível temporal, mas também as situações das estruturas de acampamento que não foram devidamente licenciadas.”

As intervenções começaram por volta das 02h00, depois de a polícia ter fixado as 00h30 como limite para a retirada das estruturas. No Rossio, a organização tinha contabilizado cerca de 130 tendas e aproximadamente 300 pessoas que pretendiam pernoitar na praça, após a manifestação de sábado.

Leia também: Protestos pela habitação: PSP retira tendas em Lisboa e no Porto e anuncia 31 detidos

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