O IADE oferece a Pós-Graduação em Design Systems, uma formação de 10 meses em Lisboa, para designers e tecnólogos criarem produtos digitais consistentes e escaláveis com Figma, DesignOps e tecnologias emergentes.
À medida que os produtos digitais se multiplicam por ecrãs, dispositivos e pontos de contacto (e à medida que ferramentas de inteligência artificial [IA] aceleram a geração de interfaces), manter a coerência entre tudo isto deixou de ser uma questão de estética, acabando por se transformar num problema de governação.
Sem uma fonte de verdade partilhada entre design, produto e engenharia, a rapidez transforma-se facilmente em caos, nomeadamente através de interfaces divergentes, repetições constantes e experiências que os utilizadores sentem como sendo inconsistentes de ecrã para ecrã.
É esta fonte de verdade que um design system procura garantir: um conjunto estruturado de princípios, componentes, tokens e regras de utilização que permite às equipas construir produtos coerentes sem reinventar cada interface do zero.
Mais do que uma biblioteca de elementos visuais, funciona como uma infraestrutura, ou seja, uma linguagem comum que atravessa disciplinas, equipas e produtos.
Não é por acaso que instituições de referência na formação em design e tecnologia, como o IADE, que oferece uma Pós-Graduação em Design Systems, descrevem hoje esses mesmos design systems como uma das áreas de maior crescimento e relevância estratégica no panorama digital atual.
Design Systems como infraestrutura de negócio e de colaboração entre equipas
O valor do investimento em design deixou há muito de ser uma questão de gosto: um estudo da consultora McKinsey & Company, que acompanhou 300 empresas cotadas ao longo de cinco anos, concluiu que as organizações no quartil superior do seu índice de maturidade de design registaram um crescimento de receita de mais 32 pontos percentuais e um retorno total ao acionista de mais 56 pontos percentuais face aos concorrentes do mesmo setor.
No universo específico dos design systems, o retrato mais recente é o «Design Systems Report 2026», da zeroheight: o inquérito de referência do setor.
Os dados mostram que 83% das organizações já têm uma equipa dedicada a este trabalho e que a adoção de tokens (os elementos basilares que permitem atualizar cor, tipografia ou espaçamento em toda uma plataforma de uma só vez) subiu de 56% para 84% das equipas entre 2024 e 2025.
O mesmo relatório traz um sinal de prudência: 56% das equipas já recorrem à IA, mas apenas 15% consideram que os resultados correspondem às expectativas, o que significa que a tecnologia acelera processos, mas não substitui a estrutura de um sistema bem desenhado.
Um design system só funciona quando deixa de ser propriedade exclusiva do design. O supracitado relatório da zeroheight regista um sinal claro dessa mudança:
- A participação de perfis de engenharia nos inquéritos ao setor mais do que duplicou entre 2025 e 2026, subindo de 12% para 20% dos inquiridos, um indício de que cada vez mais equipas de desenvolvimento se envolvem diretamente nas construção e manutenção destes sistemas, em vez de os tratarem como um artefacto que apenas o design entrega.
Esta aproximação é também o argumento central da disciplina de DesignOps, definida pelo Nielsen Norman Group como a orquestração de pessoas, processos e práticas para multiplicar o impacto do design à escala, precisamente a área em que design e engenharia deixam de trabalhar em paralelo para se unirem.
Os desafios da implementação e manutenção de um Design System
No entanto, nem tudo é crescimento linear; o mesmo «Design Systems Report 2026» mostra que:
- 56% das equipas apontam a falta de pessoal como o seu maior desafio;
- 16% dos design systems são hoje mantidos por uma única pessoa;
- 61% das equipas têm cinco ou menos elementos;
- Apenas 23% consideram dispor de recursos adequados para o trabalho que lhes é solicitado.
É um retrato que contraria a ideia de que basta escolher a ferramenta certa: manter um design system ativo exige investimento contínuo tanto em pessoas como processos e não apenas no momento da sua criação.
