Alentejo em alerta: novo estudo revela números chocantes no consumo de álcool e drogas entre jovens

Alentejo em alerta: novo estudo revela números chocantes no consumo de álcool e drogas entre jovens, assinalou.

Alentejo lidera consumos juvenis e apresenta cenário “mais gravoso” do país

Um inquérito nacional realizado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) traçou um retrato preocupante do consumo de álcool, tabaco e drogas entre jovens portugueses. Os dados de 2024, que analisaram respostas de 11 083 alunos entre os 13 e os 18 anos, colocam o Alentejo como a região com a situação mais alarmante.

Segundo o estudo, 42,2% dos jovens alentejanos consumiram álcool nos últimos 30 dias, muito acima das percentagens registadas no Norte (26,9%), Lisboa (27,3%) e Algarve (28,4%). A Região Centro surge em segundo lugar, com 34,9%.

Além disso, o Alentejo apresenta também os valores mais elevados no consumo de álcool ao longo da vida: 68,8%, contra a média nacional de 58,1%.


Consumo “binge” e tabaco disparam na região

Os números tornam-se ainda mais graves quando analisado o consumo “binge”, ou seja, a ingestão rápida de grandes quantidades de álcool com o objetivo de embriaguez. 30,2% dos jovens alentejanos admitiram ter praticado este comportamento no último mês — quase o dobro da média nacional, situada em 16,9%.

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O tabaco segue a mesma tendência. A região apresenta 17,2% de consumo nos últimos 30 dias, mais do que o dobro dos 7,8% registados no Norte, e bem acima da média nacional de 10,4%.

Já no consumo de drogas ilícitas, dominado pela canábis, o Alentejo ultrapassou o Algarve. 5,2% dos jovens confessaram ter consumido no último mês, um ponto percentual acima dos algarvios.


“Provavelmente há maior permissividade”: ICAD pede estudos mais aprofundados

Para o investigador do ICAD, Vasco Calado, compreender este fenómeno exige análises mais específicas. “Para explicar esta maior prevalência de consumos no Alentejo é preciso fazer mais estudos qualitativos regionais”, afirmou.

Ainda assim, o especialista aponta um possível fator cultural: “Provavelmente há maior permissividade face ao álcool e tabaco na região.”


Estudo revela descida nacional — mas desigual

O inquérito é realizado desde 2003 e repete-se a cada quatro anos (cinco neste ciclo devido à pandemia). A nível nacional, houve uma descida significativa relativamente a 2019:

  • Consumo de álcool: -11 p.p.
  • Tabaco: -12 p.p.
  • Drogas ilícitas: -7 p.p.

Contudo, as diferenças entre regiões tornaram-se mais evidentes. “A heterogeneidade aumentou muito devido ao Alentejo”, reconheceu Vasco Calado.

Curiosamente, apesar dos consumos mais elevados, é também no Alentejo que o jogo eletrónico — tanto em dias de escola como em dias livres — apresenta a menor prevalência do país.


Jogo a dinheiro dispara entre jovens

Enquanto os restantes comportamentos aditivos diminuíram, o jogo a dinheiro registou um crescimento expressivo. Entre 2019 e 2024, a percentagem de jovens que jogaram por dinheiro nos últimos 12 meses subiu de 12,9% para 18,2%.

A subida foi transversal ao país, variando entre 4 p.p. no Norte e 11 p.p. nos Açores — região onde a prevalência praticamente triplicou.


Os números deixam um alerta claro: apesar dos progressos nacionais, o Alentejo enfrenta uma realidade distinta e preocupante, exigindo medidas específicas e respostas urgentes.

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