Diogo Clemente recorda Jorge Palma e revela memória dos bastidores: «É preciso ser enorme, nobre, resolvido e íntegro para ser Jorge Palma», disse.
Diogo Clemente juntou-se às muitas homenagens a Jorge Palma, mas escolheu fazê-lo através de uma memória concreta. O músico recuperou o momento em que conheceu Palma durante a preparação de um concerto de homenagem a Amália Rodrigues, no MEO Arena, e contou como uma conversa breve acabou por ficar guardada para sempre.
Na altura, Clemente estava a dirigir o espetáculo e Jorge Palma era um dos artistas convidados.
“Finalmente ia poder não vivê-lo só à tangente mas de perto, sentir o cheiro, como come, como são os silêncios, de que forma é que aquela alma se entende lá dentro e vive entre nós.”
Foi depois de um ensaio que aconteceu o primeiro diálogo entre os dois. Diogo Clemente decidiu aproximar-se de Jorge Palma para lhe agradecer uma canção que o acompanhava há muito.
“Quero agradecer-te teres feito a música que mais me amparou nos últimos tempos. O À Espera do Fim foi uma almofada na minha vida.”
A resposta de Palma, segundo recorda, foi simples: “A sério? Que bom. Então mete aí no alinhamento no lugar do…”
Clemente admite que o momento o marcou: “Morri. E assim foi.”
«O mar de gente que tem coisas destas do Palma pra contar é muito grande»
Na homenagem, o músico quis sobretudo sublinhar a forma como Jorge Palma ficou ligado a tantas histórias pessoais, para lá do próprio repertório.
“O mar de gente que tem coisas destas do Palma pra contar é muito grande. Muita gente que se sentiu melhor um dia por ser tocado pela generosidade e amor do Jorge Palma.”
A publicação acompanha ainda um vídeo de um ensaio em que os dois trabalhavam um dueto com André Sardet.
Diogo Clemente recorda que, já perto do final, pediu a Jorge Palma apenas uma pequena indicação sobre a interpretação de À Espera do Fim.
“Só um bocadinho do À Espera do Fim por favor…”
E acrescenta que Palma respondeu como tantas vezes fazia em palco e fora dele: “Como ele é o Jorge Palma tocou todo e com toda a entrega, como quem recebe alguém em casa.”
A despedida termina num tom de enorme admiração: “A vida bem levada é feita de ser Jorge Palma. É preciso ser enorme, nobre, resolvido e íntegro para ser Jorge Palma. É adjectivo de enlevo. De conquista de ser.”
E fecha com um agradecimento direto: “Um obrigado ajoelhado, Jorge em meu nome, em nome de todos os portugueses e de todos os músicos.”
Veja o vídeo AQUI.
