Caso Lara: madrasta confessa morte da menina de oito anos e será presente a juiz em Chaves

Caso Lara: madrasta confessa morte da menina de oito anos e será presente a juiz em Chaves, segundo foi revelado.

A morte de Lara, a menina de oito anos encontrada sem vida na Serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar, deixou o país em choque. A madrasta, Eulália Silva, de 48 anos, confessou à Polícia Judiciária de Vila Real que matou a enteada por asfixia.

Segundo a informação avançada na CMTV, a mulher terá cometido o crime para se vingar do companheiro, Carlos, após um desentendimento familiar. A suspeita acabou por indicar às autoridades o local onde tinha deixado o corpo da criança.

Entretanto, Eulália Silva está detida e deverá ser presente a juiz no Tribunal de Chaves esta sexta-feira, 19 de junho. A mulher está acusada dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Pai deu o alerta e apontou suspeitas à companheira

O desaparecimento de Lara foi comunicado pelo pai às autoridades. De acordo com os relatos conhecidos, foi também o pai que apontou a companheira como principal suspeita.

Na CMTV, o caso foi enquadrado como o culminar de uma relação marcada por instabilidade. O casal estaria junto há cerca de seis anos, com vários términos e reconciliações. Além disso, o pai de Lara terá terminado o casamento com a mãe da menina depois de se ter apaixonado por Eulália Silva.

Esse fim de relação terá tido consequências profundas para a mãe da criança. Francisco Manuel explicou que a guarda de Lara tinha sido retirada à mãe por decisão das autoridades competentes.

“A mãe da menina não tinha a guarda, porque lhe tinha sido retirada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), devido a problemas do foro psiquiátrico, nomeadamente várias depressões. As autoridades acharam por bem retirar-lhe a guarda da criança e entregá-la aos avós e ao pai”, contou o jornalista.

Desde que recebeu a notícia da morte da filha, a mãe ficou, segundo foi relatado, “em choque e muito mal”.

Mãe de Lara lutava para recuperar a guarda da filha

Também Tânia Laranjo avançou novos elementos sobre a mãe de Lara. Segundo a jornalista, a mulher tentava reconstruir a vida e recuperar a guarda da criança.

“A mãe lutava para ter a menina de volta. Saiu sem querer desta relação, ou seja, terá sido trocada por esta madrasta. Na sequência, terá passado por um período complicado do ponto de vista psicológico, que exigiu tratamentos. E agora queria seguir com a sua vida em paz e recuperar a guarda da filha. Estava a lutar na justiça justamente por isso, para ter novamente a sua filha consigo”, revelou.

Assim, a tragédia aconteceu num momento em que a mãe procurava voltar a ter Lara consigo. Esse dado acrescenta ainda mais dor a um caso que abalou a família e a comunidade.

Discussão familiar terá começado dias antes

O crime terá sido preparado desde domingo à noite, 14 de junho. Nessa noite, terá ocorrido um desentendimento envolvendo o filho de Eulália Silva, de 12 anos.

Segundo Tânia Laranjo, o rapaz está institucionalizado numa instituição em Bragança. Ainda assim, passava fins de semana em casa da mãe e do padrasto.

“O desentendimento foi com o filho de 12 anos, filho desta mulher, Eulália. O filho está institucionalizado, numa instituição em Bragança. É uma criança que apresenta problemas de violência, já terá inclusivamente batido nos avós por isso mesmo foi institucionalizado, mas ao fim de semana viria a casa da mãe e do padrasto. Terá sido no domingo à noite, Eulália já estava deitada quando o rapaz bateu-lhe, deu-lhe um estalo. O padrasto não gostou da atitude da criança e terá agarrado no braço com alguma força, terá chamado à atenção do rapaz, mas a mãe tomou partido do filho dizendo que o filho era sempre vítima, que ninguém gostava dele”, revelou a jornalista.

Após ser detida, Eulália terá dito às autoridades que não gostou de ver o companheiro dar “uma sapatada” ao filho dela. A mulher terá também afirmado que queria “vingar-se de Carlos”.

Lara foi retirada antes de entrar na escola

Na manhã de quarta-feira, 17 de junho, Lara ainda saiu de casa para ir para a escola. O pai, antes de ir trabalhar, terá dado o pequeno-almoço à filha.

Pouco depois, a menina entrou no autocarro escolar. Eulália Silva terá seguido atrás dela, de carro, até junto da escola.

Tânia Laranjo descreveu a sequência que antecedeu o crime.

“Ontem às 7h00 o pai foi trabalhar e ainda deu o pequeno-almoço à filha, à pequena Lara, e foi carregar um camião, ele que trabalha em obras. Quando saiu de casa, a menina estava a tomar o pequeno-almoço. A menina entrou no autocarro para ir para a escola e Eulália terá ido atrás dela de carro. Já na porta da escola diz ao vigilante que a menina tem uma consulta médica e que a tem de levar. Lara ainda terá hesitado, não queria entrar no carro da madrasta, a madrasta alicia-a dizendo que tem um lanchinho no carro, a menina entra e depois a história é confusa”, contou.

A partir daí, Lara já não regressou. Quando o pai percebeu que a filha não estava na escola, apresentou queixa pelo desaparecimento.

Escola afasta responsabilidade no caso

A escola frequentada por Lara também foi referida na análise feita pela CMTV. Segundo o repórter, tudo terá começado junto ao local onde a menina frequentava o terceiro ano.

“Tudo aponta para que o ponto de partida deste grande enredo tenha começado junto à escola onde Lara frequentava o terceiro ano”, afirmou.

Depois, acrescentou que Eulália terá usado uma falsa justificação para levar a criança.

