O Conta Lá encerrou a emissão este domingo, 1 de novembro, num contexto de salários em atraso e dificuldades financeiras. Consta que o projeto acumula uma dívida superior a meio milhão de euros e sete ações judiciais.
Lançado no final de 2025, o canal apresentou-se como um projeto multiplataforma, com presença na televisão, nos meios digitais e em streaming. A proposta passava por dar visibilidade a territórios e protagonistas menos representados, ligando o país “de dentro para fora”.
Menos de um ano depois, a interrupção da transmissão surge após tentativas de manter o canal no ar e de encontrar uma solução para a sua continuidade.
Trabalhadores preparavam pedido de insolvência
A 19 de outubro, a Lusa avançou que um grupo de trabalhadores se preparava para apresentar um pedido de insolvência, procurando recuperar os salários em atraso.
O cenário descrito incluía também trabalhadores a preparar o recurso ao Fundo de Garantia Salarial. A informação disponibilizada não permite concluir se o pedido de insolvência chegou entretanto a ser apresentado.
Tentativas de manter o canal no ar
Antes do encerramento da emissão, o Conta Lá tinha sido recolocado na posição 168 da grelha da MEO.
De acordo com o relato publicado pelo site A Televisão, Rui Rêgo, integrante da comissão de gestão, e Maurício Ribeiro, principal acionista, terão contactado operadoras para tentar assegurar a continuidade da transmissão.
Terá também sido procurada a Ibertelco, empresa de soluções e serviços para o setor dos media, para garantir uma emissão de conteúdos em repetição durante 24 horas.
Essas diligências terão sido acompanhadas pela indicação de que um grupo angolano estaria prestes a iniciar negociações para adquirir o projeto. Não foi, contudo, apresentado um acordo de compra concluído.
Os últimos momentos da transmissão foram registados na Vodafone, antes de o canal deixar de emitir no domingo. O encerramento da emissão ocorre, assim, sem uma solução anunciada para os salários em atraso e para a continuidade do projeto.
