IA em Portugal: 12 novas adoções por hora em 2024 e startups puxam pelo investimento

Portugal fechou 2024 com um salto real na utilização de inteligência artificial. Um 41% das empresas já usam IA, o que equivale a mais de 600 mil do universo empresarial nacional. Só no último ano, cerca de 96 mil organizações adotaram a tecnologia pela primeira vez, uma média de 12 novas adesões por hora.

O mesmo relatório aponta um crescimento de 17% face a 2023. Como efeito direto, as empresas relatam ganhos transformadores de produtividade, automatização de rotinas e melhorias no serviço ao cliente. Estes números foram divulgados pela AWS em parceria com a Strand Partners.

No retalho e nos serviços financeiros, esta aceleração cruza-se com tendências do consumidor digital. Pagamentos instantâneos, carteiras móveis, onboarding sem fricção e personalização de ofertas. Para quem acompanha novas criptomoedas, a própria combinação entre IA e finanças digitais está a tornar a triagem de risco mais fiável.

Também permite uma segmentação mais precisa, reduzindo fraude e melhorando a experiência do utilizador, um terreno onde a concorrência se decide nos detalhes técnicos e no tempo de resposta. Na prática, tanto empresas tech como setores tradicionais aproximam-se de modelos preditivos capazes de escalar operações.

Startups na dianteira, Grandes e PME a recuperar

Os dados mostram que o ecossistema de startups é o motor da adoção, 62% já utilizam IA, 35% desenvolvem produtos e serviços com IA e 55% integram a tecnologia na estratégia. Em contraste, grandes empresas e muitas PME permanecem mais cautelosas e tendem a ficar pela automatização básica.

Também sem explorar plenamente modelos generativos, agentes e análise preditiva. O padrão repete-se em vários setores, do atendimento ao cliente à mobilidade, e coloca pressão competitiva para acelerar roadmaps e capacitação.

A Ascendi, por exemplo, recorre à IA da AWS para reforçar a inteligência dos seus chatbots e automatizar interações com clientes, enquanto a Secil testa agentes de IA generativa para modernizar operações e processos internos.

O investimento acompanha a adoção. As empresas portuguesas aumentaram a despesa em IA em cerca de 24% em 2024, acima da média europeia (22%). A expectativa é que, em três anos, a IA pese 16% dos orçamentos de TI das organizações nacionais. Os ganhos reportados incluem produtividade, melhor satisfação do cliente e libertação de equipas de tarefas repetitivas.

Este impulso acontece num enquadramento macro de crescimento moderado da economia portuguesa, mas com drivers digitais a ganharem peso. O Banco de Portugal projeta avanço do PIB em 2025 e 2026, num momento em que a execução do PRR e a digitalização empresarial tendem a puxar pela produtividade, e a IA surge como vetor central dessa eficiência.

Impacto macro: IA “na cloud” já mexe com o PIB

Para lá do efeito micro nas empresas, a IA baseada em cloud já deixa marca nas contas do país, pois acrescentou mais de 647 milhões de euros ao PIB de Portugal em 2023, segundo estudo do Telecoms Advisory Service referido pela imprensa económica nacional.

Numa perspetiva europeia, a cloud poderá acrescentar 2,6 biliões de dólares ao PIB da Europa até 2030, com cerca de 434 mil milhões a virem apenas de IA na cloud. As estimativas reforçam que a apropriação de casos de uso avançados, e não apenas automatizações de baixo impacto, é decisiva para capturar valor.

As barreiras mais citadas pelas empresas portuguesas, défice de competências digitais, perceção de custos iniciais e insegurança regulatória, continuam a atrasar projetos fora do básico. A boa notícia é que há respostas já em curso, como programas de qualificação, sandboxes e guias setoriais.

No setor público, a SPMS publicou um white paper sobre IA em saúde alinhado com o novo Regulamento Europeu de IA, detalhando requisitos para sistemas de risco elevado (governação, qualidade de dados, testes e monitorização). É um exemplo de como clarificar o caminho regulatório acelera a adoção com segurança.

Do lado dos casos práticos, empresas portuguesas relatam melhorias de produtividade em 77% dos projetos de IA e aumentos de receita associados a modelos de atendimento e recomendação, números citados a partir do estudo da AWS.

Além disso, líderes de tecnologia lembram que a escolha do modelo certo, custo de infraestrutura e confidencialidade são fatores críticos de sucesso numa paisagem onde amanhã pode surgir um modelo melhor ou mais barato. Especialistas também têm sublinhado o lado cultural e de segurança deste salto tecnológico, do combate a deepfakes à popularização de IA generativa no dia a dia.

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