Entrevista de Miguel Queirós no programa Júlia, da SIC, revelou episódios de bullying na infância e a desilusão amorosa que o levou às redes sociais. Aos 21 anos, o vencedor do Globo de Ouro Revelação recordou também o sonho de apresentar informação e recebeu elogios de Júlia Pinheiro.
Júlia Pinheiro assume proximidade com o convidado
Desde os primeiros momentos, a apresentadora procurou criar um ambiente de confiança. Ao explicar que iria tratar Miguel por tu, reconheceu um instinto maternal perante o jovem.
“Miguel, vamos aqui já descodificar que eu vou tratar por ‘tu’, porque não consigo tratar por ‘você’. Desculpa, desculpa, porque com os teus 21 anos és maior de idade. Pronto, mas desculpa porque isto tem a ver, é uma cena maternal, não há nada a fazer. Meto logo debaixo da asa”, afirmou na SIC.
A conversa percorreu diferentes etapas da vida do humorista, desde as dificuldades na escola até ao reconhecimento público conquistado através dos vídeos.
Bullying na escola primária ficou escondido dos pais
Miguel Queirós descreveu a entrada no primeiro ciclo como uma mudança difícil, depois de ter vivido um período pré-escolar mais protegido.
“Na escola primária já tive de lidar com miúdos mais rebeldes que eram mandões, no fundo, os ditos mandões, ou seja, os bullies. Se eu não fizesse aquilo que eles queriam, era posto de parte e era excluído e gozavam comigo”, contou.
A timidez e a dificuldade em reagir contribuíam, segundo explicou, para a continuação dos ataques.
“Percebiam que eu era muito sensível, muito tímido (…) Metiam-se comigo, eu não tinha qualquer reação e, portanto, pensaram: ‘ok, este aqui é o alvo ideal para nós’”, recordou.
O jovem não contou aos pais o que se passava. As ameaças dos colegas alimentavam o receio de sofrer consequências caso pedisse ajuda.
“A possibilidade de ir preso ou de haver uma espécie de PID que nos vai ouvir caso contemos aos nossos pais, a ponto de depois chegar aos ouvidos dos bullies, é aterrorizante”, afirmou.
Uma das situações que mais o marcou aconteceu quando os pais convidaram um dos agressores para dormir em sua casa. Desconhecendo os episódios na escola, acreditavam estar a receber um amigo do filho.
“Tinha aquele sentimento de: ‘por que é que estou a dormir com a pessoa que me atormenta aqui?’”, confessou.
Miguel recordou ainda o sofrimento escondido no recreio e a tristeza dos domingos, perante a aproximação de uma nova semana de aulas.
Mudança de escola abriu espaço a novas amizades
A situação alterou-se no quinto ano, quando mudou de escola e encontrou um grupo de amigos.
Ao ouvir o relato, Júlia Pinheiro destacou o contraste entre a infância reservada e o percurso que o levou a ser reconhecido pelo humor.
“Portanto, quem diria que o menino tímido, assim um bocadinho resguardado, quietinho, iria ganhar um prestigiado prémio pelo seu talento a fazer rir os outros”, observou.
A apresentadora sublinhou também que ultrapassar aquelas experiências não era um desfecho garantido.
“Nem aquela psicóloga conseguiu antecipar que tu ultrapassarias, porque podias não ter ultrapassado”, afirmou.
Miguel reconheceu que esse passado influenciou a atenção que hoje dedica aos sentimentos dos outros.
“Sei que seria incapaz de o fazer [expor-se na internet] quando era criança (…) Isso, de certa forma, moldou-me na sensibilidade que eu tenho para com os outros”, explicou.
Durante a entrevista, associou essa empatia à experiência de ter conhecido “o fundo do poço”.
Desilusão amorosa esteve na origem dos primeiros vídeos
A conversa passou também pelo início da atividade nas redes sociais. Miguel revelou que uma paixão não correspondida, no verão de 2024, acabou por motivar a decisão de publicar conteúdos.
“Foi um desgaste amoroso. Não fui correspondido (…) Conheci uma miúda lindíssima e apaixonei-me. O cupido acertou-me e eu pensei, ok, vou tentar a minha sorte. Acontece que não era amor correspondido”, contou a Júlia Pinheiro.
A jovem estava interessada noutro rapaz, que fazia vídeos para as plataformas digitais. Miguel decidiu seguir o exemplo, na esperança de conquistar a sua atenção.
“Era realmente um jovem que fazia vídeos para as redes sociais. E eu, na minha ingenuidade, achei que era copiar o modelo e que ia funcionar comigo, coisa que não aconteceu”, explicou.
Numa tarde de julho, juntou-se a um primo e publicou o primeiro vídeo. A resposta do público surpreendeu-o.
“Publico o vídeo e, assim, em meia hora já tinha dez mil likes para uma conta que tinha acabado de aparecer”, recordou.
O resultado incentivou-o a continuar e a utilizar ideias humorísticas que guardava no telemóvel desde 2019.
Bento Rodrigues inspirou sonho de trabalhar na informação
Antes do sucesso no humor, Miguel imaginava-se a apresentar notícias. O interesse nasceu das memórias de televisão com a avó, em particular das emissões do Primeiro Jornal, da SIC.
“Era o meu sonho [ser pivô], especialmente por causa do Bento Rodrigues (…) Sempre gostei de imitar. E, portanto, sim, o Bento Rodrigues sempre teve um fascínio pela área da comunicação”, afirmou.
O criador de conteúdos referiu ainda Ricardo Araújo Pereira como uma inspiração no humor, área em que acabou por construir o seu percurso.
