António José Seguro despede-se de Jorge Palma: «Todos habitámos o seu bairro do amor», afirmou no site da presidência.
António José Seguro juntou-se às muitas vozes que, desde a noite de segunda-feira, têm recordado Jorge Palma. Numa extensa mensagem publicada pela Presidência da República, o chefe de Estado evocou as canções, a escrita e a capacidade do músico para atravessar diferentes gerações, mas revelou também um encontro que já não chegou a acontecer.
“Portugal despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade”, escreveu o Presidente da República, acrescentando que as canções de Jorge Palma “marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações”.
Bairro do Amor, Na Terra dos Sonhos, Estrela do Mar, Deixa-me Rir, Frágil, Encosta-te a Mim, A Gente Vai Continuar e Dá-me Lume são alguns dos temas recuperados na mensagem de Belém para ilustrar aquilo que Seguro descreveu como um “lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero”.
Mais do que olhar apenas para o percurso individual de Jorge Palma, o Presidente destacou também as muitas colaborações que o músico foi construindo ao longo de cerca de cinco décadas de carreira.
“Para todos eles, trabalhar com Jorge Palma constituiu um momento raro e irrepetível das suas vidas”, pode ler-se na nota, onde é igualmente destacada a “rara versatilidade e ecletismo” do cantor, compositor e pianista.
«Todos nos sentimos frágeis»
É quando recupera o universo das próprias canções que a mensagem ganha um tom mais pessoal. Seguro escreve que Jorge Palma conseguiu deixar uma obra onde diferentes gerações acabaram por encontrar pedaços das próprias vidas.
“De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas.”
O Presidente recordou ainda que Jorge Palma tinha sido agraciado, em 2020, com a Ordem do Infante D. Henrique e descreveu o músico como herdeiro de tradições musicais e literárias distintas, capaz de imprimir uma identidade própria à música portuguesa.
“Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso”, escreveu.
Jorge Palma deveria ter estado recentemente em Belém
A nota da Presidência revela ainda uma circunstância até agora menos conhecida. Jorge Palma estava previsto no programa da recente Festa do Livro em Belém, realizada entre 17 e 20 de setembro, mas o estado de saúde acabou por impedir a sua participação.
“Infelizmente, já não pôde juntar-se a nós devido ao seu estado de saúde. Por isso são ainda mais intensos o choque e a tristeza vividos hoje, com a notícia da sua morte”, explicou António José Seguro.
A mensagem termina com condolências dirigidas aos filhos Vicente e Francisco, à mulher, Rita, aos restantes familiares e colaboradores e aos artistas que fizeram parte do percurso de Jorge Palma.
Antes, porém, o Presidente deixou uma última frase recorrendo, uma vez mais, às palavras do próprio músico: “É assim que o ouviremos até ao fim. A gente vai continuar.”
