
Arruda dos Vinhos: Mau de mais para ser verdade, a primeira corrida da feira taurina e que marcou a estreia de Ferrera em Portugal, este ano.
A Praça de Touros de Arruda dos Vinhos recebeu, esta quinta-feira, a primeira corrida da sua feira taurina.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso
Frente a touros da ganadaria de Engenheiro Jorge de Carvalho, actuaram os cavaleiros Luís Rouxinol e João Moura Caetano, o matador António Ferrera e os Forcados de Lisboa e Arruda.
Um curro de touros absolutamente inenarrável no que à qualidade diz respeito. Mansos, sem qualquer possibilidade de triunfo para os toureiros, valendo-se, pela positiva, apenas a apresentação. Não se aproveitou um único touro, dos seis que saíram à praça.
Antes da corrida, foi prestada homenagem a António Ferrera, destacando o facto do toureiro ter vindo em condições financeiras pouco benéficas e com o intuito maior de elevar o toureiro a pé em Portugal. Foi ainda prestada homenagem a João Moura Caetano, pelos 15 anos de alternativa. Foram entregues lembranças pelo presidente da autarquia local e pelo empresário Luís Miguel Pombeiro.
[Best_Wordpress_Gallery id=”1785″ gal_title=”Arruda dos Vinhos- 14 de Agosto- 2021- Cortesias”]Luís Rouxinol brindou a sua lide a António Ferrera. Uma actuação fácil de descrever. Um touro que apenas investia no capote, com sinais de manso perante a montada, e que obrigou o cavaleiro de Pegões a uma lide laboriosa e experiente mas sem brilho. Destaca-se pela positiva o primeiro ferro curto, cravado numa reunião cingida.
Nuno Santos, pelos forcados amadores de Lisboa, concretizou a pega à quarta tentativa.
João Moura Caetano enfrentou um touro ligeiramente melhor que o primeiro, mas sem grande qualidade também. O cavaleiro alentejano esteve artístico na brega e com acerto na escolha de terrenos, pecando no momento das reuniões, com algumas a resultarem pouco ortodoxas.
Nuno Miguel, pelos Amadores de Arruda dos Vinhos, pegou à primeira tentativa, com o touro a ensarilhar até à reunião, mas com o forcado a saber aguentar a investida e fechando bem, em conjunto com o grupo.
O terceiro touro da corrida coube ao matador António Ferrera. Bem, Ferrera no capote, por verónicas, destaque para João Ferreira e Filipe Gravito nas bandarilhas (dois excelentes pares), culminando a lide Ferrera sem grandes opções na muleta, com um touro que pouco humilhava e que levantava a cara no momento em que investia. Não permitiu repetição nem sequência ao matador. Poucas ou nenhumas hipóteses para Ferrera brilhar perante este primeiro touro.
[Best_Wordpress_Gallery id=”1786″ gal_title=”Arruda dos Vinhos- 12 de Agosto- 2021- 1″]Luís Rouxinol enfrentou, na sua segunda actuação, um touro que voltou a complicar o trabalho do ginete. O cavaleiro foi obrigado a porfiar muito para conseguiu levar a bom porto a actuação. Uma actuação mais baseada na raça, na brega e na resiliência do que no brilho. Dois curtos apenas de boa nota foram o que de melhor se viu na sua atuação.
Nuno Fitas, pelos forcados amadores de Lisboa, concretizou a pega ao primeiro intento, após boa reunião e aguentando um derrote do touro. Bem o grupo a fechar.
João Moura Caetano elevou a fasquia da actuação no segundo touro, comparativamente ao primeiro, contudo sem romper. João Moura Caetano voltou a destacar-se por uma boa brega, contudo as reuniões nem sempre foram ajustados, abrindo demasiado quarteio. Pela positiva, o primeiro curto, o de melhor nota nesta actuação.
Pedro Belbute, pelos Amadores de Arruda dos Vinhos, concretizou à terceira tentativa. Destacar que na segunda tentativa, um forcado saiu em estado grave e de maca, após levar forte derrote do touro.
António Ferrera esteve muito curto no tércio de capote, provocando assobios na bancada. Os bandarilheiros portugueses João Ferreira e Filipe Gravito cravaram dois pares, cada, de enorme qualidade. Ambos ‘desmonteraram-se‘, para serem aplaudidos. Na muleta, perante touro sem grandes opções, encurtou a faena e acabou assobiado.
Sem ovos não se fazem omeletas e neste caso, sem touros não houve possibilidade de sequer alguém brilhar (excepto os bandarilheiros João Ferreira e Filipe Gravito). Os toureiros saíram insatisfeitos, o público também e calcula-se que o ganadeiro também.
[Best_Wordpress_Gallery id=”1787″ gal_title=”Arruda dos Vinhos- 12 de Agosto- 2021- 2″]Esta corrida concorre para pior da temporada, devido a um curro de touros verdadeiramente lastimoso.
Deixo ainda uma nota ao público. Habituado a comer sardinha, decidiu assobiar o Caviar (Ferrera), esquecendo que os ingredientes (Touros) eram de má qualidade. Esta mania portuguesa de viver em modo Variações (Estou bem aonde eu não estou) torna-se incompreensível.
A corrida foi bem dirigida por Ana Pimenta, assessorada por José Luís Cruz. Nuno Massano foi o cornetim deste espectáculo.
Arruda dos Vinhos: Mau de mais para ser verdade, em termos de espectáculo, contou ainda assim com uma excelente moldura humana.
Destacar que a empresa Ovação e Palmas disponibilizou a realização de testes à COVID-19, a quem necessitasse.
Contudo, a questão de ser necessária a apresentação de teste negativo à COVID-19 ou certificado digital acabou por atrasar o início da corrida de touros, em aproximadamente 20/25 minutos.






