Fundação Jerónimo Martins investe 20 milhões na reconstrução da Região Centro após tempestade Kristin, segundo foi revelado.
Foto: C.M. Marinha Grande
A Fundação Jerónimo Martins vai investir 20 milhões de euros num programa de resposta aos impactos provocados pela tempestade Kristin na Região Centro. A iniciativa foi apresentada esta terça-feira, 2 de junho, no Centro Social Paroquial de Regueira de Pontes.
Segundo o comunicado de imprensa, o projeto é desenvolvido em parceria com os Municípios de Marinha Grande, Leiria e Ourém e com a Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro.
O plano resulta de um trabalho de proximidade no terreno, feito em articulação com autarquias e entidades locais. O objetivo passa por responder às necessidades mais urgentes das populações afetadas.
Mais de 12 mil pessoas abrangidas
A intervenção apresentada tem uma dimensão alargada e chegará a equipamentos sociais, habitações, bombeiros e forças de segurança.
No total, de acordo com o comunicado, foram identificadas mais de 100 instituições e equipamentos, 140 habitações e mais de 12.000 pessoas abrangidas.
Entre os espaços sinalizados estão creches, lares, equipamentos para pessoas com deficiência, casas afetadas, corporações de bombeiros e forças de segurança.
Além disso, há já 18 equipamentos em fase de adjudicação. As primeiras obras deverão arrancar a 8 de junho, nos concelhos de Marinha Grande, Leiria e Ourém.
“Esta solidariedade faz toda a diferença”
Na apresentação, Paulo Vicente, presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, destacou o impacto humano da iniciativa.
O autarca afirmou: “desde o início, sentimos que havia aqui alguém disponível para ajudar verdadeiramente as nossas populações”.
Depois, recordou a dureza vivida no terreno pelas comunidades afetadas.
Paulo Vicente sublinhou: “no meio desta tragédia, só quem esteve no terreno sabe o que realmente passámos e esta solidariedade faz toda a diferença.”
Assim, o programa procura ir além da reposição material. A intenção é devolver estabilidade a populações que viram o quotidiano interrompido pela tempestade.
Um modelo de reconstrução mais colaborativo
Também Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, destacou a importância da parceria entre instituições.
Para o responsável, o projeto representa uma forma diferente de responder a crises desta dimensão.
Paulo Fernandes afirmou que “não há dimensão maior do que ajudar a transformar a vida de uma pessoa. Este projeto demonstra uma nova forma de trabalhar, mais colaborativa, envolvendo instituições e sociedade civil”.
Além disso, salientou a importância de preparar melhor os territórios para o futuro.
O coordenador acrescentou: “estamos perante um programa com forte componente de inovação social, que permitirá não só reconstruir, mas tornar as comunidades mais resilientes.”
Fundação quer “devolver esperança”
Marta Maia, presidente do Conselho de Administração da Fundação Jerónimo Martins, enquadrou a iniciativa a partir dos testemunhos recolhidos no terreno.
A responsável afirmou: “ouvimos pessoas e testemunhos verdadeiramente marcantes. Mais do que reconstruir casas, queremos devolver esperança a quem viu o seu futuro ficar em suspenso.”
No mesmo momento, destacou ainda a natureza inédita da parceria agora apresentada.
Marta Maia acrescentou: “nada disto seria possível sem a ajuda de todos. Esta é uma parceria inédita que assenta na transformação real da vida das pessoas.”
Investimento filantrópico “sem precedentes”
O programa representa um investimento global de 20 milhões de euros. No comunicado, a Fundação Jerónimo Martins considera-o um dos maiores esforços filantrópicos desta natureza em Portugal.
Miguel Herdade, diretor Executivo da Fundação Jerónimo Martins, reforçou essa dimensão financeira e operacional.
O responsável afirmou: “este é um apoio filantrópico sem precedentes, com um investimento de 20 milhões de euros totalmente assegurado pela Fundação. Trata-se de um projeto de enorme complexidade, construído com base num levantamento técnico muito rigoroso.”
Depois, explicou que a definição das prioridades foi feita em ligação direta com as autarquias.
Miguel Herdade esclareceu: “A prioridade está definida em estreita articulação com as autarquias, com enfoque em escolas e lares, garantindo respostas dignas e duradouras”.
Resposta procura ser urgente, mas também duradoura
Segundo o comunicado de imprensa, a iniciativa pretende assegurar uma intervenção estruturada e sustentável. A prioridade passa por responder às urgências, mas sem perder de vista a recuperação a médio prazo.
Por isso, o programa junta reconstrução, apoio social e planeamento local. A Fundação Jerónimo Martins, os três municípios e a Estrutura de Missão procuram dar resposta às populações mais afetadas pela tempestade Kristin.
Com as primeiras obras previstas para 8 de junho, o projeto entra agora numa fase decisiva. A partir daqui, o impacto prometido começará a ser sentido em equipamentos sociais, habitações e serviços essenciais da Região Centro.

