O Porto/Post/Doc regressa de 19 a 28 de novembro com oito títulos na Competição Internacional, um foco em Alain Gomis e uma presença alargada de cinema português. A 13.ª edição abre com «A Cidade e os Mapas» e inclui um programa dedicado às primeiras explosões do punk.
A transformação do Porto, as experiências de exílio, a memória política e a música atravessam a programação completa da 13.ª edição do Porto/Post/Doc, agora anunciada para 19 a 28 de novembro.
Em comunicado de imprensa, o festival destaca “pertença, memória, deslocação, identidade e as formas como o cinema pode interrogar o presente a partir de diferentes geografias e linguagens” como questões centrais desta edição.
A abertura cabe a «A Cidade e os Mapas», primeira longa-metragem de Alexandra Guimarães e Gonçalo L. Almeida, que observa um Porto transformado pelo trabalho, pelo turismo e pelas migrações.
Competição Internacional reúne oito olhares sobre memória e resistência
A seleção internacional junta oito filmes que, segundo a organização, desafiam as formas habituais do documentário.
Em «Ensaios para uma Revolução», Pegah Ahangarani revisita a história recente do Irão a partir das memórias de familiares e mentores. «Segurar uma Montanha», de Biljana Tutorov e Petar Glomazić, acompanha uma pastora e a filha na defesa das terras ancestrais de Sinjajevina, no Montenegro.
A relação entre memória e território surge também em «Tudo é Prisão», de Eloy Enciso, sobre os vestígios da repressão franquista e o esquecimento coletivo, e em «Dao», de Alain Gomis, que acompanha uma família entre França e Guiné-Bissau.
«À Noite», de Beatrice Gibson, segue seis mulheres pelas ruas de Paris. Em «Longe das Árvores», Meritxell Colell Aparicio acompanha uma artista sonora no Peru, onde a gravação de línguas ameaçadas se cruza com a história de exílio da sua família.
Completam a competição «Flor de Fogo», de Ana Vaz, que aproxima um diário íntimo das memórias de comunidades japonesas após o tsunami e o desastre nuclear de 2011, e «Castelo de Lata», de Alexander Murphy, sobre uma família que vive numa caravana sob ameaça de despejo.
Cinema Falado atravessa diferentes territórios de língua portuguesa
A Competição Cinema Falado propõe encontros com histórias da diáspora cabo-verdiana, de Moçambique, da comunidade cigana, do Brasil e das paisagens ibéricas.
A seleção inclui «Nha Balila», de André Xina e Inês T. Alves; «Cochena», de Diogo Allen; «Fosfeno», de Miguel Filgueiras; «A Miragem», de Bingham Bryant; e «Os Continuadores da Revolução», de Pedro Neves.
Integra também «Amílcar», de Miguel Eek, que recupera a vida e o pensamento político de Amílcar Cabral através de cartas, poemas e arquivos.
A presença portuguesa estende-se a outras secções. Na competição Transmission, «Esta Vida de Marinheiro», de Paulo Miguel e Borges Antunes, recupera a vida e a obra de João Aguardela.
O festival anuncia ainda a exibição de «Auto da Casa», de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, e de «Curadores da Rua», de Luís Pedro Costa e António Toga.
Alain Gomis em foco, com ligação ao Centro Yennenga
O realizador franco-senegalês Alain Gomis é um dos nomes em destaque nesta edição. O foco dedicado à sua obra reúne «Como um Homem», «Andaluzia», «Dao», «Rewind & Play», «Hoje» e «Félicité».
O percurso atravessa mais de duas décadas de trabalho entre ficção e documentário, abordando o exílio, a identidade, a memória e as marcas da colonização.
A programação inclui também dois programas dedicados ao Centro Yennenga, fundado por Gomis em Dakar. O espaço desenvolve trabalho de formação, pós-produção e difusão, acompanhando uma nova geração de cineastas da África Ocidental.
O Porto no cinema e o punk como linguagem política
O programa «Entre Imagens», realizado em parceria com o Malha, percorre diferentes representações cinematográficas do Porto. Reúne obras de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Fernando Lopes, Sandro Aguilar, Sério Fernandes e Jorge Quintela.
A música ganha outro espaço de reflexão em «O Futuro é Punk». O programa especial regressa às primeiras manifestações do movimento em Londres, Nova Iorque e Berlim, para observar a sua continuidade como “linguagem cultural, política e estética, cinquenta anos depois”, explica o comunicado.
Concertos no Passos Manuel e cinema no Planetário
A programação integra ainda as Competições de Curtas e Médias-Metragens, a Competição Cinema Novo, dedicada a filmes de escola, e o Docs4Teens, dirigido aos mais jovens.
O Planetário recebe propostas de cinema fulldome, enquanto o Passos Manuel acolhe concertos de tédio fc, Bastonada, Manga Cava, FUCK IT e Stella 99.
Estas atuações são apresentadas em parceria com a Opala, promotora portuense dedicada a projetos musicais alternativos.
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