A presença de Carolina Deslandes na manifestação pela habitação, em Lisboa, ficou marcada por críticas ao Governo e palavras de reconhecimento aos manifestantes. Antes de cantar, na noite de quarta-feira, 28 de outubro, a artista defendeu que o protesto deve permanecer centrado no direito a uma casa.
Cantora critica Governo e rejeita desvio do debate
Numa intervenção registada em vídeos que circularam nas redes sociais, Carolina Deslandes acusou o Governo de recusar o diálogo com quem protesta.
“Um Governo que prefere a violência ao diálogo é um Governo falido, é um Governo corrompido, é um Governo que nos quer fazer acreditar, que nos consegue silenciar e que não quer qualquer tipo de conversa e qualquer tipo de solução”, afirmou.
A cantora criticou também a atenção dada à aparência dos participantes e às suas ligações políticas, considerando que esses assuntos desviam o debate.
“As manobras de distração continuam a acontecer. Querem fazer desta luta uma luta partidária, querem fazer desta luta uma luta sobre o que se veste nas manifestações, de que cor é o cabelo das pessoas que estão nas manifestações”, declarou.
“Estamos todos aqui a lutar pela mesma coisa”
Carolina Deslandes defendeu que a diversidade de quem participa não altera o objetivo comum da manifestação.
“Temos todos uma cara, que é a cara do povo, e estamos todos aqui a lutar pela mesma coisa. Todos a lutar por dignidade, por condições, por ter um teto. Não só por nós, mas pelas crianças, pelos idosos que estão a ser despejados para mais um hotel, para mais uma merda qualquer”, disse.
A artista dirigiu depois palavras de solidariedade a quem permaneceu nos protestos perante o avanço da polícia.
“Não sei o que é estar aqui e ver a polícia avançar e estar num cordão, e não andar para trás e olhar para a luta como a coisa mais importante. Não sei se teria a vossa coragem (…) Vocês fazem parte do lado da história que quero contar aos meus filhos. Muito obrigada por isso”, afirmou.
Música para dar alento aos manifestantes
A cantora confessou ficar “comovida” quando se junta às manifestações e apresentou a atuação como uma oportunidade de partilha.
“Vou cantar algumas canções (…) Divirtam-se, porque acho que nós também precisamos de estar juntos, de respirar, de cantar um bocadinho, cantar numa só voz. Se isto vos trouxe um pouco de alento, de paz, e lembrar que o amor também existe aqui”, concluiu, antes de cantar para os presentes.