“Nós estivemos lá e aquilo que a madrasta tentou fazer, tentou aliciar, tentou, de certa forma, tentou enganar a menina, foi dizendo que teria uma consulta médica e que por isso teria de vir com ela”, disse.

Ainda segundo o mesmo relato, a escola rejeita qualquer responsabilidade no sucedido.

“Escola descarta qualquer responsabilidade. Diz que se a madrasta trocou alguma conversa e tentou de certa forma converter alguém, foi alguém que seguia na carrinha escolar”, foi referido.

O repórter acrescentou ainda que Lara não chegou a “colocar um pé” dentro do recinto escolar. Por isso, a direção do agrupamento afastou responsabilidade no caso.

Corpo foi encontrado na Serra da Padrela

Eulália Silva foi detida durante a noite de quarta-feira. Contudo, só várias horas depois terá indicado à Polícia Judiciária o local onde estava o corpo da enteada.

A criança foi encontrada na Serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar. Segundo Tânia Laranjo, a suspeita começou por não assumir o homicídio.

“O que esta mulher conta é que leva Lara até à serra e que esteve a conversar com ela e passearam pela serra. Num primeiro momento disse que Lara desapareceu, ou seja, não assume o homicídio. Durante a noite, após várias vezes interrogada pela Polícia Judiciária acaba por revelar o local exato onde deixou o corpo. Diz depois que matou a menina por asfixia, usou a mão para tapar a boca da criança e usou a outra mão para lhe agarrar a nuca e ela não conseguisse resistir, deixou a menina morta e regressou a casa”, contou ainda a jornalista.

Depois de cometer o crime e esconder o corpo, Eulália voltou para casa, em Macedo de Cavaleiros. Mais tarde, acabou detida pela GNR e levada para o posto de Valpaços.

Confissão deixou investigadores chocados

Na CMTV, Tânia Laranjo revelou que a forma como Eulália descreveu o crime impressionou os investigadores.

“A forma quase tranquila como esta mulher confessa o crime à Polícia Judiciária é algo que chocou os investigadores que durante horas andaram com esta mulher no jogo do gato e do rato. Não queria contar onde estava Lara, andava claramente a enganá-los”, disse.

A jornalista explicou ainda que a indicação do local onde estava o corpo só terá surgido de madrugada.

“Por volta das cinco ou seis da manhã contou então onde estava o cadáver de Lara e os restos mortais desta criança foram resgatados”, acrescentou.

Depois, Tânia Laranjo relatou o que a suspeita terá descrito às autoridades.

“O que ela descreve é que tapa a boca da menina com uma mão e com a outra mão segura a nuca da menina para que a menina não conseguisse respirar”, afirmou.

E prosseguiu com outro detalhe da confissão.

“E depois diz ‘ela, de um momento para o outro, caiu e deixei-a ali’ (…) ela não sabia se a menina estava morta, se precisava de ajuda”, revelou.

Pai está devastado e família recebe apoio

A morte de Lara abalou profundamente a família. Segundo foi revelado na CMTV, o pai está devastado e já recebe apoio psicológico.

O repórter que esteve na localidade contou ainda que a menina se preparava para um momento especial.

“Ia fazer a comunhão na próxima semana. A avó comprou-lhe o vestido, a menina estava extasiada com o vestido, estava muito contente com aquele vestido de princesa”, disse.

A dor familiar foi também descrita em direto.

“A avó chora. A família está inconsolável. Está a passar por um momento muito complicado. Todos a precisarem muito de apoio”, acrescentou.

PJ confirma investigação e acusações

O caso está agora nas mãos da justiça. Na CMTV, Tânia Laranjo falou com David Martins, diretor da PJ de Vila Real, que explicou como as autoridades iniciaram as diligências.

“O alerta foi dado pelo pai e a partir daí abrimos logo diligências, deslocamo-nos logo para o local (…) chegámos à conclusão que algum mal tinha ocorrido à menina”, disse.

O responsável confirmou ainda que a madrasta foi localizada durante a noite de dia 17.

“E é a partir daí que falamos com ela e realizámos as diligências que tínhamos a realizar”, acrescentou.

As buscas decorreram durante várias horas na serra. David Martins reconheceu a dureza do momento em que Lara foi localizada.

“Praticamente toda a noite”, afirmou, sobre a duração das diligências.

Depois, assumiu o impacto causado pela descoberta do corpo de uma criança.

“Foi muito complicado quando vimos. Em situações de homicídio as pessoas têm uma reação norma porque já estão habituadas (…) quando é uma criança é muito complicado quando a localizamos”, disse.

Sobre a situação processual de Eulália Silva, o responsável da PJ indicou que a mulher está acusada dos crimes de “homicídio qualificado e profanação de cadáver”.

Quanto à causa da morte, foi referida a possibilidade de “asfixia mecânica”. Contudo, o inspetor sublinhou que só a autópsia poderá confirmar todos os detalhes.

Eulália Silva deverá ser presente a juiz esta sexta-feira, 19 de junho, no Tribunal de Chaves.

Destaques

Lisboa: Alfama vence Marchas Populares 2026

Lisboa: Alfama vence Marchas Populares 2026, segundo revelou a...

Portugal vence Nigéria em Leiria e fecha preparação para o Mundial com sinais positivos

Portugal vence Nigéria em Leiria e fecha preparação para...

A pátria também toureia: Santarém cantou Portugal entre bandarilhas, muletas e homens de peito aberto ao touro

A pátria também toureia: Santarém cantou Portugal entre bandarilhas,...
Publicidade
Alojamento Web

Reportagens

Artigos relacionados