Carlos Moedas abre o coração sobre infância humilde, sacrifícios da família e a irmã que “nunca pediu nada”

Carlos Moedas abre o coração sobre infância humilde, sacrifícios da família e a irmã que “nunca pediu nada”, disse.

Apesar de liderar hoje a Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas nunca esqueceu as suas origens. Aos 54 anos, o autarca recordou com emoção a infância vivida em Beja, num ambiente de liberdade e amizade, e os sacrifícios que marcaram o seu percurso até à capital.

“Tinha uma infância incrível com os meus amigos, mas sempre soube que queria chegar mais longe”, revelou este sábado, numa entrevista emotiva a Daniel Oliveira, no programa Alta Definição, transmitido pela SIC.

Filho de um jornalista e de uma costureira, Moedas confessou que a ambição de ir além das fronteiras do Alentejo parecia, na altura, inalcançável. “As probabilidades de concretizar os meus sonhos eram zero ou muito próximas de zero”, afirmou. A sua mãe, apesar do amor incondicional, era mais contida nas expectativas: “Aquele era o nosso lugar, não se devia sequer ambicionar mais.”

Ainda assim, o desejo de quebrar essas barreiras foi mais forte. Quando partilhou com a mãe a intenção de estudar em Lisboa, foi confrontado com a dura realidade: “Ela disse-me: ‘Oh Carlos, eu não sei se vamos conseguir que tu vás para Lisboa’. E aquilo para mim foi como se me dissessem que os meus sonhos tinham morrido.”

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Mas o apoio acabou por chegar, e em força. A mãe, com esforço, ajudou a financiar os estudos. Já a irmã mais velha foi incansável. Trabalhava, estudava e fazia longas viagens entre o Barreiro e Lisboa, mas ainda assim encontrava forma de contribuir para o sonho do irmão.

“O dia em que consegui vir para Lisboa foi o dia mais feliz da minha vida. Atravessar o Tejo, chegar ao Terreiro do Paço, ver aquela cidade… para mim, vindo do Alentejo, foi como chegar a Nova Iorque.”

No entanto, a entrevista não se ficou apenas pelas vitórias. Carlos Moedas também abordou momentos de dor, como o cancro da irmã, diagnosticado aos 30 anos. “Ainda me lembro do dia em que me telefonou a dizer que tinha cancro. Foi como se me arrancassem o coração. Ela não merecia.”

Mais tarde, foi essa mesma irmã que o incentivou a não desistir de estudar no estrangeiro, quando o pai adoeceu. “Ela disse-me: ‘Vai, eu fico cá por ti’. E eu fui. Ela assegurou-me que aguentava tudo. Dizia-me que o nosso pai estava melhor, mesmo quando não estava, só para eu não desistir.”

Hoje, Moedas lamenta não passar mais tempo com ela, mas faz questão de destacar o seu valor: “Não estou com ela tanto quanto devia, mas sabe que pode sempre contar comigo. É a pessoa que mais me ajudou na vida e nunca me pediu nada.”

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