António Manuel Ribeiro recorda Jorge Palma desde 1975: «Deixa-me chorar»

António Manuel Ribeiro recorda Jorge Palma desde 1975: «Deixa-me chorar», escreveu através das redes sociais.

António Manuel Ribeiro conhecia as canções de Jorge Palma antes de conhecer o homem. A memória levou o vocalista dos UHF até 1975, ao momento em que encontrou Uma Viagem na Palma da Mão, primeiro álbum de Palma, numa ida ao Apolo 70.

Na despedida publicada após a morte do músico, António Manuel Ribeiro começa por uma frase simples: “Deixa-me chorar.”

E logo a seguir explica que até imagina a reação do próprio Jorge Palma: “E já te estás a rir de mim, mas é a forma que encontro para te celebrar.”

A primeira recordação chega de uma Lisboa de há mais de 50 anos.

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“Um dia, andava eu a caminho do Apolo 70, vindo da faculdade de Direito, desci ao piso -1 e descobri o teu primeiro LP, ‘Uma Viagem na Palma da Mão’ (1975), e foi como uma ventania fresca em dia quente: em liberdade, eram palavras novas, outra musicalidade, uma voz segura. Era a diferença.”

António Manuel Ribeiro recorda ainda aquilo que, pouco depois, começou a descobrir sobre a forma como Jorge Palma vivia e fazia música.

“E depois li num artigo de imprensa que vinhas da Europa, que percorrias com uma guitarra tocando onde calhava, entravas no estúdio, gravavas 10 canções em poucas horas e regressavas à Europa: o disco que tomasse asas. E tomava conta da tua inquietação.”

Dos Coliseus aos UHF

Os caminhos dos dois músicos acabariam por se cruzar também em palco. Em 1992, Jorge Palma participou nos concertos dos UHF nos Coliseus de Lisboa e Porto.

“Cantámos em duo o teu ‘Frágil’, nos concertos dos UHF nos coliseus de Lisboa e Porto em 1992; tu escolheste o nosso ‘Gin Puro’, do álbum ‘Comédia Humana’.”

Entre tantas memórias, António Manuel Ribeiro escolheu também uma fotografia recente para acompanhar a despedida. A imagem foi registada quando ambos participaram numa gravação dedicada aos Xutos & Pontapés.

“Esta é a nossa última foto, quando fomos à Casinha dos Xutos gravar os parabéns à banda.”

O músico terminou sem escrever propriamente “adeus”. Preferiu regressar novamente à discografia de Jorge Palma e ao título do segundo álbum, editado em 1977.

“‘Té Já, como diz o título do teu segundo LP de 1977.”

Uma despedida construída com mais de cinco décadas de memória, desde a descoberta de um disco numa loja até aos palcos que os dois acabariam por partilhar.

Fotografia: Facebook de António Manuel Ribeiro

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