José Castelo Branco: António Leal e Silva contesta retrato da relação com Betty Grafstein, de forma bastante clara.
No “V+ Fama”, o comentador afirmou nunca ter presenciado agressões e apresentou a sua perspetiva sobre a vida do casal. Em análise estiveram depoimentos de testemunhas no processo de violência doméstica.
António Leal e Silva afirmou no “V+ Fama” que nunca assistiu a agressões de José Castelo Branco a Betty Grafstein. O comentador, que privou com o casal durante vários anos, distinguiu aquilo que observou dos episódios relatados por testemunhas no julgamento.
“Eu entendo, respeito, eu não tenho nada a contestar daquilo que eles viram. Se eles viram, é problema deles. Eu não vi. Foi exatamente as palavras que eu disse ao David e ao Abel: eu nunca vi. Se vocês viram, não sou eu que vou estar a dizer que é verdade, que é mentira, nem vou entrar para aí.”
A intervenção surgiu depois de Marta Aragão Pinto resumir declarações atribuídas a Abel Dias, David Mota e Maria da Luz, antiga funcionária do casal. Os relatos abordaram alegados episódios de violência verbal, agressão física e restrições alimentares.
“Isto são declarações fortíssimas, muito visuais”, considerou Marta. Adriano Silva Martins lembrou que cabe ao tribunal avaliar os depoimentos e determinar os factos.
Alimentação e preocupação com a imagem dividem o painel
Entre os relatos discutidos esteve o de Maria da Luz, que terá descrito Betty a procurar comida escondida pelo marido. António Leal e Silva confirmou que existiam restrições à alimentação, mas apresentou uma interpretação diferente sobre a sua origem.
“É verdade que eles cortavam na comida. Eles tinham os dois obsessão pelas magrezas para caberem nas roupas, que quanto mais pequenas, mais baratas, por razões de desfile.”
O comentador defendeu que Betty participava ativamente nas escolhas relacionadas com a imagem pública do casal.
“Há uma diferença muito grande. Tu tens uma mulher em cativeiro que não lhe dás comida, e outra coisa é um casal, que são o que são, que vivia numa bolha. A Betty amava aquelas produções. A Betty não saía sem se produzir. Era ideia da Betty.”
Sobre as refeições em Sintra, recordou: “A comida nunca foi uma coisa que abundasse. Roupa, grifes, joias, chique, havia. O jantar era sarapatel. E comia-se aquele bocadinho de sarapatel e muitas vezes eu ia lá a casa ajudar nos jantares. E as pessoas ficavam encantadas.”
Acrescentou uma memória de um evento: “Nós fomos jurados da Miss Leitão… ela devorava meio leitão, como quem come pão de ló. A Betty comia tudo.”
“A Betty era uma mulher livre”
António Leal e Silva descreveu Betty como uma mulher com personalidade forte e recordou situações em que, segundo afirmou, tratava o marido de forma dura.
“Meu querido, eu posso ter muitos defeitos na vida, mas não sou mentiroso. A Betty tratava o Zé abaixo de cão, montes de vezes. A Betty punha-se muitas vezes com ar de quem estava do lado dela e destratava. Como aos empregados, a Betty não falava com empregados. A Betty era uma mulher muito simpática publicamente, mas era uma mulher com muito caráter, com uma maneira de estar muito própria.”
O comentador afirmou ainda que José demonstrava “obsessão” e “adoração” pela mulher e evocou uma fase em que viveram separados geograficamente.
“A Betty esteve a viver sozinha em Nova Iorque dois anos e tal, enquanto o Zé esteve em Lisboa. A Betty era uma mulher livre.”
Adriano Silva Martins colocou também uma pergunta sobre a presença de hóspedes: “Uma pessoa que exerce violência doméstica sobre outra convida uma terceira pessoa para ir morar com eles?”
A existência de hóspedes ou os períodos em que Betty viveu sozinha não permitem, por si só, confirmar ou excluir os episódios em julgamento. As intervenções do painel corresponderam às interpretações dos comentadores sobre a relação.
Reservas sobre o depoimento de Abel Dias
António Leal e Silva manifestou ainda dúvidas sobre a forma como foram reproduzidas confidências atribuídas a Betty.
“Se o Abel diz que a Betty lhe contou, isso eu deixo para umas pessoas que se acham superiores na verdade absoluta. […] Surpreende-me é que o Abel diga que a Betty lhe contou, mas que a Betty não seja capaz de reproduzir isso no tribunal.”
O debate terminou sem consenso sobre o quotidiano do casal. Os testemunhos apresentados no processo e a sua relevância para a acusação de violência doméstica serão avaliados pelo tribunal.
