Edmundo Inácio feliz com a reação do público ao novo disco, Vida de Cão, mostrando-se bastante surpreendido.
Edmundo Inácio fez ao Infocul.pt o balanço do disco “Vida de Cão” e falou sobre público, próximos trabalhos, imagem e o papel da música.
Nesse sentido, Edmundo Inácio está satisfeito com o caminho de Vida de Cão. O artista falou ao Infocul.pt à margem do evento de apresentação do disco da banda Os Vizinhos.
Assim, Edmundo fez um balanço positivo deste novo trabalho. O cantor destacou a reação do público, mas também o reconhecimento de outros artistas.
Edmundo Inácio feliz com a receção a “Vida de Cão”
Questionado sobre a forma como o disco está a correr, Edmundo Inácio não escondeu a felicidade.
“Está a correr muito bem. Estou muito contente com o que as pessoas têm partilhado. Os próprios artistas também têm dado um bom feedback e estão muito contentes com o meu trabalho. Eu também estou muito contente com o meu trabalho. O público está a receber. Fiz uns concertos de apresentação do disco e o público cantou as canções de início ao fim. Eu fiquei arrepiado e super impressionado, porque eu acho que o que o artista gosta é que as pessoas cantem e conheçam o artista. Por isso estou mesmo muito feliz com o que tem acontecido.”
Além disso, o artista assumiu que a reação foi além do esperado. Sobretudo porque algumas músicas ainda não tinham sido trabalhadas como singles.
Público surpreendeu ao cantar temas que não foram single
Edmundo Inácio explicou que Vida de Cão teve, na sua leitura, um impacto superior ao primeiro disco.
“Surpreendeu-me porque o primeiro disco teve um bom impacto, mas este segundo teve um impacto ainda maior. E há canções que não foram single e o concerto de apresentação tinha sido uma semana depois e uma semana depois já tinha público a cantar. O que significa que as pessoas já ouviram o disco e aprenderam as canções. Por isso é que fiquei muito impressionado.”
Entretanto, essa resposta do público também poderá influenciar aquilo que vem a seguir. O artista já pensa nos próximos discos, mas admite que a receção às novas canções terá peso.
Próximos discos já estão pensados
Edmundo Inácio revelou que tem ideias para os próximos trabalhos. Ainda assim, o público poderá ajudar a moldar o caminho.
“Boa pergunta. Eu já tenho o terceiro e o quarto disco pensados na minha cabeça, mas que pode sofrer alterações obviamente. Mas eu acredito que o que o público foi buscar e gostou, para além do que foi single, vai influenciar de alguma forma a pensar, ok, o público realmente gosta disto e a minha amostra foram estas canções e o público adorou isto. Então o que é que eu posso trazer destas canções para o próximo trabalho? Por isso eu acredito que de alguma forma vai mesmo influenciar no terceiro e no quarto e quinto disco e o que houver, mas vai ser 50-50.”
Desta forma, o cantor assume que existe uma construção em curso. Há uma visão artística definida, mas também uma escuta atenta ao público.
A voz, a imagem e aquilo que representa
Na conversa, Edmundo Inácio falou ainda sobre a forma como o público se relaciona com a sua imagem. Para o artista, esse reconhecimento tem importância para lá da música.
“Sim, eu acho que esse é o meu principal objetivo como artista. Não só como cantor, como artista principalmente, porque eu cresci e estudei artes a minha vida toda e sempre senti que era mais fácil para mim me exprimir no mundo das artes. E sentir que para além das minhas canções ou para além das minhas letras, a minha imagem também influencia é muito importante para mim porque há um público mais novo que me acompanha. Esse é o meu principal objetivo, é mudar cabeças, mudar a mentalidade que se está a construir hoje em dia que eu sinto que estamos a caminhar numa direção perigosa. E ter uma geração mais nova que consegue sentir, que são abraçadas com aquilo que eu sou, com a minha arte, é o mais importante para mim. Por isso o que eu faço para além de canções é tocar as pessoas, este é o meu objetivo, é influenciar as pessoas.”
Ainda assim, Edmundo não olha para esse impacto de forma distante. Pelo contrário, vê nele uma espécie de responsabilidade afetiva.
“Quase como se fosse um pai não sendo um pai desse público.”
“A mentalidade em Portugal, no mundo, está a andar para trás”
O artista foi também claro quando falou sobre o momento social que sente à sua volta. Para Edmundo, os artistas continuam a ter um papel importante.
“Sim, sim, sim. Sinto que a mentalidade em Portugal, no mundo, está a andar para trás, está a se tornar retrógrada. Mas eu acredito que os artistas têm essa força. A canção não deixa de ser canção de intervenção, apesar de hoje em dia a canção já se tornou também um produto de consumo. Porque acho que a canção também não tem que ser sempre densa. Mas eu acho que os artistas têm esse poder e devem aproveitá-la ao máximo.”
Por fim, Edmundo Inácio resumiu a música como um espaço de encontro. Para quem cria, mas também para quem escuta.
“Pode ser uma terapia para quem escreve e para quem ouve.”




