Gustavo Carona: “Digo preto em público, serei racista?”, questionou.

Gustavo Carona fez um desabafo numa publicação no Instagram.
“Ouvi o Rodrigo Guedes de Carvalho, pivô da SIC, a pedir imensa desculpa porque usou a palavra deficiente e desculpou-se imensamente quase como se tivesse morto alguém, corrigindo para pessoa com deficiência. E eu pergunto: o que é que isso interessa? Mas pergunto com a humildade de quem não sabe a resposta“, escreveu.
“Eu tenho a certeza que há palavras que matam e palavras que salvam, mas onde é que isto acaba? Até porque, segundo li, a mais pura das puras das expressões é pessoa portadora de deficiência. Mas qualquer dia também não chega e vamos ter de inventar algo ainda mais puro e mais inclusivo. Mas são as palavras ou é a conotação das palavras que matam?“, questionou.
“Eu uso em público, audiências mesmo, a palavra preto. Dei quase dois anos da minha vida a oferecer os meus saberes em África. Serei racista? Dizer negro é ser menos racista? Em inglês, black não tem mal nenhum e negro já pode ser mal visto. Em África, chamam-me branco, qual é o mal de usar a palavra preto? Africano? Mais escuro? Grande concentração de melanina na pele? Onde é que acaba?“, perguntou.
“Para mim, pior é a palavra Descobrimentos. Primeiro, porque não descobrimos nada, e depois porque matamos e escravizamos para enriquecer numa ganância desmedida“, destacou.
Recordou que foi diagnosticado com uma doença crónica, há pouco tempo, e questionou se deve ficar ofendido se lhe chamarem de doente.
“Ou vou exigir que digam pessoa com uma doença? A mim não me ofendem se me chamarem doente, mas magoam-me se me desprezarem pela minha doença“, acrescentou.
“A pessoa que mais me ensinou sobre a defesa dos direitos das/dos trabalhadores do sexo, usou em palco, para mais mil pessoas, a palavra puta, após anos e anos de trabalho e estudo em sua defesa. Não é a palavra puta que lhes faz mal, é a falta de direitos! Há infinitos insultos para os homossexuais, mas digo eu que pouco percebo do assunto. São as palavras que escolhemos ou é a aceitação por parte da sociedade que interessa?“, questionou.
“Eu pergunto para que me ajudem a pensar, são as palavras ou as ações por detrás das palavras que interessam? Onde é que acaba este purismo da linguagem?“, rematou.





