Fingertips lançam EP, “uma recriação da identidade da banda nos tempos actuais”

Fingertips lançam EP, "uma recriação da identidade da banda nos tempos actuais"
Foto: Promo Fingertips

Fingertips lançam EP, “uma recriação da identidade da banda nos tempos actuais”, segundo revelou Zé Manel ao Infocul.pt.

A banda Fingertips celebra os 19 anos de carreira, com a edição de um EP, intitulado “Dear Jean”.

Um projecto musical com um percurso peculiar no panorama nacional e que nos primeiros anos arrebatou tudo e todos, conquistando uma vasta legião de fãs.

Dear Jean é a junção do ADN característico dos Fingertips, presente na banda desde há 19 anos, com uma sonoridade de vanguarda aliada à habitual densidade emocional, mas é também uma carta de amor endereçada a todos aqueles que duvidam das suas capacidades e ainda desconhecem os limites do seu próprio poder. 

O vocalista Zé Manel concedeu uma entrevista ao Infocul.pt, abordando este novo trabalho discográfico e fazendo um balanço de todo o percurso do grupo. Destacou ainda as mudanças mais profundas na cena musical em Portugal nos últimos 19 anos.

O que traz este EP, de novo, à discografia dos Fingertips?

O Dark Phoenix é uma recriação da identidade da banda nos tempos actuais. Estivemos quase 10 anos afastados, a crescer e a aprender noutras direcções e agora é notório no reencontro o quanto essas aprendizagens se traduzem em músicos mais conscientes, focados e maduros.

Qual o balanço destes 19 anos de percurso?

É um balanço bonito e feito de amor. Com tudo o que isso implica. De quedas, de conquistas, de afastamento, de perdão e da convicção que queremos agarrar esta oportunidade para nos revivermos de outra forma, diante e junto com as pessoas que nos permitiram fazer música e formaram esta família.

É correcto afirmar que esta é a fase mais madura ao nível musical do projecto?

Naturalmente. Porque acompanha o crescimento individual, pessoal e profissional de cada um de nós. Acredito que hoje seremos francamente mais fortes, unidos e com os pés assentes na terra do que fomos há 12 anos.

Quais os sonhos que ainda acalentam, dos jovens rapazes que deixavam as miúdas em êxtase?

Acalentamos o sonho principal de fazer música nos nossos termos e de preservarmos o privilégio que é as pessoas deixarem-nos fazer parte das suas vidas. Queremos continuar a ser uma plataforma de agregação que utiliza a sua arte para criar um mundo mais harmonioso.

Quando começou a ser pensado este EP e quais as mensagens que pretendem passar?

Este EP foi profundamente genuíno. Ainda estávamos a promover e a trabalhar em projectos pessoais quando em duas tardes nos juntámos no estúdio e pura e simplesmente as canções começaram a surgir. Foi muito espontâneo e rápido de gravar e construir, tais eram as ideias conjuntas que tínhamos arrumadas e com vontade de sair cá para fora.

Individualmente, como definem cada um dos temas deste EP?

Este EP é uma metáfora e um tributo à personagem da Marvel Jean Grey. Sempre encontrei poesia na sua história, entre a insegurança de não saber quem é e de duvidar das suas capacidades e a força avassaladora que descobre quando derruba as suas barreiras morais e sociais. Com o poder vem sempre a responsabilidade acrescida e acho que todos lidamos com esse limbo a dada altura. Creio que nós próprios de certa forma fugimos do sucesso e o tememos porque nem sempre nos fez felizes e tantas vezes se tornou maior que nós. Dark Phoenix marca um regresso em força que nós merecíamos conceder enquanto colectivo, I won’t, fala de como por vezes é preciso não olhar para trás quando de quer seguir em frente, Better fala-nos de como ficará sempre uma nostalgia e um vazio inerente quando nos despedimos de alguém que amaremos para sempre, You did fala da ressaca dessa partida e Where to go marca o início do futuro, com a busca incessante da estrada que queremos seguir.

Ao longo deste percurso, enquanto banda, o que mudariam, tendo em conta que existiram algumas oscilações naquilo que foi o mediatismo do vosso trabalho?

Não posso dizer que talvez não nos tivéssemos separado. Acho que todos precisámos de crescer individualmente para retornar nestas condições. No entanto creio que talvez todos tivéssemos gerido de outra forma a pressão mediática, as expectativas dos demais em relação à nossa música e alguma inexperiência na forma como recebemos o sucesso que o público nos concedeu em tão tenra idade.

Em termos de espectáculos, 2022 terá agenda preenchida? O que já podem revelar?

Esperemos que esteja. A torneira criativa está aberta e não pretendemos abrandar o ritmo. Vamos para já apresentar-nos nos 20 anos do Festival Sons de Vez em Arcos de Valdevez a 5 de Março. Gostávamos muito de vos reencontrar neste regresso ao palco. Estamos muito entusiasmados por poder mostrar novas canções e por reinterpretar êxitos de sempre tantos anos depois. Felizmente, as pessoas nunca deixaram de fazer coro connosco e agora está na altura de levar a nossa música a novos públicos.

Quais as mudanças mais significativas no mercado musical português, durante estes 19 anos?

São tantas. Desde a democratização do espaço mediático que criou um excesso de oferta e muitas vezes algum ruído e desinformação. À forma como consumimos música e respectivas plataformas. Ao lado negro da representatividade que tantas vezes reduz drasticamente o standard das áreas artísticas. À confusão recorrente entre reconhecimento e fama. À mistura perigosa que se faz entre o artista e a arte. Cabe-nos a nós crescer, adaptarmo-nos e nunca nos esquecermos que a razão de tudo o resto é e será sempre a música e que é por ela que o fazemos.

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