Carlos Félix fala da música e da representação: “Ouvir antes de fazer”

Carlos Félix fala da música e da representação: “Ouvir antes de fazer”, afirmou o artista em entrevista.

Em entrevista à Esquire, o ator e músico explicou como o canto, a guitarra e o teatro influenciam a construção das suas personagens. Recordou também a estreia televisiva aos 11 anos, em “Uma Canção para Ti”.

Para Carlos Félix, construir uma personagem exige atenção ao que é dito, mas também ao que fica por dizer. Em entrevista à Esquire, o ator e músico nascido em Coimbra falou sobre a relação entre as suas diferentes áreas de formação e a importância de escutar antes de agir.

Com um percurso que passou pelo Teatrão e pelo Conservatório de Música, onde estudou canto e guitarra clássica, Carlos Félix encontra na aprendizagem musical ferramentas que transporta para a representação.

O que acontece entre duas notas

Ao explicar a influência da música no seu trabalho, o intérprete destacou o valor dos intervalos e dos silêncios:

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“Acho que o ensinamento principal que tenho trazido do meu percurso é ouvir antes de fazer. Aquilo que acontece entre duas notas é tão importante quanto as notas em si.”

Essa atenção estende-se à leitura de uma personagem e àquilo que o texto não revela de forma explícita.

“Às vezes o que uma personagem não diz interessa-me mais do que aquilo que está escrito, precisamente porque é isso que a diferencia”, afirmou à Esquire.

Dar existência física a uma personagem

O teatro acrescentou a esse processo uma consciência do corpo e da relação com os outros intérpretes:

“O teatro obriga-nos a perceber que pensar uma personagem não chega. Temos de encontrar uma maneira física de ela existir. Uma personagem constrói-se também na relação com quem está à nossa frente.”

A escolha entre música e representação nunca foi definitiva. Carlos Félix reconheceu que a dúvida o ajudou a manter ambas presentes no seu percurso:

“Nunca foi claro, houve sempre muitas dúvidas e acho que ainda bem porque me manteve sempre nas duas áreas.”

Embora a música tenha sido a primeira paixão e a porta de entrada para o meio artístico, a representação foi ganhando espaço no seu trabalho.

A voz da mãe e da avó como primeiras referências

Na entrevista, Carlos Félix recordou a mãe a cantar durante a sua infância e a presença da voz da avó materna nos encontros familiares.

“Acho que foi aí que percebi pela primeira vez que alguém pode transformar uma sala através da voz. Sempre me incentivaram a ir.”

Essas memórias antecederam a estreia na televisão, que aconteceu aos 11 anos, em “Uma Canção para Ti”.

A liberdade da primeira experiência televisiva

Ao olhar para essa participação, o artista recordou sobretudo a forma espontânea como viveu o programa, sem a preocupação com a dimensão da exposição:

“Para mim estar ali não era estar em televisão e ter uma audiência. Era ser uma criança que gostava de cantar, conhecer pessoas, fazer amigos. Às vezes gostava de conseguir recuperar um bocadinho daquele miúdo. Não a ingenuidade, mas a liberdade.”

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