Ainda assim, o retorno económico está bem documentado: um estudo de impacto conduzido pela Forrester Consulting para a InVision apurou um retorno sobre o investimento (ROI) de 475% ao longo de três anos (com um período de recuperação inferior a três meses) em organizações que adotaram práticas de design systems de forma consistente.
A nível nacional, o talento digital é escasso, mas a procura está em alta
Em Portugal, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram um mercado ainda a formar-se: apenas 20,6% das empresas com 10 ou mais trabalhadores dispõem de especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sendo que, entre as que tentaram recrutar em 2023, mais de metade (50,5%) teve dificuldade em preencher as vagas.
Segundo a Comissão Europeia (CE), os especialistas em TIC representam 5,2% do emprego total no país, ligeiramente acima da média europeia, mas ainda longe de satisfazer a procura. A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) estima que Portugal precisa de mais 270 mil especialistas nesta área para cumprir as metas europeias da «Década Digital».
Este contexto adquire ainda outra camada de urgência com a entrada em vigor, a 28 de junho de 2025, do «European Accessibility Act» para o setor privado em Portugal, que torna a acessibilidade digital uma obrigação legal (e não apenas uma boa prática) em serviços como a banca digital, o comércio eletrónico ou as aplicações móveis.
É aqui que um design system bem construído se revela mais útil: uma correção de acessibilidade feita ao nível de um componente propaga-se automaticamente a todos os ecrãs que o utilizam, em vez de exigir correções isoladas, produto a produto.
O que diz a indústria sobre os Design Systems
Entre quem constrói e lidera equipas de design systems, há um consenso que se propaga por vozes de referência da disciplina:
- Nathan Curtis, cofundador da consultora EightShapes, descreve um design system não como um projeto com um fim definido, mas como um produto vivo, ao serviço de todos os outros produtos que dele dependem;
- Brad Frost, autor da metodologia de Atomic Design, vai mais longe: defende que um design system é, no fundo, tanto (ou mais) sobre relações humanas e alinhamento organizacional como componentes de interface.
O Figma, em parceria com o Design Executive Council, reuniu em 2025 casos de empresas como a Grammarly, a SAP ou a Notion para ilustrar este argumento.
No caso da Grammarly, o responsável de design da empresa atribui ao design system a capacidade de a empresa ter conseguido expandir-se para uma oferta multiproduto, algo que, sem uma base comum entre equipas, dificilmente teria sido possível no mesmo espaço de tempo.
Uma resposta formativa na Pós-Graduação em Design Systems do IADE
Foi com base neste cenário (de procura crescente, escassez de talento especializado e exigências regulamentares acrescidas) que o IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação criou a Pós-Graduação em Design Systems.
Com início em outubro de 2026, em Lisboa, e um modelo blended compatível com uma atividade profissional a tempo inteiro, o programa tem uma duração de 10 meses e um total de 36 ECTS.
O que vai aprender e a quem se destina o programa
A formação organiza-se à volta de três eixos que respondem diretamente aos desafios identificados:
- Domínio técnico do Figma, atualmente a ferramenta de referência do setor para prototipar e documentar sistemas;
- Introdução aos fundamentos de DesignOps, a disciplina que existe precisamente para alinhar pessoas, processos e ferramentas e multiplicar o impacto do design à escala;
- O desenvolvimento de um projeto concreto de design systems, que cada estudante conclui com um portefólio pronto a apresentar ao mercado.
Destina-se a designers de UI/UX, programadores, gestores de projeto e outros profissionais das áreas de comunicação, design ou tecnologia que procurem consolidar exatamente as competências que o mercado (em Portugal e na Europa) já procura, mas ainda não encontra em quantidade suficiente.
Se os dados confirmam alguma coisa, é que os design systems deixaram de ser um exercício estético para se tornarem um ativo estratégico e que a procura por quem sabe construí-los bem continua a crescer mais depressa do que a oferta de profissionais qualificados. É essa lacuna que a Pós-Graduação em Design Systems do IADE ajuda a colmatar.
