José Eduardo Moniz sobre Cristina Ferreira: “Eu quero um tipo de televisão, ela quer um tipo de televisão”, referiu.
Na tarde de ontem, José Eduardo Moniz, diretor-geral da TVI, marcou presença no programa “Goucha” numa entrevista aguardada com assinalável expectativa.
No ano em que o canal de Queluz de Baixo celebra o 31º aniversário, Moniz abordou os resultados do canal, projetos em preparação e ainda e o relacionamento com Cristina Ferreira.
Primeiramente, sobre a relação com Cristina Ferreira, destacou que apesar das visões “completamente diferentes”, garante que tem “uma relação normal de um diretor-geral com uma diretora. Quer dizer que tínhamos de nos entender, como nos estamos a entender“
Seguidamente, revelou: “Não nego que, quer a Cristina [Ferreira] quer a sua equipa, quando entrei na TVI, me olharam com alguma reserva. Eu percebia isso. Olhavam com alguma reserva porque provavelmente achavam que eu ia destruir tudo aquilo que eles tinham montado“.
Porém, explicou que só pretendia “acrescentar valor” e não “destruir”.
“É sempre esse o meu propósito e enquadrar obviamente o funcionamento de cada um. Agora, quando eu acredito em coisas que são diferentes das dos outros, eu tenho de humildemente, mas militantemente dizer que eu não concordo”, afirmou.
Nesse seguimento, recordou: “Quem me encarou com grandes reservas quando entrei na TVI, e que me acharam velho e ultrapassado, digo que elas é que estão mais atrasadas do que eu, porque eu tenho um espírito muito mais empreendedor do que elas e um espírito muito mais irrequieto do que o delas“.
Assim, afirmou: “Daquilo que tenho um entendimento mínimo é difícil enganar-me”.
José Eduardo Moniz elogia talento de Cristina Ferreira
Sem problemas, elogiou o talento de Cristina Ferreira: “A Cristina tem imenso valor, é uma excelente apresentadora. Eu quero um tipo de televisão, ela quer um tipo de televisão, nós estamos a cruzar essas visões“
O director-geral da TVI revelou ter sido convidado para ingressar na política, mas recusou, indicando que a independência é crucial nesse meio.
“Sou um romântico e acho que não há impossíveis. Acredito que é possível as coisas acontecerem”, destacou.
Posteriormente, foi questionado por Manuel Luís Goucha sobre como Moniz vê o percurso de Cristina Ferreira, dado que foi quem a lançou na TVI.
Assim, o diretor-geral respondeu: “A Cristina é um produto meu e seu. Nós ‘fizemos’ a Cristina, entre aspas.”
“Ela já lá tinha tudo“, reagiu Goucha.
Recordando o percurso da apresentadora, José Eduardo Moniz falou da necessidade de Cristina se afirmar e inovar na televisão.
“Acho que a Cristina viveu e tem vivido sempre num processo de afirmação constante”, disse.
Nesse sentido, o diretor-geral da TVI reconhece o mérito dela em trazer ideias novas e em marcar a diferença de forma relevante.
Depois, destacou o sucesso social de Cristina Ferreira.
“Tem tido sucesso nisso à sua maneira, temos de respeitar a sua posição. Tem os méritos que lhe devem ser atribuídos e daqui lhos reconheço“, referiu.
Todavia, demonstrou confiança na qualidade dos conteúdos da TVI e revelou ter projetos em mente para o futuro do canal.
Por fim, no término da conversa, o apresentador brincou com o diretor-geral da estação sobre a possibilidade de abandonar os programas diários no final do ano.
Demonstrando o desejo de fazer programas semanais, Manuel Luís Goucha provocou: “Há mais vida para além da televisão, não é? Ainda bem que me compreende, espero que sim”.
José Eduardo Moniz interveio imediatamente: “Não, não, não. Você não pode manipular o que digo. Há vida para além da televisão quando a televisão nos diz para seguir em frente e ainda não está no seu momento”.
“Mas eu ainda não tive essa vida”, respondeu o apresentador.
“Obrigado porque foi sempre o homem que confiou em mim. Se estou aqui, devo muito a si”, rematou Goucha.
