«ARTE ANIMAL» estreia-se a 30 de outubro, às 21h00, no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo. O cine-concerto de Edgar Pêra e Manuel de Oliveira combina filmagens ao vivo, imagens criadas com inteligência artificial e guitarra transformada em tempo real, numa proposta em que cada sessão será diferente.
A guitarra reage às imagens e as imagens respondem à música. É nessa relação, construída diante do público, que assenta «ARTE ANIMAL», o novo projeto do cineasta Edgar Pêra e do guitarrista Manuel de Oliveira, com estreia marcada para o Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo.
Segundo o comunicado de imprensa, o espetáculo concretiza uma ambição antiga da dupla: “criar juntos algo que existe apenas no presente”. A colaboração entre os dois prolonga-se há mais de uma década, passando por longas-metragens, telediscos e, mais recentemente, pela série televisiva «Daqui Houve Resistência».
De «Cartas Telepáticas» à experiência em palco
O projeto começou a ganhar forma depois da estreia de «Cartas Telepáticas», longa-metragem de Edgar Pêra com imagens geradas por inteligência artificial, no Festival de Locarno.
A partir desse trabalho, os artistas procuraram explorar a IA como uma extensão do gesto artístico, colocando-a em relação com a interpretação e a improvisação ao vivo.
“A IA é para mim a ferramenta ideal para as produções independentes low budget, sem fronteiras nítidas entre ficção e realidade. É um agente bebé que alucina, sem ter consciência disso, aprofundando o inconsciente colectivo através de milhões e milhões de bases de dados humanos. Nós somos a Inteligência Animal que serve de interface”, explica Edgar Pêra, no comunicado.
Câmara e guitarra transformadas em tempo real
Em palco, Edgar Pêra filma ao vivo, enquanto o VJ João Mora remistura essas imagens com os filmes de IA do cineasta. Ao mesmo tempo, Hélder Costa, responsável pelo design de som, processa e transforma a guitarra de Manuel de Oliveira.
A proposta assenta num diálogo improvisado: o guitarrista interpreta musicalmente aquilo que vê e a construção visual acompanha o que acontece no som. A organização descreve cada sessão como “um organismo vivo em constante mutação”, em que se cruzam o real e o virtual, o instinto e o algoritmo.
“A expressão humana do não humano”
Para Manuel de Oliveira, a experiência passa por responder às imagens com a dimensão emocional da interpretação.
“Procuro estar permeável à provocação disforme das imagens e dos efeitos, e reagir, através da guitarra, com o que tenho de mais humano: um gesto relativo e emocional. Queremos criar uma vivência performativa com a IA, incorporando-a da forma mais animal que conseguirmos. O que nasce desse encontro é, no fim, a expressão humana do não humano”, afirma o músico.
A estreia de «ARTE ANIMAL» acontece a 30 de outubro, às 21h00, reunindo em palco Edgar Pêra na imagem e câmara, Manuel de Oliveira na guitarra, João Mora como VJ e Hélder Costa no design de som.
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