A história dos pais, que passaram grande parte da vida a pagar um apartamento, e a preocupação com as despesas depois do divórcio serviram de ponto de partida ao desabafo de Ana Garcia Martins sobre a habitação. Numa publicação no Instagram, este domingo, 25 de outubro, a influenciadora falou da sua independência financeira e do receio pelo futuro de quem não consegue suportar o custo de uma casa.
A mensagem foi acompanhada por uma fotografia de uma intervenção policial sobre uma manifestante, no contexto dos protestos pela habitação em Lisboa e no Porto.
A casa dos pais e uma preocupação que ficou
Ana Garcia Martins começou por recordar que o seu percurso familiar está longe da ideia de uma infância desafogada.
“Quem viu o ‘Insuficiente’, sabe um bocadinho mais da minha vida do que a larga maioria das pessoas. E sabe que estou longe de ter nascido em berço de ouro. Vivi a maior parte da minha infância em casas arrendadas, até os meus pais (ambos funcionários públicos, classe média mais baixa do que alta) terem decidido comprar. Um apartamento nos subúrbios custou-lhes, na altura, há mais de 30 anos, 4000 contos que levaram, praticamente, a vida inteira a pagar. Nunca nos faltou nada, mas vivíamos sem qualquer espécie de luxo, e sempre que conseguiam poupar alguma coisa, a prioridade era amortizar a casa. Isso ficou-me e também tenho essa obsessão, sobretudo depois do divórcio.”
A experiência dos pais acabou, assim, por influenciar a forma como gere as suas próprias despesas, sobretudo quando passou a assumir sozinha os encargos da casa.
“Não tive de ficar presa a um casamento”
No mesmo texto, Ana Garcia Martins reconheceu que a autonomia financeira lhe permitiu fazer escolhas pessoais, embora não encare a sua situação atual como uma garantia para toda a vida.
“Acho que nunca tinha pensado muito nesse tema até me ver sozinha e pensar ‘calma lá, que agora estás por tua conta e tens casa e escolas para pagar’. Felizmente, consigo fazê-lo. Não tive de ficar presa a um casamento, porque sou financeiramente independente. Mas não sei se será sempre assim.”
Essa incerteza explica a prioridade que dá à redução das dívidas e à preparação do futuro.
“Então tenho essa obsessão de amortizar a casa, de não ter dívidas, de não gastar mais do que posso, de ter o futuro minimamente precavido e de ainda me sobrar algum para as coisas que me dão prazer. Mas a larga, larguíssima, maioria das pessoas, não vive assim.”
Para ilustrar a distância que considera existir entre os rendimentos e o custo da habitação, a influenciadora apresentou os seguintes valores na publicação: “E eu juro que não sei como é que as pessoas chegam ao fim do mês, como é que conseguem viver com dignidade, num país onde o salário mínimo é de 920€ e o custo de uma renda moderada pode ir até aos 2300€.”
Um apelo para não perder “a coragem e a voz”
Na parte final da mensagem, Ana Garcia Martins associou as dificuldades de acesso à habitação à necessidade de continuar a protestar.
“Até há pouco tempo, era difícil viver no centro das grandes cidades, agora é impossível viver onde quer que seja. E nem se pode reclamar, querem-nos calados e mansos, porque assim parece que isto é tudo normal. Não é. E dá-me muita vergonha e medo do que nos espera. Enquanto nos vai faltando tudo o resto que, pelo menos, não percamos a coragem e a voz”, concluiu.
Veja a publicação AQUI.
